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Por que o debate sobre maior de todos os tempos entre LeBron e Jordan é diferente agora

Há um trecho incrível do The Jump, programa da ESPN, em abril de 2018, um dia após a quarta bola vencedora de LeBron James nos playoffs – uma cesta de três pontos que colocou seu Cleveland Cavaliers em 3 a 2 na série de primeira rodada contra o Indiana Pacers.

Isso deu a LeBron um buzzer-beater na pós-temporada a mais do que Michael Jordan, que obviamente jogou menos partidas do que LeBron - 81 a menos depois que James e seu Los Angeles Lakers conquistaram o 17° título da franquia da NBA no domingo. Rachel Nichols, apresentadora do The Jump, exibiu os respectivos números de Jordan e James em arremessos de partida nos últimos cinco segundos do quarto período e na prorrogação nos jogos dos playoffs. Os números eram basicamente idênticos. Nichols cutucou Tracy McGrady e Scottie Pippen: Jordan era realmente mais clutch do que LeBron?

As reações de Pippen e McGrady são reveladoras. Eles mal conseguem expressar o quão absurda consideram a pergunta. Pippen sorri, suspira e diz a McGrady para responder primeiro. Eles indicam jogadores em quem confiariam mais do que LeBron com o jogo em jogo: Reggie Miller, Paul Pierce, Kobe Bryant, Joe Johnson.

"O motivo é", diz McGrady, "o primeiro pensamento de LeBron é: 'Vou fazer a jogada certa’”.

"Certo", responde Nichols. "O que é parte de ser clutch".

"Estamos falando sobre fazer o arremesso", responde McGrady. "Esses [outros] só estão pensando em arremessar”.

Nichols se refere às estatísticas na tela: "Os números dizem que [LeBron] fez isso com mais frequência do que Jordan”.

Pippen descarta os números como apenas uma prova de que LeBron jogou muitos jogos disputados. "Gosto de ganhar por 10", diz ele. "LeBron não é o cara que quer dar o último arremesso”. Nichols tenta mais uma vez: "Mas ele fez mais do que o outro cara!"

McGrady e Pippen não se importam. A discussão é absurda para eles. Jordan tem algo que falta a LeBron, e permanecerá intocável, como se não fosse humano.

E eu entendo. Eu cresci como um fã na era Jordan. Muitos executivos de equipe nessa faixa etária - avaliadores de talentos imparciais em seu trabalho - usam linguagem e padrões diferentes para discutir a grandeza de Jordan. Foi algo que sentimos. Ele era indomável de uma forma que James nunca poderá ser.

A aura de invencibilidade não envolveu Jordan apenas em retrospecto. Ele se sentia imbatível em tempo real. O Chicago Bulls foi invencível em duas das seis corridas de Jordan pelo título. Ninguém os testou em 1991 e 1996 - os primeiros títulos dos dois tricampeonatos.

Mas em 1992, o New York Knicks levou indiscutivelmente o melhor time de Jordan para sete jogos na segunda rodada. O Portland Trail Blazers teve as Finais de 1992 empatadas por 2-2 com o Jogo 5 em Portland. Nova York liderou as finais da conferência de 1993 sobre Chicago por 2-0. O Phoenix Suns daquela temporada, com o MVP em Charles Barkley, dificultou o jogo 6 - com o Jogo 7 se aproximando - antes da bola de três pontos de John Paxson garantir o título. (Jordan marcou todos os pontos do Chicago naquele 4° período - todos os nove - antes do chute de Paxson.)

O Utah Jazz igualou as Finais de 1997 por 2 a 2 e hospedou o Jogo 5 - o Jogo da Gripe - que os Bulls venceram por dois pontos. O Indiana Pacers de 1998 teve os Bulls nas cordas no Jogo 7 das finais da conferência também.

Aqueles foram momentos de terrível incerteza contra várias grandes equipes em seus respectivos ápices. Eles não pareciam incertos para muitos observadores contemporâneos (incluindo este). Jordan era inevitável.

