Por pouco, a história de Randy Moss, um dos maiores recebedores da história da NFL, não foi bem diferente. Em Rand, uma região de West Virginia que não chega a ser uma cidade e onde o jogador cresceu, a trajetória dele virou uma grande exceção.
Normalmente, quem vive em Rand, permanece em Rand.
Não foi fácil para Moss chegar onde chegou. Para virar dono de diversos recordes da NFL e ser membro do Hall da Fama da liga, o jogador teve que superar diversas barreiras e dificuldades durante a infância, adolescência e, principalmente, em sua época de faculdade - quando, por pouco, ele não largou o esporte de vez.
Após mostrar seus dons no futebol americano, no basquete, no beisebol e no atletismo pela escola de DuPont, Moss decidiu seguir seu coração e escolheu jogar apenas futebol americano. Após seu terceiro ano, ele iria se juntar a Universidade de Notre Dame. Porém, após se envolver em uma briga na escola, ele foi acusado de chutar um aluno e, posteriormente, se declarou culpado, sendo sentenciado a 30 dias de prisão.
Deste modo, Notre Dame acabou retirando a bolsa do recebedor. Mas nem tudo estava perdido.
Bobby Bowden, então treinador da Florida State, reconhecido por bons trabalhos com atletas ditos problemáticos, resolveu arriscar: recrutou Moss, mesmo sem ele poder entrar em campo em seu primeiro ano de faculdade.
Nas férias, quando voltou para casa, o jovem testou positivo para maconha, violando assim sua liberdade condicional, perdendo sua segunda bolsa de faculdade e sendo obrigado a cumprir mais 60 dias de prisão.
Quando parecia estar tudo perdido, Moss encontrou seu caminho. Foi para a Universidade Marshall, mostrou todo seu talento e se tornou um dos melhores jogadores universitários da época.
Mesmo após ter sido finalista do Troféu Heisman de 1997, ele não foi uma das primeiras escolhas do Draft de 1998. Os técnicos e diretores das franquias da NFL ainda o encaravam com desconfiança. Sorte do Minnesota Vikings, que na 21ª posição, selecionou o atleta e o viu fazer história na liga.
O documentário “Rand University”, da aclamada série 30 For 30 e que está disponível no WatchESPN, explica toda essa fase de crescimento de Randy Moss, como ele enfrentou os problemas com a justiça e como deu a volta por cima para brilhar na NFL.
Você pode ver todas estas produções e muitas outras quando e onde quiser no WatchESPN.

O ASTRO EM DUPONT

Nascido na cidade de Charleston, em West Virginia, Randy Moss e sua família logo se mudaram para Rand, um local perto do rio Kanawha e com menos de dois mil habitantes. Foi lá que ele fez suas primeiras amizades e ingressou no mundo esportivo, onde já começou a se destacar no futebol americano. Foi fazer o colegial em DuPont, uma escola próxima, mas com maioria de brancos.
Mesmo alegando sofrer algumas injúrias raciais, Moss brilhou em DuPont. Era o astro no campo de futebol americano, no de beisebol, nas quadras de basquete e também nas pistas de atletismo. Como atleta, ele colocou a cidade e a escola no mapa, tornando-a uma das melhores do estado.
Ninguém sabia qual o caminho que o jovem iria seguir, mas todos tinham a certeza que ele faria sucesso no esporte que escolhesse.
Famoso na escola, famoso também na “Rand University”, que era um posto de gasolina onde as pessoas de Rand se reuniam para beber, fumar e curtir a noite. Normalmente, quem era de Rand, não via muitos horizontes e passava o restante da vida presos ali, freqüentando a "universidade".
Com potencial de sobra, Moss foi além. Ele priorizou sua grande paixão, o futebol americano, e se comprometeu a ir para a Universidade de Notre Dame após a conclusão do ensino médio.
PROBLEMAS COM A JUSTIÇA

Nos seus últimos meses de DuPont, Moss acabou se envolvendo em uma briga. Ele foi apoiar um amigo negro em uma luta contra outros estudantes brancos, que supostamente teriam feitos comentários racistas.
Deste modo, ele foi inicialmente acusado de um crime por chutar um colega, depois reduzido a uma contravenção. Em agosto de 1995, Moss se declarou culpado e foi sentenciado a 30 dias de prisão – ele cumpriria três dias a partir daquela noite e depois seria obrigado a cumprir o restante nos 18 meses seguintes, depois de concluir seu primeiro ano na faculdade.
Com a condenação, o atleta acabou perdendo a bolsa de Notre Dame. Contudo, não foi o fim do sonho para ele. Florida State decidiu dar uma chance para ele, já que tinha como treinador Bobby Bowden, que era famoso na época por recuperar jovens. Por causa da transferência, Moss não pôde jogar em seu primeiro ano de faculdade. Ficou apenas treinando com o time e se preparando para a temporada seguinte.
Porém, nas férias de verão, enquanto cumpria o restante de sua sentença em casa, ele acabou testando positivo para maconha, violando assim sua liberdade condicional. Além de ter que cumprir mais 60 dias de prisão, ele também viu sua segunda bolsa de faculdade ir embora e sequer pode ir se despedir pessoalmente dos seus companheiros de Florida State.
VOLTA POR CIMA EM MARSHALL

Quando parecia sem esperanças, Moss se reergueu. Muitos acreditavam que a carreira dele estava acabada, que ele voltaria para Rand e passaria o resto da vida morando por lá. Mas ele não se deu por vencido e aceitou o convite da Universidade Marshall, que não disputava a primeira divisão, mas que era próximo de sua casa.
Assim, em sua primeira temporada, ele estabeleceu quatro recordes, além de ser campeão da divisão I-AA da NCAA. No atletismo, ele fez o tempo de 21,15 segundos na corrida de 200 metros, sendo um dos melhores tempos do país em 1996.
Em sua última temporada universitária, Moss conseguiu brilhar ainda mais, sendo campeão da Mid-American Conference, ganhando o prêmio Fred Biletnikoff, de melhor recebedor do ano, e sendo um dos finalistas do Troféu Heisman, que ficou com Charles Woodson.
Com dois anos magníficos, o jogador acreditava que seria uma das primeiras escolhas do Draft da NFL de 1998. Porém, muitos técnicos e dirigentes ainda desconfiavam dele. Não sabiam qual a versão de Randy Moss estariam escolhendo: a que tem problemas com a justiça ou um dos recebedores mais promissores da história.
Ele acabou descendo no Draft e quem arriscou foi o Minnesota Vikings. Na 21ª colocação, a franquia selecionou o jovem. A escolha se justificou com as diversas alegrias dadas para a torcida nos anos seguintes.
