Nova York, 20 de junho. Era cerca de 23h20 no horário local, 00h20 já do dia 21 no horário de Brasília. Marcos Louzada, o Didi, foi selecionado pelo New Orleans Pelicans na 35ª escolha do draft da NBA.
Sua história está apenas começando, mas esse capítulo em particular começou muito antes dessa noite.
Hélio Rubens Filho, o Helinho, foi seu treinador em Franca. Há meses, o garoto já era monitorado pelo melhor basquete do mundo, e o técnico conversou em exclusividade com o ESPN.com.br sobre como as coisas aconteceram:
"Os scouts da NBA passam a acompanhar as equipes. Por exemplo, estive em contato com scout do Jazz, dos Pelicans, dos Mavericks, dos Lakers. Varios ligaram, trocaram ideia."
Sobre os Pelicans especificamente, Helinho falou do carinho que a franquia da NBA teve - e exaltou o trabalho de seu olheiro: "O olheiro dos Pelicans que estava aqui é de Israel. O trabalho que ele fez foi muito bom. Acompanhou jogo em Franca, acompanhou jogo da Liga das Americas, foi em jogo do NBB em São Paulo. Ficou uma semana acho, uns sete dias."
"O dos Pelicans foi o que mais acompanhou, foi o mais ligado, ficou mais tempo, fez mais reuniões comigo e com a equipe." Helinho, técnico de Franca sobre o tratamento que Didi recebeu.
Vale ressaltar, em situações como essa, olheiros e quaisquer membros das franquias da NBA não podem falar diretamente com jogadores. Como disse o treinador, os olheiros conversam com membros da comissão técnica, assistem jogos, analisam, mas não chegam a se reunir diretamente com o atleta.
Os Pelicans não tinham a 35ª escolha do Draft, usada para selecionar o brasileiro. Na noite do evento, fizeram uma troca com o Atlanta Hawks, na qual enviaram sua 4ª escolha (adquirida dos Lakers na troca por Anthony Davis) e receberam a 8ª, a 17ª e a 35ª. Para Helinho, quando o time de New Orleans fechou o negócio essa escolha especifica visava a escolha de Didi.
E os outros times? Os Pelicans selecionaram Didi, mas o próprio Helinho revelou outras franquias que tinham interesse no garoto.
"O do Pelicans viu ele in loco, como o dos Lakers, como o do Utah Jazz. O olheiro dos Lakers veio aqui no Brasil também; o do Utah Jazz foi ao México ver nosso jogo pela Liga das Américas. Eles conversam com técnicos, fisioterapeutas, preparador físico. Viram que ele pode pontuar de várias formas, que defensivamente, se ele estiver focado, é um ótimo defensor, então é uma coisa que pode ser trabalhada. Outros depois que viram ele no Nike Hoop Summit ligaram para saber as características dele."
Na segunda rodada do Draft, os Lakers tinham a 46ª escolha, e o Jazz a 53ª. Talvez, se Didi ainda estivesse disponível, seria selecionado.
Como é possível ver, o ala de Franca já chamava atenção de olheiros a tempos, e suas atuações pelo time de Franca já eram monitoradas. Tanto que o garoto foi o único sul-americano chamado para o Nike Hoop Summit, evento que reúne jovens promessas do basquete ao redor do mundo.
"Aos poucos eles foram vendo o potencial que o Didi realmente tinha", conta Helinho sobre a exposição que o brasileiro teve após os treinos internacionais. Treinos esses que fizeram a comissão técnica de Franca receber mais ligações de olheiros da NBA.
Na NBA Summer League, Didi chamou atenção jogando pelos Pelicans. Foram quatro jogos: três vitórias e uma derrota (na semifinal, após prorrogação). Médias de 11 pontos, 3 rebotes, 2 assistências e 1,5 roubo de bola por jogo, acertando 44% dos seus arremessos. Na reta final, foi decisivo, roubando a bola que deu a vitória no jogo contra o Miami Heat e chamando a responsabilidade nos últimos minutos da semifinal contra o Memphis Grizzlies.
Helinho falou também sobre a decisão de Didi já ter se inscrito no Draft da NBA aos 19 anos: "Acho que foi na hora certa. O Didi está em um crescimento muito constante. Isso que vou falar eu falei para todos os olheiros. Ele está em um crescimento e a gente não sabe quando vai parar. Qual o nível que vai parar. Se vai parar no nível de NBA, no de NBB, no da Europa..."
"Ele está num crescimento constante, e ele é um cara extremamente fácil de ser instruído - o americano fala coachable. Ele é muito coachable." Helinho sobre Didi.
O treinador reforçou seus elogios ao garoto: "Você dá um educativo individual para ele de manhã, à tarde ele está executando aquilo no treino ou no jogo. É um cara que realmente chama atenção porque o crescimento dele é no dia-a-dia. Aqui em Franca, obviamente, a gente cobra muito a defesa, mas tem muita coisa que é intuitiva no basquete, certo? A leitura de jogo, saber o momento de atacar. Eu dizia para o Didi: 'No contra-ataque, você tem carta branca. Quando tiver jogada organizada, você tem que saber. Nessa jogada tem isso, nessa isso. Você é um cara que tem arremesso, então quando os caras vierem tirar o arremesso, você tem que bater para dentro e carregar a bola." Ele assimila muito rápido as instruções."
O garoto brasileiro sequer chegou à NBA, mas já está dando um até logo. Didi será emprestado para o Sydney Kings, da Austrália, para aprender inglês e desenvolver seu jogo. Os Pelicans pretendem contar com o atleta para a próxima temporada da NBA, que começa no meio de 2020.