Ele foi perfeito: 6-0 nas Finais e se aposentou antes que os Bulls pudessem tentar persuadi-lo. Chicago poderia ter vencido o tetra em 1999? Outros "e se" nos desafiam a imaginar um Jordan imperfeito: Chicago teria perdido uma (ou duas) Finais contra o Houston Rockets se Jordan não tivesse ido jogar beisebol? Será que os Bulls conseguiriam o segundo tricampeonato se Jordan não tivesse ficado dois anos fora? Alguns ex-jogadores dos Bulls alertaram contra assumir uma sequência ininterrupta de domínio. (Steve Kerr chamou a noção de oito títulos consecutivos de "absurda".) E se Shaquille O'Neal ficasse em Orlando - reforçando o Leste durante o segundo tri de Chicago?

E se não houvesse um aumento do teto salarial permitindo que Kevin Durant assinasse com o Golden State Warriors em 2016? Os Cavaliers 2016-17 foram o melhor time de Cleveland da carreira de LeBron. Como olharíamos para a história das Finais de LeBron se os Cavs se vencessem os Warriors sem Durant para o bicampeonato? O que aconteceria em 2018? Kyrie Irving ficaria?

Essa é a história alternativa. A verdade deixa Jordan perfeito e LeBron agora 4-6 nas Finais. O brilho da perfeição de Jordan fica mais forte com o tempo. Isso sobrecarrega e distorce a discussão sobre se James pode ultrapassá-lo como o maior jogador da história moderna - ou se ele já o fez.

Três das seis derrotas de LeBron foram contra os Warriors - duas para aqueles times com Durant e uma terceira na qual Irving e Kevin Love se machucaram.

Outra veio em 2007, quando James, em sua quarta temporada, arrastou uma equipe ruim de Cleveland para as Finais contra os veteranos do San Antonio Spurs. Não foi uma luta justa. O jovem LeBron com um time ruim: 22 pontos por jogo e 35,6% nos arremessos de quadra. Mas ele foi transcendente ao avançar para as Finais muito mais cedo em sua carreira do que Jordan.

Isso deixa duas derrotas: 2011 contra o Dallas Mavericks e 2014 contra o Spurs outra vez.

A série 2011 é a mancha. LeBron jogou mal - passivo, pouco envolvido. Ele marcou oito pontos em um jogo. No pior jogo da carreira de Jordan nas Finais em termos de pontos, ele marcou 22. O fracasso de James sempre estragará a percepção dele em relação a Jordan, mesmo em algum nível subconsciente. Mudou a maneira como olhamos para LeBron. Ele se dobrou de uma forma muito humana. Jordan parecia desumano - imune ao medo. As Finais de 2011 mortalizaram James. Ele não pode apagar isso.

San Antonio foi o melhor time em 2014 - um campeão experiente que não teve muitas dificuldades. Mesmo assim, nunca vimos um time de Jordan no auge perder por 4-1.

Pelo menos não depois de 1988, quando o Detroit Pistons acabou com Chicago por 4 a 1 nas semifinais da conferência. Os Bad Boys eliminaram o Bulls novamente em 1989 (seis jogos) e 1990 (sete jogos) em seu caminho para títulos consecutivos. Jordan perdeu uma série depois disso: em 1995, contra o Orlando Magic, semanas depois de voltar do beisebol.

Há uma questão atraente na carreira de Jordan que influencia a discussão do melhor da história. Jordan perdeu para os campeões - rivais de longa data na conferência - até que aprendeu a derrotá-los. Ele permaneceu com uma equipe quase toda a sua carreira.

LeBron alterou as normas sobre "lealdade" e formação de equipes. Ele teve um papel ativo na construção de dois ‘Big 3s’ e agora um colossal ‘Big 2’. Isso não faz necessariamente com que seus elencos coadjuvantes sejam melhores do que os de Jordan, considerando a profundidade e defesa em torno dos astros dos Bulls.

Após o primeiro salto de LeBron - para Miami - ele não teve nenhum rival da Conferência Leste no mesmo nível do Boston Celtics e dos Pistons dos anos 1980. Boston envelheceu rápido. A lesão no joelho de Derrick Rose desfez o Bulls. A dupla Paul George/Roy Hibbert nos Pacers até deu trabalho para Miami - inclusive em uma final de conferência de sete jogos em 2013. Mas eles nunca tiveram o perfil de um time de elite.

