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'O maior objetivo era humanizar um Deus', explica diretor de documentário sobre Jordan

O documentário The Last Dance, produzido pela ESPN dos Estados Unidos em parceria com a Netflix, colocou novamente Michael Jordan e suas conquistas históricas pelo Chicago Bulls em evidência. O diretor Jason Hehir revelou um pouco dos bastidores da produção e disse que o maior objetivo era "humanizar um Deus".

"Minha prioridade sempre é humanizar a estrela, e isso nem sempre é fácil quando se trata de um ícone global, um mito. O maior objetivo era colocar a pessoa que é vista como um Deus em um tamanho humano. Foi o mais difícil", disse Hehir ao jornal El País.

O documentário mostra detalhes da última temporada de Jordan no Chicago Bulls e repassa a sua trajetória na NBA. A série ainda mostra alguns problemas e questionamento que o astro sofreu na carreira. Um episódio, por exemplo, trata das inúmeras críticas que o jogador recebeu por conta de seu gosto por apostas. Em outra ocasião, mostrou um atleta que não poupava nem os próprios companheiros de situações embaraçosas para atingir o objetivo de vencer.

Jason Hehir, no entanto, destacou que abordar esses assuntos não foi um empecilho durante a produção.

"As pessoas pensam que se trata de uma estratégia de marketing, mas não é assim. Nunca me disse que não poderíamos perguntar certas coisas, nem pediu para que cortássemos nada", destacou.

"Isso (abertura dada por Jordan) me surpreendeu muito. Entrei na esperança do melhor, mas temendo o pior sobre sua vontade de estar aberto à conversa. Na primeira vez em que nos sentamos, em 15 ou 20 minutos, falei sobre o circo de cocaína dos Bulls, que era o que a imprensa chamava, e ele começou a rir. Então ele deu sua opinião e explicou como ele viveu tudo isso. Isso me indicou que não iria se esquivar desse tipo de pergunta, que seria honesto. Fiquei impressionado com sua honestidade e vontade de participar", acrescentou.

O diretor destacou ainda que o documentário serve como uma "viagem ao passado" para as gerações mais novas e ainda comparou Jordan a um famoso super-herói dos cinemas.

"Você pode ensinar aos mais jovens como era a NBA naquela época. Tenho 43 anos e, para os da minha geração, é uma viagem ao passado, algo nostálgico. Traz de volta boas lembranças. Ele (Jordan) explica aos jovens o que teve que passar para ser tudo o que é agora."

"Eu acho que ele se parece com o Batman. Isso me lembra Christian Bale nos filmes do Batman. Ele vai e faz seu trabalho sem se intimidar, e se vinga das pessoas que acham que o traíram de alguma forma. Justiça. A NBA é Gotham, e Michael e Scottie Pippen eram Batman e Robin", finalizou.