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NBA: Michael Jordan e os cinco momentos históricos que o fizeram dono dos playoffs

Michael Jordan construiu uma imagem que vai além das quadras, além do basquete e muito além do esporte.

Essa reputação que ele carrega hoje foi construída com cestas, gestos e grandes atuações - principalmente nos playoffs da NBA. Afinal, é nessa hora que acontecem as grandes histórias e os craques entram para a história.

Com as séries decisivas pegando fogo no melhor basquete do mundo, relembramos os cinco momentos de playoffs que fizeram Michael Jordan se tornar uma lenda.

Playoffs da NBA: conheça as melhores histórias na série Duplo-Duplo.

Deus disfarçado de Michael Jordan

1986: Chicago Bulls x Boston Celtics - Jogo 2 - 1ª rodada

Michael Jordan tinha 23 anos e estava nos playoffs pela segunda vez em sua carreira. Classificados com a 8ª campanha da Conferência Leste, o Chicago Bulls já de cara enfrentou o Boston Celtics, que viriam a ser campeões da temporada.

Após uma derrota por 123 a 104 no Jogo 1, os Bulls precisavam de Jordan melhor do que nunca - e tiveram, literalmente. Até hoje, os 63 pontos marcados por MJ naquela noite são o máximo marcado em uma partida de playoffs. Sim, 63 - sessenta e três.

O camisa 23 jogou 53 minutos e acertou 22 de 41 arremessos tentados, sem dar sequer um arremesso de três pontos. Após a partida, Larry Bird, atual tri-MVP da NBA, disse que ele jogou contra "Deus disfarçado de Michael Jordan". Afinal, só assim para alguém fazer 63 pontos contra os Celtics que tinham seis All-Stars.

No final das contas, nem "Deus" venceu os Celtics. Após 2 prorrogações, o time de Boston venceu por 135 a 131, e no Jogo 3 varreu o Chicago Bulls.

O arremesso

1989: Chicago Bulls x Cleveland Cavaliers - Jogo 5 - 1ª rodada

Na época, as séries de primeira rodada dos playoffs eram "melhor de cinco". Ou seja, com o confronto empatado em 2 a 2, quem vencesse, se classificaria.

O Cleveland Cavaliers havia se classificado para os playoffs com a terceira melhor campanha da conferência, e os Bulls em sexto - Chicago passar no confronto era considerada uma zebra, mas na verdade se tornou o início da dinastia de Jordan.

Com seis segundos no cronômetro, Jordan colocou os Bulls na frente com um arremesso: 99 a 98. Após o tempo, Craig Ehlo fez uma bandeja e deixou três segundos restantes.

Com a torcida em Cleveland incendiando o ginásio, Jordan recebeu a bola novamente após lateral no meio da quadra. Com Larry Nance e Ehlo na marcação, ele arremessou no estouro, mudando de postura no ar. Cesta, 101 x 100, vitória dos Bulls e silêncio em Cleveland, Com esses dois pontos, MJ totalizou 44 na partida.

The Shrug

1992: Chicago Bulls x Portland Trail Blazers - Jogo 1 - Finais

Algumas palavras não têm tradução. "Dar de ombros" é pouco perto do que Jordan fez.

Durante sua carreira, o craque teve aproveitamento de 32,7% nos arremessos dos três pontos - porcentagem igual à de Luka Doncic na temporada 2018-19 (a 280ª melhor marca no ano). Na temporada em questão, Jordan converteu apenas 27% dos arremessos longos.

Entretanto, a NBA não dependia tanto dos arremessos longos como depende hoje, e os Bulls chegaram às Finais. No Jogo 1 da decisão, contra o Portland Trail Blazers, Jordan então protagonizou uma das mais icônicas cenas da história do basquete.

Jordan acertou seis arremessos dos três pontos no primeiro tempo da partida (recorde em Finais que durou até 2010, quando Ray Allen fez 7). Após o sexto, ele simplesmente voltou à quadra de defesa, balançou a cabeça e "deu de ombros". Jordan acabou a partida com 39 pontos - 35 no primeiro tempo, outro recorde - e a vitória.

O Jogo da Gripe

1997: Chicago Bulls x Utah Jazz - Jogo 5 - Finais

Uma das cenas mais icônicas de todos os tempos retrata Michael Jordan sendo praticamente carregado por Scottie Pippen.

A série final estava empatada em 2 a 2, e simplesmente nada faria Jordan não jogar o Jogo 5, em Utah. Quando ele chegou no ginásio, uma coisa era clara: ele não estava bem. A transmissão informou que MJ estava com sintomas de gripe, e a situação parecia séria.

Após um primeiro quarto fraco, o Jazz abriu 16 pontos de vantagem. Sempre que não tinha a bola em mãos, Jordan se apoiava em seus joelhos; sempre que ia ao banco de reservas, colocava uma toalha cheia de gelo em sua cabeça. No segundo quarto da partida, ele marcou 17 pontos sozinho.

Contra seu próprio corpo, Jordan teve uma atuação que 99% dos atletas não conseguiriam ter com 100% de saúde disponível. Ele teve 38 pontos, 7 rebotes, 5 assistências, 3 roubos e 1 toco, e ainda teve uma cesta de três pontos a menos de um minuto do final da partida.

"Eu quase joguei até desmaiar", disse Jordan após o jogo. “Eu cheguei e estava desidratado, e era tudo apenas para ganhar um jogo de basquete. Eu não conseguia respirar. Meu nível de energia era muito baixo. Minha boca estava realmente seca."

Anos após a consagrada história do "Jogo da Gripe", Tim Grover, personal trainer de Jordan, revelou que na verdade o astro havia sido envenenado. Em seu relato, relembrando a noite anterior à partida em Utah, Grover conta:

“Então pedimos uma pizza e cinco caras vêm para entregar esta pizza. E eu apenas ... eu pego a pizza, e eu digo a eles, eu disse 'Eu só tenho um mau pressentimento sobre isso'. De todos na sala, ele foi o único que comeu. Ninguém mais ... Então, às 2 horas da manhã, recebo uma ligação no meu quarto. Eu venho para o quarto, ele está enrolado, ele está enrolado em posição fetal. Estamos olhando para ele. Estamos encontrando o médico da equipe naquela época. E imediatamente eu disse: "É intoxicação alimentar". Garantido. Não é gripe."

O último arremesso

1998: Chigago Bulls x Utah Jazz - Jogo 6 - Finais

A última partida da carreira de Michael Jordan, por si só, já é algo histórico. Como foi, então, se tornou maior ainda.

Jordan e os Bulls haviam vencido três títulos em 1991, 92, 93 Não jogou em 94 e 95. Voltou em 1996 e foi campeão - em 97, bi. Em 98, então, lutava por seu segundo tricampeonato da carreira.

O adversário era o mesmo do ano anterior, o Utah Jazz. Os Bulls perdiam por 86 a 85 quando Jordan deu seu último arremesso com a camisa do Chicago Bulls. A 5.2 segundos do final da partida, após derrubar Bryon Russell com um drible, Jordan viu a bola entrar na cesta.

87 a 86, 45 pontos para MJ e o 6º título, fechando sua carreira com chave de ouro. Jordan voltou à NBA em 2001, e jogou até 2004 pelo Washington Wizards. Mas esse será, para sempre, seu último arremesso.