Aquela série entre Miami e Indiana de 2013 também se destaca no recorde de LeBron. O Heat daquela temporada se transformou em um rolo compressor. Eles ganharam 27 jogos consecutivos. Eles estavam em uma turnê de devastação de 45 vitórias e três derrotas entrando na série contra Indiana. Eles terminaram as duas últimas rodadas com oito vitórias e seis derrotas, e ficaram à beira da eliminação nas Finais de 2013 contra o San Antonio antes da bola de três de Ray Allen.

Essas oito vitórias e seis derrotas apagaram a melhor chance de LeBron de ter uma temporada no melhor estilo Michael Jordan. Quase todos os 10 melhores jogadores de todos os tempos têm uma pós-temporada em que parece impossível vencer seu time. LeBron nunca teve isso. Vencer 16 de 21 partidas na bolha de Orlando conta? Os Lakers deram a você essa sensação?

Tudo isso - as Finais de 2011, a natureza às vezes de pensar primeiro no passe de LeBron, as percepções de suas respectivas personalidades e trajetórias de carreira - provavelmente obscureceu o quão monstruoso é o recorde de LeBron em jogos decisivos. O jogo 5 contra Miami é absurdo. LeBron marcou 40 pontos em 15 de 21 arremessos. E ainda: Danny Green perdendo o arremesso que podia dar o título aos Lakers ali mesmo - após um passe de LeBron – fez com que a partida espetacular de James ficasse em segundo plano. Se Green acertasse, LeBron seria um herói.

As percepções de seus estilos de liderança divergentes infectam a análise de sua abordagem para o momento crítico. Jordan era agressivo. Ele intimidou companheiros de equipe, lutou contra eles, preparou-os para pós-temporada. LeBron era (é?) passivo-agressivo. Jordan é o competidor alfa. LeBron é o grande pensador.

Alguns ex-companheiros de equipe que não gostavam das táticas de Jordan reconheceram que ele pode ter ajudado a fortalecê-los. Mas existe a criação de mitos em ação. Kerr precisava que Jordan desse um soco nele para acertar os arremessos no fim do jogo? Muitos desses companheiros de equipe disseram que a repreensão de Jordan não teria surtido o efeito pretendido sem que a liderança estimuladora de Pippen servisse de contrabalanço.

Mas McGrady e Pippen têm razão quando sugerem que o perfil de LeBron parece diferente do de Jordan - independentemente de esse sentimento levar a uma verdade maior. Todos os cinco buzzer-beaters de LeBron, incluindo um contra os Raptors 10 dias após aquele segmento do The Jump, vieram antes das Finais. Quatro vieram em temporadas em que a equipe de LeBron perdeu as Finais. Não há nenhum fio narrativo conectando-os à glória. A memória humana precisa dessas coisas. Sem o anel, os arremessos caem em esquecimento.

Jordan tem dois dos raros arremessos “walk-off” na NBA - incluindo aquela levitando sobre Craig Ehlo, uma cesta tão majestosa que é conhecida simplesmente como The Shot. (O outro veio quatro anos depois, em uma série 4-0, também sobre os Cavs.) Ele venceu um jogo das Finais - o primeiro em 1997 contra o Utah - com um buzzer. Ele encerrou sua carreira nos Bulls um ano depois, com uma cesta vencedora para cima de Byron Russell.

O arremesso nas Finais mais famoso de LeBron pode ser uma longa bola de dois pontos para colocar Miami quatro pontos na frente, faltando 27,9 segundos para o fim do jogo 7 contra San Antonio em 2013. Não tem aquele apelo de cesta decisiva para o título. Poucos segundos depois, LeBron James conseguiu um roubo de bola e garantiu o título.

Seu momento mais famoso nas Finais é uma jogada defensiva – aquele toco para cima de Andre Iguodala nos frenéticos minutos finais do jogo 7 em 2016 contra os Warriors. Na posse mais importante do Cleveland naquele jogo, LeBron cedeu o centro do palco para Irving. Jordan possuía o palco central, sempre. Ele passou a bola apenas quando a defesa ditou.

Talvez LeBron não tenha um arremesso decisivo em Finais digno de flash. Olhe mais a fundo e você verá um volume de dominância que é comparável ao de Jordan, sim.

