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De renegado a vencedor: como Duncan Robinson superou obstáculos para jogar na NBA

Duncan Robinson foi apresentado no Miami Heat Getty

Quando Duncan Robinson pisou na quadra do Alamodome, em San Antonio, feita especialmente para o Final Four (semifinal do College) do March Madness (torneio de pós-temporada da NCAA), ele observou o palco. Silenciosamente, contemplou o espaço que horas depois teria mais de 67 mil pessoas. Lembrou-se que quatro anos antes estava disputando também um título nacional mas da terceira divisão com 2 mil pessoas assistindo.

Robinson teve uma história bem diferente daqueles que chegam ao topo do basquete universitário. O jogador não teve propostas de times da primeira divisão e, com isso, foi até Williamstown, Massachussets, iniciar sua carreira no basquete. Uma temporada e o título foram suficientes para Michigan, tradicional universidade, se interessar pelo atleta.

Uma ligação de Jon Beilein, técnico dos Wolverines de Michigan, mudou o futuro de Robinson. Beilein entrou em contato com Mike Maker, técnico de Williams College e perguntou do jogador. Ambos os técnicos já se conheciam do tempo em que o comandante de Michigan treinava na terceira divisão, antes de se tornar um dos mais respeitados treinadores do basquete universitário americano.

Em entrevista ao site MichiganInsider, Beilein disse: ‘Há jogadores na terceira divisão que facilmente podem atuar na primeira. Eu fui técnico de Canisius, uma universidade menor da divisão principal da NCAA. Não conseguia jogadores do High School, então tinha que observar as divisões inferiores. Isso me fez conhecer bastante gente’.

E conheceu Duncan Robinson...

Robinson não encontrou facilidades nem no High School. Cresceu 28 centímetros em quatro anos e saiu de um pequeno armador de 1,67m, sem chances no basquete, para um ala-armador chutador de 1,95m. Foi o primeiro calouro a marcar pelo menos 500 pontos na história de Williams College e em Michigan começou a ter espaço.

Nos seus três anos em Ann Arbor teve médias de 20 minutos por jogo em todas as temporadas. Na carreira, um consolidado 41,9% nos arremessos do perímetro. Foi o sexto homem da equipe e um dos melhores reservas do país. Para quem imaginava que ele iria ser somente um jogador de sucesso na terceira divisão do College, Robinson fez muito.

No entanto, não se contentou ‘somente’ em ser um sexto homem. Ajudou os Wolverines na histórica campanha da temporada de 2017-18, em que a equipe foi vice-campeã nacional perdendo para Villanova. Acertou pelo menos uma bola de três em todos os cinco jogos antes da final.

Na decisão, um novo desafio para o jogador nascido em York, Maine, cidade litorânea com pouco mais de 12 mil habitantes. Diante do público que encheu boa parte do estádio Alamodome, que abrigou o San Antonio Spurs, da NBA, por dez temporadas e hoje é frequentemente usado pela universidade de Texas-San Antonio no futebol americano, Robinson não fez uma partida ideal, longe disso. Junto com os Wolverines viram Villanova ser dominante desde o começo, vencendo o título nacional por 79 a 62.

Ser subestimado parece fazer parte da carreira de Robinson. Após esse jogo, a carreira do jogador no College acabou. No Draft, não foi chamado entre os 60 mas novamente superou os obstáculos e recebeu um convite para disputar a Summer League pelo Miami Heat. Brilhou com médias de 12,3 pontos por jogo e 58% nas bolas de três, sua principal característica.

O bom desempenho rendeu um two-way contract (jogador pode atuar na equipe principal e na G-League). Da terceira divisão do basquete universitário, de 1,67m, a ser jogador na NBA. Duncan Robinson mais vez fez história.

‘Estou muito feliz, não consigo expressar em palavras meu sentimento. É uma bênção’, disse o jogador na apresentação no Heat.

O caminho já é conhecido de Robinson. Quanto mais subestimado, mais a chance de dar certo aumenta. ‘Vou trabalhar muito, fazer de tudo para conseguir ficar no elenco’, comentou o ex-atleta de Michigan.

Se Robinson será importante no Heat, a temporada vai mostrar, mas se depender das conquistas do jogador, esse parece ser só mais um desafio possível na carreira.