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Análise: Apesar de pequenas evoluções, Madden 20 é essencial para os fãs da NFL

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O que as 32 franquias da NFL, seus jogadores, comissões técnicas, corpos administrativos e tudo mais o que envolve a liga buscam a cada nova temporada? Evolução. O time que ficou por último quer deixar essa incômoda posição, o campeão quer defender seu título, o jogador que errou um lance capital quer dar a volta por cima e assim por diante.

O mesmo pode se dizer com a EA Sports e Madden, o simulador oficial da NFL. Como fazer para vender anualmente um game que não possui nada de revolucionário em relação ao seu antecessor? Sem entrar no mérito da necessidade de um jogo novo (uma expansão já bastaria), a EA busca a evolução para tornar seu game atrativo.

Madden 20, o mais novo da franquia, é um xodó do público americano — o seu Fifa, por assim dizer. O público de lá comprará o game, mas pede em troca que seu simulador seja, ao menos, melhor que no ano passado. O que importa agora é saber se essa evolução proposta no game, que traz Patrick Mahomes em sua capa, existe (e corrigiu) o que foi necessário para agradar estadunidenses, brasileiros e os demais fãs de futebol americano.

MODOS DE JOGO

A grande evolução nos modos de jogo é a chegada de QB1: Face of the Franchise, que substitui o Longshot de Madden 18 e 19. Longshot ou Face of the Franchise são o modo Carreira de Madden, com um quê de novela, RPG e a tentativa de se expressar no game momentos importantes da função-chave em uma partida de futebol americano, o Quarterback.

Devin Wade, de Longshot, dá lugar a você, jogador, que cria um avatar para ser seu representante em campo. Se nos Maddens anteriores a “novelinha” de Longshot tinha um prazo de valildade de no máximo uma jogada, Face of the Franchise ganha mais fôlego, pois vale mais que uma jogada — desde que um time da NFL diferente te escolha (spoiler!). Ao entrar no Carreira/Face of the Franchise, você assume a vida de um Quarterback novato, que busca a glória desde a faculdade até o Super Bowl.

O prazo de validade ganha mais fôlego se você atuar no modo com abordagens diferentes. Uma vez que você usa um sistema de opções de respostas para fazer escolhas importantes, seu comportamento e atributos são moldados pela maneira como encara as situações em campo. Dá para ser um cara legal, totalmente voltado ao seu time, ou ser um “lobo-solitário”, cheio de si e pronto para colocar sua carreira acima de tudo e de todos.

Você conversa com colegas de time, com a comissão técnica, com os adversários (Patrick Mahomes te deseja boa sorte e Richard Sherman quer te intimidar), torcida e muito mais ao longo da jornada. A integração com a liga rende elementos interessantes, com direito até a flashs do Good Morning Football, tradicional programa matinal que repercute a NFL.

Madden 20 marca a volta do futebol americano universitário aos games, mas só até a página 2. Você começa o modo e já escolhe uma das 10 faculdades disponíveis no game. Aliado ao fato que você só disputa duas partidas no College, o modo peca por ser raso nesse ponto. A paixão de muitos norte-americanos até é maior por seu time do College do que da NFL, portanto deveria ser maior sua participação no Face of the Franchise. Aí está um ponto para se evoluir no ano que vem.

Na corrida pelo título da NFL estão o Combine e o Draft, capítulos mais bem explorados da vida de aspirante a liga. Em meu caso, sui selecionado pelo Miami Dolphins na 26ª posição e recebido pelo também estreante na franquia, o técnico Brian Flores.

O modo segue semana por semana, no qual desenvolvemos nosso QB por meio de treinos e distribuição de pontos para seus atributos. No menu entre partidas também podemos conversar com o técnico, descobrir objetivos pessoais para as partidas a fim de conseguir mais pontos de experiência e entrar nelas. No College, você joga não só com o QB, mas com o time todo. Na NFL, você passa a jogar somente com o QB, e o jogo é simulado quando você não está mais no ataque.

Outro ponto em que o Face of the Franchise pode evoluir é dar mais opções de posições no próximo game.

