Dos horários do Brasileirão a 'modernizar' STJD: o que CBF apresentou a clubes em reunião sobre liga

Vista aérea da sede da CBF, no Rio de Janeiro Buda Mendes/Getty Images

A CBF (Confederação Brasileira de Futebol) realizou, nesta segunda-feira (25), encontro com representantes de 40 clubes das Séries A e B do Campeonato Brasileiro para novamente discutir a formação de uma liga única de clubes com a participação da entidade.

Segundo apurou a ESPN, a Confederação apresentou aos dirigentes o que chamou de "diagnóstico" após uma comparação do Brasileirão com as principais ligas da Europa - especialmente Premier League, da Inglaterra, LALIGA, da Espanha, e Bundesliga, da Alemanha.

Na visão da CBF, 10 fatores são os que mais "distanciam" hoje o Campeonato Brasileiro das competições da elite europeia, em indicadores que foram divididos entre "críticos" e outros que demandam "atenção" para as Séries A e B.

Nesta segunda, a entidade focou sua apresentação em cinco desses pontos. Foram eles: calendário (apontado como atenção), público e segurança (crítico), infraestrutura de estádios (crítico), jovens talentos (atenção) e governança do regulamento (crítico).

Os demais pontos, como tempo de jogo, transmissão, comunicação e redes sociais, marketing e sustentabilidade financeira ficaram para serem discutidos em nova reunião.

Vale ressaltar que o encontro aconteceu em um contexto de acirramento nos bastidores entre a CBF e o Flamengo, principalmente, que, no fim de semana, publicou uma dura nota contra a entidade, criticando o calendário do Brasileirão - que foi rebatida pela Confederação com igual força.

O clube rubro-negro cobrou a CBF pelo não adiamento da próxima rodada da Série A, na qual os clubes que cederam jogadores para a Copa do Mundo já estarão desfalcados.

Apesar da situação, o ponto apresentado pela CBF em relação ao calendário não se aprofundou necessariamente no conflito gerado por eventuais desfalques por seleções, mas principalmente na falta de padronização que existe nos horários dos jogos das Séries A e B.

A CBF realizou um comparativo nos últimos três anos dos jogos do Brasileiro e das principais ligas da Europa e chegou à conclusão que a falta de padronização de horário para as partidas impacta no "produto" e acaba também afastando o público dos estádios.

De maneira geral, a entidade sugeriu evitar jogos na faixa de 19h em dias da semana e priorizar os fins de semana, mas não o horário mais tarde criado recentemente aos domingos.

A CBF reforçou que não há obrigação em contrato de que detentores de direito estipulem horários, e a intenção é que, com uma liga, exista mais diálogo nessa organização. A proposta principal foi a de adequar os horários para aqueles que permitem mais público nos estádios.

Infraestrutura de estádios e segurança

A CBF também tratou sobre a infraestrutura dos estádios que recebem jogos, principalmente, da Série A. A entidade destacou que, ao contrário do que acontece na Europa e até nos torneios da Conmebol (Confederação Sul-Americana de Futebol), não existe uma regulamentação que padronize as arenas.

Uma equipe ligada à Confederação visitará os 21 estádios da Série A durante a pausa para a Copa do Mundo para iniciar vistorias e caminhar para a criação dessa regulamentação.

Em outro trecho, já em novo ponto da apresentação, a entidade também manifestou o objetivo de criar uma comissão anti-violência, para coibir um dos fatores que foi identificado com o que mais afasta torcedores dos estádios - e, por consequência, impacta no "produto" Brasileirão.

Intenção é que todos os estádios tenham integração entre os acessos com biometria e dados do poder público, afastando das arenas "espectadores problemáticos".

A CBF, e a eventual liga, também acompanharia mais de perto processos que envolvam brigas e violência, diferente do que acontece hoje. Essa preocupação também visa ampliar o raio de proteção principalmente de jogadores, para que eles também estejam protegidos em CTs, aeroporto, diante de sucessivos episódios de “cobrança” envolvendo torcedores organizados.

Jovens talentos

No quarto ponto da reunião a CBF manifestou sua preocupação em regular a atuação de empresários no Brasil, como forma de proteger o talento de jovens atletas no Brasileirão.

Segundo números levantados pela entidade, hoje são mais de 2,4 mil intermediários trabalhando no Brasil, sendo que apenas 300 têm a chancela da Fifa.

O objetivo é ampliar a fiscalização para coibir práticas que vão desde de aliciamento de jovens até lavagem de dinheiro, passando por pagamentos não rastreados a familiares dos atletas, abordagem direta a menores de idade, entre outras.

Modernização do STJD

O último ponto apresentado na reunião com clubes fez referência à estrutura da Justiça Desportiva, em uma preocupação em acelerar as decisões da Justiça.

A CBF entende que precisa buscar um caminho em que qualquer punição aconteça antes da rodada seguinte do campeonato.

Na comparação com as principais ligas do mundo, os julgamentos têm decisão final em, no máximo, 10 ou 14 dias, enquanto, no Brasil, esse prazo médio é de 79 dias.

A proposta é para que esse número também não exceda duas semanas, e já há um projeto piloto em ação, algo que vem tendo resultados positivos, segundo afirmou a CBF.