“O fim de uma era” para o torcedor do Chicago Bulls se traduz em dois momentos claros.
O primeiro, saudoso, diz respeito aos gloriosos dias da franquia seis vezes campeã na década de 90 sob o comando do maior jogador de basquete de todos os tempos. Os títulos conquistados por Michael Jordan, Scottie Pippen, Dennis Rodman, o técnico Phil Jackson e grande elenco renderam à cidade de Chicago um lugar cativo no mapa entre as potências do esporte da bola laranja.
No All-Star Game deste ano, sediado pelo município mais famoso de Illinois, performances de artistas e atletas locais relembraram a força do time que joga no United Center. Mesmo com a má fase recente, o Chicago Bulls ainda é a quarta equipe mais valiosa da NBA – atrás apenas do New York Knicks, Los Angeles Lakers e Golden State Warriors.
O outro “fim de uma era” veio há poucos dias, trazendo esperança para fãs ansiosos por renovação. A família Reinsdorf, dona da franquia, finalmente aderiu ao movimento “#FireGarPax” – encerrando os dias de Gar Forman e John Paxson na linha de frente da tomada de decisões.
Forman foi demitido. Ele estava desde 1998 no front office do Bulls e atuava há dez anos como diretor-geral da franquia. Sob a sua tutela o Chicago Bulls montou um time competitivo no começo da década, draftando o mais jovem MVP da história, Derrick Rose, e chegando às finais da Conferência Leste em 2011. No elenco havia peças essenciais a exemplo de Joakim Noah, Carlos Boozer e Taj Gibson. No mesmo ano Jimmy Butler foi selecionado, se tornando protagonista pouco tempo depois.
Já Paxson é um ex-jogador, integrante do primeiro tricampeonato de Chicago, envolvido nas decisões do dia-a-dia da franquia desde 2003. Ele foi afastado do cargo de chefia que exercia apesar de ter o vínculo mantido. Uma série de decisões questionáveis envolvendo trocas de atletas, técnicos e perdas propositais de jogos culminaram no desprestígio da dupla.
A dura missão de reerguer os touros foi dada a Arturas Karnisovas. O ex-atleta e agora vice-presidente de basquete é um dos principais nomes do basquete lituano - tricampeão espanhol jogando pelo Barcelona, campeão italiano pelo Bologna e duas vezes bronze olímpico.
Embora o currículo seja estrelado, chamou a atenção de Chicago pelo trabalho recente que realizou como gerente-geral no Denver Nuggets. Depois da chegada em 2013 a franquia conquistou espaço entre as mais competitivas da NBA, montando praticamente do zero um time de atletas jovens e talentosos como os estrangeiros Nicola Jokic e Jamal Murray. Karnisovas se despediu do Nuggets na segunda posição da Conferência Oeste.
O preparador físico brasileiro Felipe Eichenberger acompanhou desde o início a trajetória do lituano em Denver e falou sobre sua personalidade e o que esperar dele à frente do Chicago Bulls. O profissional destacou a postura de Karnisovas de valorizar muito os jogadores. A mentalidade é oposta, por exemplo, à do executivo mais controverso que já passou pela diretoria do Bulls – Jerry Krause. À frente do grupo seis vezes campeão, desmontou um dos melhores elencoss da história da NBA – e irritou seus grandes nomes, inclusive Michael Jordan, por defender que organizações ganham taças, não jogadores.
Karnisovas se notabilizou por trazer talentos estrangeiros em Denver. "Quando ele chegou aqui fez um papel muito bom desenvolvendo olheiros. Eles foram todos planejados para onde procurar jogadores estrangeiros, como da Sérvia (Nikola Jokic) e da Europa, da onde o próprio Karnisovas veio”, disse Eichenberger.
O brasileiro revelou também o lado "fã de esportes" do lituano, que gosta de MMA.“Ele é muito de artes marciais, MMA. Eu pensava que era bom nisso, pratiquei um pouco. Mas ele é bom. Ele um dia perguntou se eu fazia chute e eu disse que sim. Aí ele estava chutando o boneco que temos e falou pra eu segurar o colchão. Eu falei que não, porque o chute dele é muito forte! Muitas histórias com ele...”.