O quarto período e a prorrogação do jogo 6 em 2013 - com Miami perdendo por 3-2 contra o San Antonio - é um dos maiores períodos de desempenho atlético pressurizado de todos os tempos. LeBron marcou ou assistiu em 29 dos 38 pontos finais de Miami (se você contar os passes de LeBron que levaram a faltas), incluindo os primeiros 17, já que o Heat superou uma desvantagem de 17 pontos. Ele estava em toda parte na defesa.

Ele acertou uma bola de três faltando 20,1 segundos antes da bola de Ray Allen - mais um floater com 1:43 para o fim da prorrogação para dar a liderança ao Heat. No jogo 7, LeBron fez três longas bolas de dois pontos nos últimos 5:40 - incluindo a jogada que decidiu a série.

Foi ofuscado pela bola de Irving e pelo bloqueio de LeBron, mas James marcou 11 dos 18 pontos de Cleveland no quarto período do jogo 7 nas Finais de 2016 - incluindo oito seguidos para transformar um déficit de quatro pontos em liderança dos Cavs.

James errou os quatro arremessos que fez nos últimos 4:15 daquele jogo. Bem. Todo mundo estava errando; o placar congelou em 89-89 por quase quatro minutos consecutivos. LeBron errou por pouco uma enterrada sobre Draymond Green - que fez uma falta forte - faltando 10,6 segundos para o fim, que teria quebrado a Internet e sido considerada a cesta mais memorável da carreira de LeBron. (Ele fez os lances livres e garantiu o anel.) Suas performances consecutivas de 41 pontos - em 32 de 57 arremessos combinados - nos jogos 5 e 6 podem não ter um selo “clutch” porque os Cavs tiveram a audácia de destruir os Warriors.

LeBron venceu um jogo da final da conferência - jogo 1 contra Indiana em 2013 - com uma cesta no estouro do cronômetro. Ele ganhou outro - o jogo 2 contra o Orlando em 2009 - com uma bola de três no estouro do cronômetro. Em uma obra-prima de 45 pontos e 15 rebotes nas finais da conferência de 2012, LeBron acabou com os Celtics e, talvez salvou o Big 3 do Heat.

O jogo 1 das Finais de 2018 contra Golden State pode ser o melhor jogo da vida de LeBron, inclui os tipos de cestas de finais que Jordan fazia e, por razões estranhas, não aparecem tão claramente em seu currículo de pós-temporada. Ele fez duas cestas no último minuto do tempo normal. Quando os Warriors trocaram a marcação em cima de LeBron, ele encontrou esse passe magistral para George Hill.

Os Warriors fizeram falta em Hill. Ele fez o primeiro e empatou a partida. Ele errou o segundo e JR Smith aconteceu. Golden State entrou na prorrogação e venceu a partida. Esses resultados tornam o desempenho de LeBron mais nota de rodapé do que é justo: 51 pontos, 8 assistências e 8 rebotes em 19 de 32 arremessos - incluindo 13 pontos em 6 de 7 arremessos no quarto período. Talvez o melhor time da história simplesmente não tinha resposta para LeBron ao lado de Jordan Clarkson, Kyle Korver, Jeff Green e Larry Nance Jr. LeBron ultrapassou 40 pontos em oito dos 21 jogos de playoff dos Cavs em 2018.

O dossiê de “clutch” de Jordan é impecável. Nós a assistimos novamente com "The Last Dance". Há muitas falhas, incluindo lances livres, mas nenhum jogador jamais igualou a combinação de Jordan de volume e eficiência no final do jogo.

Mas LeBron está mais perto do que parece.

Olhe novamente para aquela foto de LeBron avaliando a defesa do Golden State. Durant e Green não estão marcando pessoas. Eles estão marcando o espaço. Isso era contra as regras da carreira de Jordan. Para onde James deveria ir? Você o faria ir para cima de quatro marcadores e tentar cavar uma falta?

A maior parte da discussão sobre as diferenças entre as eras Jordan e LeBron se concentrou na fisicalidade das décadas de 1980 e 1990. Os defensores do perímetro faziam o famoso hand-check com Jordan. Os Pistons bateram com o corpo nele e foram penalizados com faltas comuns. Talvez fosse mais fácil para os jogadores grandes, como John Hollinger, do The Athletic, escreveu na sexta-feira ao observar como Jordan se elevava sobre outras estrelas de perímetro dos anos 90 - embora Larry Bird e Magic Johnson tenham governado os anos 80.

