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Kobe x Shaq: saiba a origem da 'treta', compare as carreiras e vote em quem é melhor

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Shaq: 'Nunca haverá outra dupla como Kobe e eu' (1:18)

Ex-pivô esteve na cerimônia de aposentadoria da camisa de Kobe pelos Lakers (1:18)

Para quem estava com saudade da NBA nos anos 90 e 2000, Shaquille O’Neal e Kobe Bryant deram nesta semana mais uma mostra da “novela” e rivalidade entre ambos.

Começou com Kobe Bryant dizendo em um programa de televisão que teria 12 anéis de campeão se Shaq fosse para a academia. E o ex-pivô respondeu falando que Bryant teria se passasse mais a bola. Ambos depois abafaram o caso e reafirmaram o amor que há entre eles e produziu três títulos para o Los Angeles Lakers juntos.

O começo

Ambos chegaram aos Lakers em 1996. Shaq já era um dos maiores pivôs da NBA e tinha 24 anos, sendo apontado como o futuro da Liga. Já Kobe era um garoto de 18 anos que veio direto do colegial para Los Angeles. Bryant teve poucas oportunidades, mas logo que chegou o pivô já avisou que não iria “servir de babá” para a futura estrela.

Em quadra, os Lakers foram eliminados pelo Utah Jazz na semifinal do Oeste por 4 a 1. Em uma das partidas, O’Neal fez a sexta falta no último quarto, e Kobe veio do banco para tentar vencer o jogo, mas fez quatro “airballs” seguidos. Ao apito final, Shaq consolou o jovem e disse que outras oportunidades viriam.

Nos dois anos seguintes, Kobe Bryant foi muitas vezes criticado por não ser solidário em quadra, enquanto os Lakers foram varridos em anos consecutivos por Jazz, na final do Oeste em 98, e Spurs, na semi em 99.

Chega Phil Jackson

Um dos maiores técnicos da história da NBA chegou em 1999 para “cuidar” da dupla mais promissora da liga. A primeira temporada do trio foi mais tranquila, com os Lakers conquistando o título e Jackson implantando o ataque “triângulo”, triando a centralização de jogadas de um único expoente. Ao apito final da temporada, o primeiro a pular nos braços de Shaq foi Bryant.

Dinastia

Na temporada seguinte, começaram as brigas entre dupla. Desde o início do ano, quando Shaq chegou fora de forma e isso irritou Bryant, que passou o verão inteiro treinando duro. O pivô, que criticou a falta de solidariedade com a bola de Kobe, chegou até a pedir para ser trocado após uma derrota para o Phoenix Suns onde anotou 18 pontos e seu companheiro fez 38. Phil Jackson entrou no meio e acalmou os ânimos.

Nos playoffs, eles acharam uma forma de deixar os problemas para trás, Kobe jogou mais para o time, Shaq entrou em forma, e os Lakers venceram 15 dos 16 duelos na pós-temporada rumo a mais um título. O’Neal se referiu a Bryant como “melhor jogador da NBA” e seu “ídolo”.

A temporada 2001-02 veio, mas começou com um clima ruim causado pelos ataques de 11 de setembro. No meio disso tudo, Phil Jackson perdeu o pai, Kobe perdeu o avô, mas os Lakers ainda assim venceram o seu terceiro título seguido.

O início do fim

A temporada 2002-03 começou com os Lakers vencendo apenas 11 dos 30 primeiros jogos. Os Lakers acabaram ficando apenas em quinto no Oeste e foram eliminados na semifinal para os Spurs.

A temporada 2003-04 foi tema de um livro de Phil Jackson chamado “The Last Season: A Team In Search Of Its Soul (A última temporada: Um time em busca de sua alma”. E antes dela começar, Kobe Bryant foi aos tribunais responder acusações de estupro. Os Lakers começaram o ano como favoritos após assinarem com Karl Malone e Gary Payton.

Com Bryant ausente pelos seus problemas com a Justiça e uma cirurgia no joelho, Shaq chegou a dizer na pré-temporada que o “time inteiro está aqui”. Quando Bryant voltou, o pivô disse que ele precisaria passar mais a bola até estar saudável e foi rebatido dizendo que ele precisava cuidar do jogo no garrafão.

Kobe se mostrou descontente com as ameaças de Shaq de deixar o time e também pelo fato do seu companheiro de equipe não o ter procurado no meio dos julgamentos das acusações de estupro.

Os dois lados tornaram público seus descontentamentos com a forma como jogavam ao longo da temporada. Os Lakers foram aos playoffs, mas perderam as Finais para o Detroit Pistons por 4 a 1 em um confronto onde eram tidos como favoritos.

Ao fim da temporada, os Lakers não ofereceram um novo contrato a Phil Jackson, que era muito próximo de O’Neal e criticado por seu esquema ofensivo por Bryant. Sentindo que Kobe estava ganhando “poderes” com a direção da franquia, Shaq pediu para ser trocado e foi atendido, indo para o Miami Heat por Lamar Odom, Caron Butler, Brian Grant e uma escolha de primeira rodada.

No dia seguinte, os Lakers anunciaram a renovação de Kobe por sete anos e US$ 136 milhões. Kobe tinha 26 anos e Shaq estava com 32. Esse foi um dos motivos pelo qual a direção da franquia optou por priorizar Bryant na “queda de braço”.

Caminhos opostos

Shaq se juntou a um jovem Dwyane Wade e venceu um título com o Miami Heat logo em seu segundo ano lá. Já Kobe Bryant iniciou sua reconstrução nos Lakers, que um ano depois recontrataram Phil Jackson. O ala e o técnico eventualmente fizeram as pazes e chegaram a três finais consecutivas no fim da década, ganhando dois títulos seguidos.

Chegou a ser noticiado que Kobe, enquanto respondia por suas acusações de estupro, teria citado Shaq e dito que deveria ter pagado US$ 1 milhão pelo silêncio de mulheres como O’Neal fazia. O pivô depois chegou a culpar Bryant pelo seu divórcio na época.

A paz selada

Conforme ganharam coisas separados, Kobe e Shaq foram fazendo as pazes também. O pivô defendeu o ala como MVP da NBA em 2007 (quando Dirk Nowitzki ganhou) e 2008. Em 2009, eles foram co-MVP’s do All-Star Game. O’Neal insistiu que seu ex-companheiro ficasse com o troféu, mas Bryant deu para o filho do pivô.

Em 2009, na final entre Lakers e Magic, Shaq disse torcer por Bryant. “Eu quero que Kobe Bryant vença o quarto título”. Quando venceu o campeonato de 2010, o ala chegou a alfinetar o ex-companheiro dizendo “agora tenho um título a mais que Shaq” na coletiva.

Quando Shaq teve a cerimônia de seu número ser aposentado pelos Lakers, em 2013, Kobe Bryant foi um dos que fez uma mensagem especial para o pivô no telão. O’Neal, em seu discurso, deixou Kobe por último e disse: “Tivemos 1 milhão de momentos bons e mil ruins. Para mim, 1 milhão é melhor que mil”. Shaq também fez questão de marcar presença no último jogo de Bryant na carreira na NBA, em 2016.

Quem foi melhor?