Próximo modo da fila: Madden Ultimate Team. MUT segue como uma opção interessante para quem curte jogar com os cards dos jogadores, e este ano a novidade é a opção Mission, composta por desafios que rendem pacotes se você for bem-sucedido nas tarefas.

Na minha opinião, o ponto alto de MUT é mais um exercício de criatividade, quase um “What If” (em tradução livre para o português, “o que aconteceria se”) que vemos em histórias em quadrinhos. Neste modo, podemos colocar em prática nossa imaginação em ver equipes com grandes nomes do presente e passado na mesma formação, ou mesmo times com inúmeras estrelas juntas, algo impedido (corretamente) pela liga para evitar “panelas”.

Já no clássico modo Franchise, entramos no seleto grupo composto por donos de franquias da NFL como Robert Kraft, Jerry Jones e Shahid Khan. Aqui, assumimos o comando do time em diversas esferas, como esportivas, administrativas e de planejamento.

É preciso resolver problemas, montar o time com agentes livres, negociar contratos, treinar o elenco, encontrar talentos no draft e assim por diante. No draft, em especial, o desafio só cresce com o passar das temporadas, já que a partir da classe de 2020 os jogadores são originais, cabendo a você encontrar joias raras em meios a estatísticas.

Madden 20 ainda possui a opção de treinamento, partidas avulsas e o Super Bowl com os times que você quiser ver no jogo máximo da temporada.

QUESITOS TÉCNICOS

E a evolução técnica? O Real Player Motion faz um grande trabalho visual em Madden 20, acionando muitas animações para destacar as jogadas mais icônicas em campo. Comemorações, choques e outros lances são bem recriados, assim como os estádios, que seguem como o ponto alto visual do jogo.

Por outro lado, vemos muitas vezes os reservas fazendo as mesmas ações simultaneamente. Não é raro presenciar cinco ou seis na sideline lamentando em sincronia, algo que fica até bisonho. Outro ponto negativo segue sendo a recriação das faces dos jogadores, muito abaixo do nível de outros elementos na tela. Mesmo aqueles mais reconhecíveis, como Brady ou Rodgers, somente lembram suas versões reais.

Na parte sonora, há uma gama muito boa de jogadas descritas na narração. Brandon Gaudin e Charles Davis, que voltam em Madden 20, possuem muitas falas à disposição, mas que não escapam de se tornarem repetitivas ao longo do tempo, principalmente relacionadas a curiosidades — algo que será combatido em atualizações futuras do jogo.

No campo da jogabilidade, Madden 20 tenta emular a habilidade dos grandes jogadores da liga com o conceito Superstar X-Factor. São habilidades passivas ou com gatilhos que simulam a capacidade dos chamados playmaker, aqueles que desequilibram em campo, em fazer grandes jogadas.

Os 50 melhores jogadores da liga contam com esses dois grupos de ações especiais. Superstar são habilidades passivas que possibilitam um algo a mais para os jogadores em campo, enquanto as X-Factor são acionadas quando cumprimos objetivos em jogo ou perdidas quando fazemos ações ruins.

É uma nova camada de estratégia ao game, pois se trata de uma tentativa de controle das habilidades que grandes jogadas exibem no esporte real. Mahomes, por exemplo, possui uma Superstar que o torna mais ágil fora do pocket. O jogador pode explorar essa habilidade e sair do pocket por conta própria para atrapalhar a leitura da defesa, por exemplo.

Há uma adição no número de jogadas, tornando os playbooks mais personalizados para os times da liga. O Run-Pass surge como mais uma alternativa, no qual a mesma jogada pode gerar um passe ou uma corrida dependendo da leitura da defesa.

PEQUENA, MAS FOI UMA EVOLUÇÃO

Madden 20 é uma atualização do que foi visto nos últimos anos na franquia. A volta tímida do College Football, além da adição do X-Factor e Face of the Franchise são bem-vindas para um game tão importante e que te acompanha ao longo da temporada da NFL (e principalmente na intertemporada).

Madden 20 possui versões para PlayStation 4, Xbox One e PC.