A proibição do hand-check no início dos anos 2000 abriu o jogo drive-and-kick – o carro-chefe de LeBron. Isso acelerou a ascensão das bolas de três. James fez mais 1.560 bolas de três, representando mais do que a diferença de pontuação total entre eles (cerca de 3.500 pontos a favor de LeBron, temporada regular e playoffs combinados). Jordan teria arremessado mais bolas de três pontos hoje, ele teria sido um passador melhor.

Mas a abolição do hand-check transformou o basquete de isolamento em uma tarefa árdua. Jordan ou jogou um contra um, ou foi para cima de dois. As estrelas não se enfrentam mais. Eles vão um contra o outro, com camadas de ajuda bloqueando todos os corredores. A era de LeBron pode ser mais suave, mas também é estrategicamente mais complexa. A minúscula taxa de turnovers de Jordan seria maior hoje?

A comparação estatística agora é apertada. Por métricas avançadas, as melhores temporadas de Jordan foram um pouco melhores. Ele absorveu mais posses como marcador e manteve níveis surpreendentes de eficiência nos limites superiores da taxa de uso individual.

Divida seus números avançados cumulativos por jogos disputados - tanto na temporada regular quanto nos playoffs - e Jordan superou LeBron por uma pequena margem. Ninguém ficou mais brilhante após.

A lacuna de assistências não é gigantesca. Jordan dava 5,7 assistências por jogo nos playoffs, em comparação com 7,2 para LeBron. Jordan tem uma pequena vantagem em roubos na pós-temporada, LeBron uma pequena vantagem em bloqueios. Os rebotes não são próximos. LeBron é uma arma diferente na defesa – defendendo mais o aro e oferecendo mais flexibilidade posicional.

Como um executivo opinou esta semana: "Jordan foi o melhor marcador de isolamento, mas LeBron é melhor em todo o resto”.

Possivelmente. Dito isso, a pontuação de isolamento é fundamental nos momento finais dos grandes jogos. E cara, seria um prazer assistir Jordan - uma vez Jogador Defensivo do Ano, um prêmio que LeBron nunca ganhou - voar por aí nesta era de regras defensivas flexíveis.

A lacuna nas estatísticas cumulativas será um abismo. Exceto por lesão, LeBron será o maior pontuador de todos os tempos da liga. (Passou despercebido, mas no jogo 5 contra o Miami, LeBron ultrapassou Karl Malone para o segundo lugar em pontos combinados na temporada regular e pós-temporada.) Ele pode dobrar Jordan em assistências e rebotes. LeBron não está acumulando estatísticas. Ele ainda é o melhor jogador. Ainda estamos perto de seu auge.

Tenha cuidado ao descartar as 10 aparições de LeBron nas Finais como o produto de um Leste fraco. Durante as seis corridas de título de Jordan, os quatro melhores times do Leste, além de Chicago, tiveram uma porcentagem de vitórias de 64% - com uma classificação líquida média de +4,8 pontos por 100 posses. Durante a corrida de LeBron para oito finais consecutivas, os números de seus adversários são 62% de aproveitamento com uma classificação líquida de +4,5. Como nosso Kevin Pelton argumentou, temos mais jogadores agora.

A durabilidade de LeBron deve ser considerada. Jordan não durou (nem duraria) tanto tempo assim no topo.

No mínimo, é um debate agora. Os apoiadores de Jordan não podem mais gritar "6-0" e declarar como encerrado. Talvez seja uma questão de gosto. Você prefere o pico ou consistência por um longo período? Quanto pesa, para você, o colapso nas Finais de 2011 de LeBron contra a perfeição de Jordan?

Para alguns, a perfeição é tudo o que importa. LeBron nunca poderia derrubar Jordan. Para ganhar um jogo, a resposta deles sempre será Jordan - e nesse enquadramento, é difícil discordar.

Mas a totalidade da carreira de LeBron é inegável. Se ele ganhar mais um título, e talvez tenha mais duas temporadas quase no mesmo nível, os motivos para Jordan ser o maior de todos os tempos - os critérios pelos quais ele "ganha" o debate - ficarão bastante estreitos. Há uma chance, talvez uma boa chance, de LeBron levar esse debate do melhor da história para níveis que ninguém jamais levou – e que era inimaginável há 10 anos.