Parece que ela voltou a emplacar... A 'Maldição do Madden' entrou em campo na última semana da NFL.
Mesmo com uma vitória maiúscula sobre o Denver Broncos por 30 a 6, o torcedor do Kansas City Chiefs saiu do Arrowhead Stadium preocupado na quinta-feira (17), afinal, o MVP da temporada passada, Patrick Mahomes, deixou o campo lesionado ao deslocar a patela do joelho direito.
Antes mesmo do TNF, a lesão que segurava Mahomes era no tornozelo. Isso (entre outros fatores, como a linha ofensiva) refletia dentro de campo, com uma discreta queda de rendimento. Nas semanas 4, 5 e 6, o jogador teve as três piores médias de passes completos em um jogo de temporada regular de sua carreira – só ficam atrás de sua primeira partida de 2018, contra o Los Angeles Chargers.
Ok. É normal um jogador se machucar quando se pratica um dos esportes de maior contato. Mas uma coisa é fato: são muitos os exemplos de jogadores que, de alguma forma, tiveram sérios problemas após aparecerem na capa do jogo oficial da NFL, desenvolvido pela EA Sports.
Mahomes foi o escolhido para ser o rosto do Madden 20 e pode até ser que ele dê a volta por cima e tenha um restante de temporada impecável quando voltar. Então, antes disso acontecer, vamos relembrar aqueles que mais sofreram com a maldição e aqueles (poucos) que conseguiram escapar dela após estamparem a capa do jogo.
Vale frisar que o jogo tem no nome o ano da temporada anterior, por exemplo: o Madden 11 foi lançado com os elencos da temporada regular de 2010, consequentemente, dos playoffs de 2011.
Maiores vítimas
MADDEN 2004
Michael Vick, quarterback dos Falcons
A temporada de 2002 de Michael Vick foi impressionante e crucial para levar o Atlanta Falcons para os playoffs daquela temporada. Neste ponto de sua carreira, o jogador já era considerado uma lenda por muitos, e foi escolhido para ser a capa do Madden da temporada seguinte.
Um dia após o lançamento do jogo, Vick entrou em campo na segunda partida de pré-temporada e fraturou a fíbula, voltando ao campo só na semana 12 da temporada regular. A maldição não abandonou o jogador e, alguns anos depois, ele foi preso por estar envolvido nos negócios de uma arena de luta de cães.
MADDEN 08
Vince Young, quarterback dos Titans
Com a 3ª escolha geral do Draft de 2006, o Tennessee Titans selecionou Young, que teve uma primeira temporada absurda, com diversas quebras de recorde e o prêmio de melhor calouro ofensivo. Nada mais justo que o jovem emplacar a capa do jogo em seu segundo ano na liga, certo?
Certo! Mas...
A estrela do time começou a se tornar a âncora. Foram 9 touchdowns e 17 interceptações naquela temporada, além de duas lesões que o tiraram de ação. Na temporada seguinte, Young se tornou definitivamente um reserva.
Curiosidade: LaDainian Tomlinson deveria ser o jogador capa desta edição, mas os torcedores dos Chargers fizeram protestos e petição para que isso não acontecesse por medo da maldição. Funcionou.
MADDEN 12
Peyton Hillis, running back dos Browns
Ele sumiu tão rápido quanto surgiu. Hillis teve uma temporada surpreendente em 2010 e foi escolhido por votação popular para ser a face da edição seguinte do jogo.
A temporada já começou com problemas contratuais e, na sequência, lesões. Primeiro, uma inflamação na garganta, depois, uma lesão no tendão. Foram seis jogos perdidos na fraquíssima temporada de 587 jardas.
No final da temporada, o Cleveland Browns não quis renovar e deixou o running back se tornar free agent. Ele chegou a jogar pelos Chiefs, mas nunca mais foi um jogador relevante.
