Vitoriosa. Números e estatísticas mostram o contrário, mas a jornada de Felipe López, talvez mais do que vitoriosa, foi inspiradora. O dominicano conseguiu colocar seu país, tradicional no beisebol, na rota do basquete e da NBA, algo que era impensável nos anos 90, além de servir de exemplo para tantos outros imigrantes latinos que tentavam viver o ”sonho americano” em Nova York.
López se mudou para o Bronx junto com a família quando estava na oitava série, quando tinha entre 13 e 14 anos. Apaixonado por basquete, mas sem saber falar inglês, ele precisou da ajuda de seu irmão para encontrar um lugar para jogar. Assim, apareceu o Gauchos, onde, pela primeira vez, ele passou a se sentir um astro.
Enterradas, jogadas dignas de profissionais e um estilo cativante tornaram Felipe e seu time uma das atrações da cidade de Nova York. Assim, quando ele entrou para a Rice High School, as filas para comprar ingressos de suas partidas começaram a crescer sem parar para poder ver o jovem fenômeno do basquete em ascensão. Não demorou muito para ele começar a ser notado pelas grandes faculdades. Virou o recruta número um do país.
Após seu último ano, quando ganhou três premiações individuais e foi campeão estadual com com sua escola, todos aguardavam qual seria a decisão do jovem Felipe. Ele teve propostas da Europa e até cogitaram ele entrar no Draft da NBA direto, o que não era usual da época. Mas o armador escolheu ficar em sua cidade, na Universidade de St. John's.
Com Nova York alucinada pela permanência de seu jovem astro, Felipe foi capa de revista, chegou a ser chamado de “Jordan Dominicano”, mas acabou vendo seu sucesso ir por água abaixo. A carreira universitária ficou longe das expectativas colocadas no garoto, com ele disputando apenas um torneio da NCAA em quatro temporadas. Mesmo assim, o armador foi para o Draft de 1998 e, contrariando os especialistas, foi escolhido na 24ª posição.
Após cinco anos na NBA, López sofreu uma grave contusão no joelho e nunca mais conseguiu voltar para a melhor liga de basquete do mundo. Ele rodou a Europa e a América Latina jogando até se aposentar em seu país, em 2011.
O documentário “The Dominican Dream”, que está disponível no WatchESPN, relembra toda essa ascensão e queda de um dos maiores fenômenos dos anos 90. Além disso, explica como Felipe e a família conseguiram vencer fora das quadras e como ele virou um dos maiores exemplos para os jovens da República Dominicana.
Você pode ver todas estas produções e muitas outras quando e onde quiser no WatchESPN.

O SONHO AMERICANO
Nascido na República Dominicana, Felipe López tinha uma família humilde, que tinha o sonho de buscar novos horizontes e oportunidades nos Estados Unidos, seguindo a tendência de muitos habitantes de seu país nos anos 80 e 90. Assim, em 1989, toda a família estava em Nova York, morando no sul do Bronx, um distrito conhecido por ser barra pesada, com problemas de violência e tráfico de drogas.
Porém, Felipe acabou se sentindo presenteado quando viu a quantidade de quadras de basquete que tinha na cidade. Em seu país, o esporte número um era o beisebol. Mas ele amava mesmo o esporte da bola laranja e não tinham muitos parques para ele jogar onde morava. Agora, em Nova York, ele estava no paraíso.
Seu irmão, Anthony, tratou logo de levá-lo ao Gauchos, um clube do bairro, onde Felipe começou a fazer sucesso. Mesmo muito jovem, suas habilidades atléticas e com a bola nas mãos eram espantosas. Assim, logo praticamente todos os dominicanos e fãs do basquete da cidade passaram a lotar os ginásios para vê-lo jogando.
Mesmo não falando muito bem o inglês, López entrou na Rice High School, onde era o principal jogador do time e começou a ser notado nos campeonatos estaduais e chegou a receber dos torcedores o apelido de “Michael Jordan Dominicano”.
REI DE NOVA YORK
Em seus anos de colegial, o armador seguiu o “hype” de jogadores como Kareem Abdul-Jabbar e Dean Meminger, que foram astros em escolas de Nova York e se tornaram os melhores recrutas do país em suas épocas. Assim, com seu nome cada vez mais conhecido, técnicos das grandes faculdades dos Estados Unidos passaram a ir assisti-lo.
Em seu último ano, Felipe de fato virou o grande rei de Nova York. Com o apoio de sua “torcida particular” dos imigrantes latidos e da grande massa da cidade que amava o basquete, ele foi o principal responsável por sua escola conquistar o título estadual e ainda foi eleito o melhor jogador do país de sua categoria, levando os principais prêmios individuais do Gatorade, USA Today e Parade.
Agora, a expectativa era para saber qual seria o futuro do astro. Ele já tinha propostas para jogar na Europa, com um bom contrato garantido, poderia escolher entre as melhores universidades dos Estados Unidos e muitos diziam que ele até teria chance de ir direito para o Draft da NBA, onde já teria feito contato com o Philadelphia 76ers – sendo que na época, não era comum um jogador ir direto do colegial para o profissional dos Estados Unidos.
Após conversar com sua família, López decidiu que o melhor seria permanecer em sua cidade e escolheu ir para a Universidade de St. John's, o que causou ainda uma maior festa em Nova York, que poderia continuar acompanhando seu astro por maus alguns anos. A euforia foi tanta que ele acabou sendo capa de uma das revistas de esporte mais famosa dos Estados Unidos, a Sports Illustrated, o que acabou criando uma pressão gigante para o jogador.
VIRADA DE JOGO
Em pouco tempo, López passou de herói de Nova York a vilão da cidade. O armador acabou não jogando à altura das expectativas criadas pelos torcedores e pela mídia, fazendo com que ele acabasse virando alvo de vaias dos torcedores. Somente em seu quarto e último ano de faculdade, Felipe conseguiu levar St. John's para o torneio da NCAA, mas acabou eliminado na primeira fase.
Mesmo não tendo brilhado como era esperado e perdido boa parte dos fãs que o idolatravam, o dominicano viveu um dos momentos mais importantes da sua vida quando se formou, se tornando o primeiro de sua família com diploma. Uma conquista que não valeu só para ele, mas para todos os imigrantes que tentavam a sorte nos Estados Unidos como o jogador.
Apesar de não ter atuado tão bem quanto queria na faculdade, López foi para o Draft da NBA de 1998 e, surpreendendo a todos, acabou sendo selecionado na 24ª posição. A carreira na maior liga de basquete do mundo foi curta.
Após cinco temporadas, passando por Vancouver Grizzlies (atual Memphis Grizzlies), Washington Wizards e Minnesota Timberwolves, ele sofreu uma séria lesão no joelho e acabou rodando por times da Europa e da América Latina até se aposentar em um clube de seu país, em 2011. Para muitos analistas e torcedores, a carreira de Felipe López acabou sendo um fracasso, pelos baixos números e por não ter correspondido a todo sucesso que era esperado. Contudo, para ele, foi um verdadeiro sucesso.
Além de ajudar a difundir um novo esporte em seu país, ele serviu de exemplo para os imigrantes de Nova York, mostrando que era sim possível ter um futuro sem ter que se envolver com atividades ilícitas, e ainda virou o grande orgulho da família com o diploma da faculdade.
