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Cousins estreia pelos Warriors podendo 'acabar' com a NBA; ou com o próprio time

Stephen Curry, Klay Thompson, Kevin Durant, Draymond Green e DeMarcus Cousins.

Mais do que uma possível escalação do time do Oeste em parte do último All-Star Game, essa deve ser a formação do Golden State Warriors na partida desta sexta-feira, contra o LA Clippers fora de casa, em duelo que marcará a estreia do camisa 0 pelo atual bicampeão da NBA.

E muitos devem se perguntar: o que leva um time detentor de três dos últimos quatro títulos, contratar um pivô indiscutivelmente dos mais talentosos da liga, mas que ao mesmo tempo é um dos jogadores mais temperamentais da NBA?

A resposta é simples: Motivação. Quem garante isso é o técnico da equipe, Steve Kerr, que disse durante a última offseason que não sabia mais como motivar seus atletas a entrar em quadra.

Mas o fato de uma nova estrela ter sido adicionada à equipe pode muito bem mudar a cabeça dos jogadores já acostumados com a vitória, que passariam a buscar um novo patamar: transformar o atual Golden State Warriors em um dos melhores times de todos os tempos, assim como o Boston Celtics dos anos 60, o Los Angeles Lakers da década de 80, ou então o Chicago Bulls de Michael Jordan nos anos 90.

E a tarefa não parece assim tão difícil para o time de Oakland. Isso porque ainda sem contar com Cousins, a equipe já é líder da concorrida Conferência Oeste e parece inimaginável pensar que qualquer outra franquia pode bater os Warriors em uma série de sete jogos nesta temporada.

Se confirmar o título desse ano e conseguir manter a base, é difícil pensar que essa equipe possa ser derrotada também em 2019/2020, o que tornaria o Golden State tetracampeão da NBA, algo alcançado apenas uma vez em toda a história, através dos Celtics, vencedor da liga em oito oportunidades consecutivas.

Apesar de ainda parecer um sonho um pouco distante, não é difícil imaginar que essa possibilidade já mexe com a cabeça dos principais astros do time. Esse pensamento fica claro nas palavras de Draymond Green, com quem Cousins já quase foi às vias de fato durante um confronto dentro de quadra e que hoje em dia se mostra bastante empolgado com a contratação do antigo desafeto.

Na última terça, após a acachapante vitória dos Warriors para cima do Denver Nuggets, o que fez a equipe assumir a ponta do Oeste, Green foi enfático ao ser questionado sobre o proximidade da estreia do pivô: "Finalmente! Espero que isso seja devastador para todos os outros", comentou ele, que recentemente já havia garantido que o novo companheiro é "o melhor pivô da liga".

Para Kerr, a notícia não poderia ser melhor para seu time, que dá mostras reais de uma evolução na produção conforme a temporada vai passando e que a partir de agora conta com uma estrela na posição que era apontada por todos como o ponto a ser explorado pelos rivais.

"Mais do que nunca, estamos muito excitados com DeMarcus. Nós nunca tivemos um jogador como ele antes. Será uma experiência nova. Não vai ser fácil fazer ele se encaixar ao time, teremos que nos adaptar. Felizmente, estamos na metade do ano. Temos muitos jogos para descobrir isso", comemorou o empolgado treinador, dono de oito anéis de campeão da NBA, cinco como jogador e mais três como técnico.

Mais do que isso, a experiência pode ser um desafio para o próprio Cousins. Sem entrar em quadra desde que rompeu o tendão de Aquiles esquerdo em 26 de janeiro de 2018, ainda pelo New Orleans Pelicans, durante jogo contra o Houston Rockets, o atleta passou de "um dos mais importantes agentes livres da última intertemporada" para uma incógnita, com todos querendo saber se ele vai conseguir recuperar o alto nível.

E mais do que buscar seu primeiro título na carreira, ele precisa mostrar a todos que o contrato assinado de 5,3 milhões de dólares assinado por ele para essa temporada é apenas algo passageiro e já a partir do próximo ano ele consiga um salário alto, algo na casa dos 200 milhões por cinco anos, como o que estava sendo cogitado antes de sua lesão.

EFEITO REVERSO

Se por um lado pode ser empolgante a contratação de um atleta desse porte, o comportamento de Cousins pode ser um problema para o time. Mais do que nunca, os atuais jogadores dos Warriors são estrelas e de forma alguma aceitarão perder espaço para um novo atleta e não dá para descartar que o ex-pivô arrume problemas, assim como já fez no Sacramento Kings e no New Orleans Pelicans.

Isso, porém, só o tempo dirá...