<
>

Finais da NBA: Como o Los Angeles Lakers superou uma década de muita dor e voltou ao topo

play
LeBron explica o que Kobe significa para os Lakers, vê semelhanças e cita Frank Sinatra ao refletir sobre seu próprio legado (2:11)

Astro de Los Angeles liderou seu time para as Finais da NBA pela primeira vez em 10 anos (2:11)

Não foram anos fáceis para quem torce para o Los Angeles Lakers. Desde quando o time superou o Boston Celtics nas Finais da NBA de 2010, uma série de eventos tristes e não correspondentes à história da franquia aconteceram. Após tempos difíceis, eles estão de volta.

Aquele time ao redor de Kobe Bryant e Pau Gasol seguiu forte após o título. Por dois anos, ainda foi competitivo, caindo nas semifinais de conferência em ambas as temporadas - nos dois casos, para times que foram às Finais: Mavs e Thunder.

Em 2012, trouxeram Dwight Howard, teoricamente ainda em seu auge, e Steve Nash, mais em fim de carreira, para montar um supertime e responder ao que tinha sido feito em Miami, com LeBron, Wade e Bosh. Não passou perto de dar certo. O Dwight e Kobe não se bicavam, Nash definitivamente não era mais o mesmo, e LA, 7º do Oeste, foi varrido pelos Spurs na primeira rodada dos playoffs.

Aquele experimento logo implodiu. Howard foi embora após um ano, Nash se aposentou depois, e, desde então, os Lakers sequer se classificaram ao mata-mata. Em 2013, entretanto, veio o primeiro choque de tristeza. No dia 12 de abril, Kobe Bryant rompeu o tendão de Aquiles e voltou à quadra para arremessar dois emocionantes lances-livres. Aos 35 anos, seria esse o fim de sua carreira?

No ano seguinte, ele jogou só 6 jogos, e depois foram mais duas temporadas em um ritmo mais baixo, com a idade começando a pesar. Em 2016, veio um momento agridoce. Em uma cerimônia emocionante e com uma atuação épica, ele se aposentou. 60 pontos. Até hoje, esse foi por muito o momento mais feliz da década dos Lakers. No ano seguinte, seus dois números foram aposentados. 8 e 24 eternizados.

Nesse período de seis anos longe dos playoffs, os Lakers tiveram muitas escolhas altas de draft - resultado de times fracos dentro de quadra. Só de ler nomes como Ryan Kelly, Robert Sacre, Jordan Hill e cia, a torcida de LA sente arrepios.

Muitos garotos com um futuro promissor foram draftados. Julius Randle e Jordan Clarkson em 2014, D'Angelo Russell e Larry Nance Jr em 2015, Brandon Ingram e Ivica Zubac em 2016, Lonzo Ball e Kyle Kuzma em 2017. Foram três anos seguidos com a 2ª escolha geral do draft, mas os resultados dentro de quadra continuavam deprimentes.

Fora de quadra, polêmicas também não faltavam... Assim como más decisões. Em 2016, por exemplo, D'Angelo Russel postou um vídeo de Nick Young, seu companheiro de time que não sabia que estava sendo filmado, admitindo trair a namorada Iggy Azalea. Sem clima por lá, o garoto foi trocado, mas o pacote recebido não foi muito bom: Brook Lopez e uma escolha do draft - que virou Kuzma -, muito pouco, considerando que hoje D'Lo é um All-Star

play
2:11

LeBron explica o que Kobe significa para os Lakers, vê semelhanças e cita Frank Sinatra ao refletir sobre seu próprio legado

Astro de Los Angeles liderou seu time para as Finais da NBA pela primeira vez em 10 anos

Enquanto isso, LeBron James dominava a NBA. Soberano no Leste, muito criticado pela falta de competitividade, Los Angeles começaram a parecer uma opção interessante para o craque, que se tornaria um agente livre em 2018. Em fevereiro de 2017, Magic Johnson, lenda da franquia, 5x campeão e muito mais, assumiu o posto de presidente dos Lakers. E com ele, as conversas sobre James aos poucos começaram a se intensificar.

Levar o Lakers ao topo, o retorno do 'showtime', conquistar a outra conferência, aumentar o legado de lendas que jogaram de roxo e dourado... Motivações não faltavam, e em 1º de julho de 2018 tudo isso se tornou uma realidade.

"Quando LeBron James assinou com os Lakers, ele nos disse que nos levaria de volta às finais da NBA e definitivamente manteve sua palavra.", Magic Johnson, lenda e ex-presidente dos Lakers

Ele chegou. Los Angeles tinha o melhor jogador de basquete do planeta. Tinha mesmo? Em uma primeira temporada decepcionante, LeBron jogou 55 jogos, o mínimo de sua carreira, se machucou e levantou muitas questões. Brandon Ingram e Lonzo Ball ainda passavam longe do que era esperado. Kyle Kuzma animava, mas ainda era muito pouco para uma torcida que tinha se convencido de que voltaria ao topo. Faltava alguém.

Após uma longa novela, Anthony Davis finalmente veio. A última temporada ruim, enfim, serviu de algo, já que rendeu a 4ª posição no draft, que foi enviada para os Pelicans junto com Ingram, Lonzo, Josh Hard e ainda mais uma escolha e o direito de trocar de lugar em mais dois drafts. Um pacote gordo para New Orleans, time que AD não queria mais defender. Uma superestrela para LA, que precisava de um parceiro para LeBron.

Com um dos melhores jogadores da NBA ao seu lado e muita vontade de calar quem tanto o criticou na última temporada, James nomeou a atual temporada como a de sua vingança. E desde o primeiro jogo da pré-temporada, uma coisa ficou clara: os Lakers estavam de volta. Seriam campeões, finalistas? Não tinha como saber. Mas definitivamente iam lutar por isso.

Ver essa foto no Instagram

Only one thing to say after hitting a Mamba shot: "KOBE"

Uma publicação compartilhada por Los Angeles Lakers (@lakers) em

Até que, quando tudo parecia bom, veio um dos momentos mais triste da vida de todos os torcedores dos Lakers e também dos fãs de basquete. Em 25 de janeiro de 2020, Kobe Bryant sofreu um acidente de helicóptero e, ao lado de sua filha Gianna e mais sete pessoas, morreu. As merecidas homenagens foram incontáveis. Discursos, camisas, comemorações. Nada é suficiente, assim como um possível título não será. Mas isso se tornou uma verdade incontestável: esse ano é por ele. E com mais quatro vitórias, assim será.