MADDEN 17
Rob Gronkowski, tight end dos Patriots
Um dos melhores tight ends de todos os tempos – há quem diga O melhor –, Gronk chegou de duas temporadas seguidas no primeiro time All-Pro, que elege os melhores jogadores da liga em cada posição, montando o elenco dos sonhos daquele ano.
O jogador sequer começou a temporada regular jogando pelo New England Patriots, graças a uma lesão no tendão. Quando se recuperou, jogou (muito) bem, mas se machucou de novo na semana 11, dessa vez por problema no pulmão. Uma partida após seu segundo retorno, outra lesão, nas costas, dessa vez para acabar com sua temporada.
MADDEN 19
Antonio Brown, wide receiver dos Steelers
Se não o melhor wide receiver da NFL quando foi escolhido para a capa, Brown estava, pelo menos, entre os três. E foram muitas temporadas bem sólidas até então.
A maldição demorou a agir, mas chegou no final da temporada. Brown discutiu com companheiros de Steelers, comissão técnica e cidade inteira de Pittsburgh e deixou a franquia, indo para os Raiders.
Em Oakland, ele demorou para começar a treinar porque havia congelado os dois pés em uma sessão de crioterapia, ao vestir errado os calçados. Quando se recuperou, começou a saga do capacete. O wide receiver se recusava a trabalhar sem o seu modelo de toda a carreira, que havia sido banido pela liga.
O descaso com o time rendeu declarações fortes do general manager da equipe. Antes da temporada começar, a franquia liberou Brown do elenco.
Ele foi para os Patriots e jogou bem na semana 1. No entanto, uma acusação de assédio sexual resultou em outro corte. O wide receiver, então, resolveu deixar o futebol americano (pelo menos até agora).
Maiores até que a maldição
Desde 1999 – quando um jogador apareceu na capa do jogo pela primeira vez – poucos conseguiram superar a maldição.
O primeiro deles foi Calvin Johnson, wide receiver do Detroit Lions. Capa do Madden 13, o “Megatron” já estava entre os melhores recebedores da liga e no ano em que estampou o jogo, quebrou ainda mais recordes e confirmou seu nome na história do esporte (se isso já não tinha acontecido).
Duas edições depois, a fórmula do sucesso parecia ter sido compreendida.
Na temporada do Madden 15, Richard Sherman foi peça fundamental na ótima defesa do Seattle Seahawks e ajudou a equipe a chegar ao Super Bowl com atuações de elite.
Na sequência, a face do jogo foi Odell Beckham Jr, WR do New York Giants. Há quem diga que o jogador teve vários colapsos durante a temporada, como quando brigou com um golzinho de treinamento de chutes ou quando fez um buraco na parede dos vestiários do Lambeau Field, mas é fato que seu desempenho ainda o classificou como um dos melhores da liga.
Por último, no Madden 18: Tom Brady, QB dos Patriots. Tudo bem que ele perdeu o Super Bowl para o Philadelphia Eagles, mas é impossível ignorar suas atuações impecáveis naquele ano, já na casa dos 40 anos de idade – inclusive, na própria derrota na disputa pelo título, Brady acumulou 505 jardas e 3 TDs.
Fujões
Mais dois nomes escaparam da maldição de formas diferentes: Barry Sanders e Larry Fitzgerald.
Sanders, RB dos Lions, certamente está entre os maiores jogadores da história da liga. Em 2000, ele foi escolhido para a capa do jogo. No entanto, pouco depois da revelação da capa, Sanders se aposentou do nada e deixou muita gente chocada. No seu lugar, entrou Dorsey Levens, dos Packers, que machucou o joelho e nunca mais teve uma temporada tão boa quanto as anteriores.
Outro entre os grandes da história – e ainda em atividade pelo Arizona Cardinals –, Larry Fitzgerald não teve problemas após aparecer no Madden 10. Ele dividiu a capa com Troy Polamalu na única edição que teve dois jogadores na capa.
E sobrou para o safety dos Steelers. Polamalu teve duas lesões sérias na temporada e sua franquia não conseguiu chegar aos Playoffs.
