Hoje pastor em uma igreja evangélica e recém-formado em direito, Jefferson Sobral teve a chance de jogar com alguns dos maiores nomes da história da NBA, como Kobe Bryant, LeBron James, Carmelo Anthony e Ray Allen.
Por incentivo das irmãs mais velhas, as ex-jogadoras Leila e Martha, que brilharam pela seleção brasileira de basquete, ele começou no clube da Pirelli e depois foi para o Palmeiras.
Jefferson ainda passou por Corinthians, Vasco e COC Ribeirão antes de ser levado pelo empresário aos Estados Unidos.
“Foram as experiências mais incríveis que tive no basquete. Primeiramente, fui para Cleveland e fiquei treinando como se fosse um sparring do LeBron James, que não era conhecido ainda”.
Após algum tempo ajudando o futuro astro que seria draftado em pouco tempo pelos Cavaliers, o brasileiro foi participar de uma pré-temporada nos Lakers, então campeões da NBA.
“Eles tinham sido tricampeões da NBA e chamaram vários jogadores para selecionar um pivô, porque o Shaquille O´Neal que estava com dedão machucado. Eu treinei muito bem e me chamaram para fazer parte da equipe”, explicou.
Depois de fazer vários treinos com astros da franquia, o brasileiro teve a chance de jogar no primeiro amistoso da pré-temporada em um ginásio lotado.
“Quando eu estava no banco, o [técnico] Phil Jackson falou: ‘Você vai entrar’. Eu perguntei: ‘No lugar de quem?’ Ele respondeu: ‘Kobe’. Quase falei que não ia entrar porque não tem como substituir o Kobe (risos). Eu ia entrar no lugar do astro. Foi uma pressão enorme, mas um sonho realizado”, recordou.
O brasileiro aprendeu também os fundamentos do trabalho do treinador que venceu 11 vezes o título da NBA.
“O Phil Jackson fazia você se sentir parte da equipe. Eu não tinha contrato garantido nem era o mais talentoso, mas não me sentia excluído”.
Depois de seis jogos da pré-temporada, Sobral foi dispensado.
“Os Lakers eram o melhor time do mundo e não precisava de nenhum reforço, na verdade. E fazer parte daquilo me fez sentir um bom jogador”.
Único Globetrotter brasileiro
Depois dos Lakers, Sobral treinou por Denver Nuggets, Seattle Supersonics, Dallas Mavericks e Washington Wizards. Ele chegou a jogar nas ligas de desenvolvimento da NBA, mas não conseguiu disputar uma temporada regular pelas equipes.
“Após o corte nos Nuggets, fiquei muito chateado e pensei em voltar ao Brasil. Eu estava na casa do Nenê Hilário quando o nosso agente me falou para ir a Phoenix fazer testes no Harlem Globetrotters”, recordou.
Mesmo sem grandes expectaivas, Sobral foi aprovado e virou o primeiro brasileiro da história do lendário time de basquete.
“Eu fiz mais de 100 partidas com eles e viajei para muitos lugares. As pessoas riam e abriam as portas. Ali resgatou a minha auto-estima e a vontade de continuar lutando. Aprendi a ver o basquete como um entretenimento também”.
Ele também jogou em Espanha, China e passou por equipes como Joinville, Minas, Bauru e Liga Sorocabana, na qual se aposentou em 2016.
Pastor e advogado
Após parar de jogar, Jefferson Sobral foi estudar e formou-se em Direito em 2020. Ele também passou a se dedicar mais à religião e se tornou pastor de uma igreja evangélica no ABC Paulista.
"Eu queria homenagear a minha mãe, Anita Sobral, que já faleceu. Mamãe, eu consegui! Realizei o que tinha tinha prometido para ela no passado: joguei na NBA e sou bacharel em Direito", afirmou.
O brasileiro também luta krav-magá e participa do projeto AMAB Girafinhas de Mauá, que atende de forma gratuita cerca de 400 crianças no basquete. “É muito bacana, o time chegou a fazer jogos fora do país”.
Além disso, Sobral jogava na equipe máster do Corinthians – seu time do coração – antes da pandemia.
“Estava fazendo uma média de 40 pontos por jogo e até cogitaram a minha volta ao NBB. Estou em forma, não tive lesão e ainda tenho gás para queimar (risos)”, finalizou.
