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O caminho de Pat Riley: 'Poderoso Chefão' da NBA segue em busca da vingança contra LeBron e os Lakers

Quem já viu 'O Poderoso Chefão' precisou de apenas alguns segundos para sentir a presença de Don Vito Corleone. Essa foi a mesma sensação de quando a NBA mostrou Pat Riley assistindo aos minutos finais do jogo 6 que levou seu Miami Heat para as Finais de 2020 - a partir de quarta-feira, na ESPN e no ESPN App.

A decisão do Leste contra o Boston Celtics foi apenas mais uma vingança de Riley, presidente do Heat, em 2020. Agora, contra o Los Angeles Lakers, ele pode acabar com mais duas histórias que marcaram seu passado.

Riley, aos 75 anos de idade, se recusou a começar uma reconstrução em Miami quando LeBron foi embora há seis temporadas. Em vez disso, ele manteve Erik Spoelstra no comando do Heat e foi preciso ao montar o elenco de 2019-20: Bam Adebayo se tornou uma estrela, Tyler Herro chegou pelo draft, Jimmy Butler encontrou sua casa, e a troca por Jae Crowder e Andre Iguodala formou o time que dominou os playoffs da Conferência Leste.

Campeão como jogador em 1972, defendendo os Lakers, Pat Riley assumiu o comando do time de Los Angeles no início dos anos 80. Com ele, a maior rivalidade da história da NBA surgiu.

Na década seguinte, Lakers e Celtics dominaram o mundo do basquete e, enquanto Magic Johnson e Larry Bird eram os protagonistas em quadra, Riley mandava no 'Showtime' que levou quatro troféus para Los Angeles.

Os Lakers perderam as Finais para os Celtics após sete jogos em 1984. Riley se vingou no ano seguinte e, em 1987, fez o mesmo ao liderar o supertime de Magic, Kareem Abdul-Jabbar e James Worthy.

Além de eliminar os Celtics dos playoffs em 2020, Riley reencontra os Lakers 30 anos depois de deixar Los Angeles.

Foi em 11 de junho de 1990 que o então treinador pediu demissão da vitoriosa franquia da Califórnia. Na época, as notícias eram de que Riley não estava se entendendo com o general manager Jerry West e com alguns dos jogadores. Mike Dunleavy assumiu o comando dos Lakers mesmo sem ter experiência como treinador principal na NBA - cargo que ocupou por apenas duas temporadas.

Riley trabalhou como comentarista por um ano antes de voltar à lateral da quadra para treinar o New York Knicks, incomodar até o Chicago Bulls de Michael Jordan e ser vice-campeão em 1994.

Mas foi em 1995 que ele tomou a - polêmica - decisão: se demitiu por fax dos Knicks e assumiu a presidência e o time do Miami Heat.

Riley viveu dois momentos distintos como técnico do Heat. Até 2003, ele só conseguiu chegar às finais do Leste uma vez. Foi quando Stan Van Gundy, seu ex-auxiliar, assumiu o time. No draft, Riley foi de Dwyane Wade com a quinta escolha, e o futuro de Miami nunca mais foi o mesmo.

Dois anos depois, Van Gundy se demitiu, e Riley voltou a treinar a equipe. Com a chegada de Shaquille O'Neal, o Heat venceu o primeiro título de sua história em 2006.

Em abril de 2008, Riley repetiu a estratégia: deixou o cargo de técnico e nomeou Erik Spoelstra para seu lugar. Dois anos depois, ele formou um dos grandes times da história da NBA: convenceu LeBron James e Chris Bosh a se mudarem para Miami.

Com o Big Three em quadra, foram quatro Finais e dois títulos em quatro anos. Até que, em 2014, LeBron decidiu voltar para o Cleveland Cavaliers.

"Eu fiquei em silêncio", revelou Riley, para a ESPN, sobre a ligação que recebeu de LeBron naquele ano. "Não falei nada. E tinha acabado. Fiquei muito bravo quando ele foi embora. Foi algo pessoal para mim."

Em 2015, ele voltou a comentar o assunto em entrevista para o portal Bleacher Report: "Com o que tínhamos aqui, e o que poderíamos ter feito nos cinco ou seis anos seguintes, teria sido histórico."

"Nós sabemos dos sentimentos pessoais dos dois", disse Dwyane Wade, sobre Riley e LeBron. "O sucesso que eles tiveram. O time jovem que Riley está formando. LeBron, em sua 17ª temporada, ainda como o melhor do esporte. É o momento perfeito. Claro que um quer vencer o outro. Por que não iriam querer?"