A temporada da NFL foi marcada pelos protestos durante o hino nacional e pela repercussão disso junto aos donos das franquias. Dentre todos eles, o destaque vai para o dono da surpresa Jacksonville Jaguars, que vai encarar os Patriots por uma vaga no Super Bowl LII.
Não são poucos os motivos que levam a olhar para Shad Khan, que comprou a franquia no final de 2011 e, antes de começar esta temporada, jamais tinha visto seu time ganhar mais do que cinco jogos em um mesmo ano.
Ele é imigrante que fez fortuna nos Estados Unidos, único muçulmano proprietário de uma franquia das grandes ligas do país e, ao mesmo tempo em que apoiou a campanha de Donald Trump, critica as políticas contra imigrantes e ajuda refugiados.
Shahid Khan nasceu no Paquistão e só foi para os Estados Unidos em 1967, quando já tinha 16 anos. Chegando no país para estudar engenharia com cerca de US$ 500 no bolso, ele aceitou um emprego para lavar pratos e ganhar US$ 1,20 por hora.
“Eu percebi naquele momento que esta era a terra da oportunidade e eu controlaria meu destino. Menos de 24 horas após chegar, eu já tinha descoberto o ‘Sonho Americano’”, disse Khan em entrevista.
Depois, ainda durante os estudos, ele foi trabalhar na Flex-N-Gate, companhia de Illinois que produzia partes de automóveis. Ao se formar, ele seguiu na empresa por mais um tempo até sair para criar sua própria empresa, que desenvolveu uma forma mais barata de fabricar para-choques.
Depois de ganhar batalha judicial contra a antiga empresa, ele acabou comprando a Flex-N-Gate nos anos 1980, e formou seu impédio bilionário desde então. Hoje a revista Forbes avalia sua fortuna em US$ 7,1 bilhões (R$ 27,91 bilhões).
Khan tentou comprar os Rams antes de adquirir os Jaguars por US$ 770 milhões, e passou a ser retratado como a imagem do sucesso do “Sonho Americano”, sendo também dono do Fulham, da Inglaterra.
Quando Trump ofendeu os jogadores que protestavam durante o hino nacional, Khan foi o primeiro proprietário a ficar ao lado dos atletas, de braços dados, respondendo ao presidente dos Estados Unidores.
O ato foi ainda mais representativo pelo fato dele ter contribuído com US$ 1 milhão para a campanha do então candidato republicano. Ele ainda aproveitou a oportunidade para criticar a política de Trump contra imigrantes, principalmente muçulmanos, e afirmou que não teria problemas em contratar Colin Kaepernick, criador do protesto e grande alvo da ira do presidente.
Para a partida contra os Bills, na rodada de Wild Card, o dono dos Jaguars resolveu doar mil ingressos para imigrantes, sendo 500 para porto riquenhos do nordeste e centro da Flórida, colocando ainda transporte à disposição, e um souvenir para cada.
“O primeiro jogo dos Jaguars em casa após um longo tempo é um evento que deve ser compartilhado com o máximo de pessoas o possível, através de todas as camadas, que chamam Jacksonville de casa”, disse Khan.
“Seja um jogo de agosto ou janeiro, é importante para os Jaguars ser bons cidadãos e fazer a coisa certa pela comunidade. Espero que a experiência no domingo dê aos nossos convidados um merecido decanso sobre o que podem ser grandes desafios de suas rotinas”, completou.
Os Jaguars venceram os Bills naquela oportunidade, e comemoraram o grande triunfo sobre os Steelers no último domingo. Agora, com Khan mais uma vez ao lado de seus jogadores, o desafio será o New England Patriots, em Foxboro.
Uma vaga no Super Bowl pode ser um final e tanto para a história de quem veio de longe para vencer no país em que tal oportunidade é tão discutida nos dias de hoje.
