LeBron James sentou-se para dar entrevista depois do que viria a ser a última vitória de sua temporada - 48 minutos jogados em no Jogo 7 em Boston, que o levaria à sua oitava final consecutiva na NBA - e fez uma declaração antes mesmo de dizer uma palavra.
"Não há pílula mágica", diziam as letras brancas bordadas na frente do boné, que entrou em foco quando James agarrou o microfone e olhou para os repórteres à sua frente.
Para um homem que muitas vezes encontra uma maneira de fazer suas roupas mandarem uma mensagem, valeu a pena ler a sugestão por trás do boné.
Para alguém com tantas habilidades naturais, James lutou contra a percepção de toda a sua carreira de que ele é tão bom simplesmente porque ele foi construído com mais tamanho e atletismo do que seus rivais. No entanto, ele sente que a forma como cuida de seu corpo e a atenção que dá ao seu trabalho são as verdadeiras razões do seu sucesso. Essa é a razão pela qual ele sentiu uma conexão com Conor McGregor quando o lutador de MMA disse: "Não há talento aqui. Isso é trabalho duro. Isso é uma obsessão".
Não há nenhuma pílula mágica que permita que James, agora com 33 anos e saindo da sua 15ª temporada, jogue em todos os 82 jogos. Nenhuma pílula mágica que o levou a oito finais seguidas. Nenhuma pílula mágica que permitiu que ele ficasse perto do topo de seu esporte por quase duas décadas.
Se o Cleveland Cavaliers tivesse perdido o jogo 7 para os Celtics, o boné também poderia ser visto como uma pista para a decisão iminente de James sobre a free agency.
Não existe uma pílula mágica que coloque James imediatamente em um time que será o favorito para derrotar o Golden State Warriors. Nenhuma pílula mágica que torne o jovem núcleo dos 76ers menos propenso a lesões e mais testado nos playoffs. Nenhuma pílula mágica que permita a Houston manter todas as suas peças e ainda adicionar James ao lado de James Harden e Chris Paul. Nenhuma pílula mágica que ajude o talento dos jovens dos Lakers só porque eles são Los Angeles.
O que nos leva aos Cavs.
A equipe com a qual ele passou 11 de suas 15 temporadas como profissional e que joga seus jogos cerca de 40 quilômetros ao norte de sua cidade natal de Akron, Ohio. Não se esqueça, é o mesmo time que teve chances de vencer os Warriors nos Jogos 1 e 3 das Finais de 2018.
Logo após o final da temporada, dois jogadores dos Cavs disseram à ESPN que os Cavs são os donos das maiores chances de ficarem com LeBron. Uma pequena amostra, claro, mas também uma indicação da crença de que existe em torno da franquia.
James disse ao Cleveland.com em abril que os dois fatores determinantes para sua decisão seriam a família e a chance de vitória. Ele voltou a falar disso depois que Cleveland foi eliminado das Finais - mencionando que sua família seria definiria seu futuro - particularmente seus dois filhos, LeBron Jr. e Bryce Maximus. Mas garantiu: 'no final das contas, depende de mim".
O filho mais velho de James tem 13 anos e entra na oitava série. LeBron pode sair de seu contrato atual com os Cavs nesta sexta-feira e, dois dias depois, renovar por mais uma temporada - deixando os próximos anos de sua carreira indefinidos, assim como o começo de Bronny no basquete.
Isso além do fato de que, como Ramona Shelburne, da ESPN, relatou, James não quer 'oba-oba' ou reuniões elaboradas.
Se tirarmos tudo isso do caminho, tudo que resta é a situação de Cleveland. Com 29 jogos restando na temporada, os Cavs renovaram completamente o time. Mesmo assim, chegaram às Finais. As trocas durante o ano se tornaram algo comum em Ohio: JR Smith, Iman Shumpert e Timofey Mozgov em 2015; Channing Frye em 2016; Kyle Korver em 2017.
E o dono dos Cavaliers Dan Gilbert, apesar de sua relação conturbada com LeBron, gastou mais do que qualquer outro proprietário nos últimos quatro anos: US $ 450,9 milhões em salário, sem contar os impostos da chamada luxury tax (cobrada sobre o valor que supera o limite da folha da liga).
Além disso, temos as próprias palavras de James, mais explícitas do que as que foram costuradas em seu boné, quando ele mencionou repetidamente o fim de sua carreira em Cleveland e também seu desejo de mudar a reputação da franquia para algo que lembrasse o Chicago Bulls, o Dallas Cowboys e o New York Yankees de sua infância.
"Eu tentei colocar essa franquia em um nível que é sempre visto de uma forma positiva", disse James à Rachel Nichols, da ESPN, na véspera do primeiro jogo das Finais. "Do ponto de vista do basquete, do ponto de vista social, do ponto de vista da marca."
Foi o primeiro de seus comentários que mencionavam a situação dos Cavs. Mais tarde, durante as Finais, LeBron mencionou seu desejo de jogar com "um grupo de talentos, mas também um grupo de mentes para poder competir com o Golden State".
Uma fonte próxima a James disse à ESPN que quando ele voltou a Cleveland em 2014, ele reconheceu que estava se juntando a uma organização que precisava de liderança e orientação, e que ele teria que dar o tom. Quaisquer que sejam os defeitos que os Cavs ainda possam ter quatro anos depois, eles só tornam a presença e o papel de LeBron ainda mais importantes.
E havia mais uma mensagem, ou melhor, falta dela, de James, que poderia ter sido uma pista reveladora sobre as chances de Cleveland nesta free agency.
Quando James saiu da quadra após o Jogo 4 das Finais como o primeiro jogador dos Cavs a ir para o vestiário, ele cumprimentou seus filhos com apertos de mão. Ele abraçou a mãe e depois beijou a esposa enquanto andava pelo túnel, mas não parou para agradecer ou acenar para a multidão para se despedir.
Talvez porque ainda não houvesse a necessidade de fazer isso.
