O Miami Heat repetiu 2022, entrou no TD Garden, superou uma desvantagem de 13 pontos e venceu o Boston Celtics no Jogo 1 das finais da Conferência Leste dos playoffs da NBA.
No ano passado, os Celtics se recuperaram, venceram o Jogo 2 e seguiram rumo às Finais da liga depois de uma série de sete partidas. Nesta sexta-feira, o time de Jayson Tatum terá um cenário parecido pela frente.
Mesmo assim, Boston ainda confia que pode prevalecer.
Os Celtics podem usar o Jogo 2 para mudar o momento da série e tentar voltar às Finais, agora sob o comando do treinador calouro Joe Mazzulla, enquanto que o Heat tem a oportunidade de aproveitar o que não foi capaz de fazer em 2022, abrindo 2 a 0 antes de voltar para Miami.
Boston não pode ter outro quarto desastroso
O foco está no terceiro quarto do Jogo 1, quando Miami ganhou por 46 a 25 e virou a mesa rumo à vitória na partida de abertura de uma série pela terceira vez nos playoffs de 2023.
Mas a história deste jogo vai muito além. Os números mais importantes: 10 assistências para Marcus Smart no primeiro tempo, nenhuma no segundo.
Os Celtics estão no seu auge quando movimentam a bola, principalmente com Smart como maestro. Mesmo não sendo conhecido pelo seu ataque, o melhor defensor da NBA em 2021-22 também é um ótimo facilitador. Para um time que tem a tendência de ficar parado olhando a bola no ataque, a movimentação é crítica.
E quando o jogo escapou das mãos dos Celtics no segundo tempo, foi exatamente isso que aconteceu. O ataque travou em situações de isolamento, os turnovers se somaram, e Miami arrancou para cestas fáceis do outro lado da quadra.
Boston foi de 15 assistências e cinco turnovers no primeiro tempo para sete assistências e 10 turnovers no segundo. É o lembrete de que os Celtics vão precisar evoluir se quiserem empatar a série.
-- Tim Bontemps
Boston vai no ritmo de Tatum
Jayson Tatum já provou que pode dominar um jogo. Basta olhar para os 51 pontos que ele fez no Jogo 7 contra o Philadelphia 76ers, na semifinal do Leste.
Mas no Jogo 1 de quarta-feira, esta versão de Tatum não apareceu - ele não tentou nenhum arremesso no último quarto.
De acordo com o Second Spectrum, Tatum encostou 13 vezes na bola nos últimos 12 minutos da partida, a segunda menor marca dele em um quarto período desta pós-temporada.
E isso leva à questão: como os Celtics podem espaçar a quadra para ajudar Tatum?
Boa parte da dificuldade de Tatum para pontuar no quarto período tem relação com Jimmy Butler, que marcou o rival mais do que qualquer outro jogador na partida. Contra Butler no Jogo 1, Tatum acertou 38% de seus arremessos - contra 60% quando marcado por qualquer outro jogador do Heat.
-- Coley Harvey
Butler carregou Miami nos playoffs
Depois do Jogo 1, o armador Gabe Vincent foi perguntado sobre a sensação no vestiário do Heat depois da impressionante virada.
"Não satisfeito", disse ele.
Desde que Miami chegou aos playoffs, o time jogou com a confiança de eliminar o líder do Leste, e não como um oitavo colocado azarão que está a três vitórias de chegar às Finais. E quando questionado sobre a mentalidade antes do Jogo 2, Kyle Lowry foi rápido.
"Vocês escutam o Jimmy, certo?", disse Lowry.
Ele se refere exatamente à forma como jogadores e treinadores do Heat se sentem. É o motivo do treinador Erik Spoelstra ter dito que o impacto de Butler no restante do grupo não pode ser medido.
A diferença do Heat de agora para o Heat de antes dos playoffs começa com a habilidade de Butler em colocar o time em seus ombros.
"Como um dos melhores, talvez o melhor jogador two-way nesta liga, era isso que precisávamos", disse Spoelstra. "Jimmy foi capaz de fazer tudo que precisávamos defensivamente, como pontuador e como facilitador. Ele está disposto a fazer tudo."
É uma sensação que não pode ser mensurada apenas pelos números de Butler no Jogo 1: 35 pontos, sete assistências, seis roubous de bola e cinco rebotes.
A confiança dentro do grupo é forte, e Butler a reforça um pouco mais a cada dia.
-- Nick Friedell
A história está do lado dos Celtics
Há uma tendência marcante que tem continuado durante os playoffs: times que perdem o Jogo 1 em casa, vencem o Jogo 2, e com massacres. O último time a perder os dois jogos em casa no começo de uma série foi o LA Clippers, em 2021, contra o Dallas Mavericks. E eles conseguiriam avançar depois de sete partidas.
Desde então, times da casa que perderam o Jogo 1 estão 16-0 nos Jogos 2, com uma margem média de vitória por 17.2 pontos. E já tivemos várias oportunidades de ver a tendência seguir em 2023. Oito donos da casa perderam o Jogo 1, um recorde na história dos playoffs da NBA.
Incrivelmente, três dessas vitórias dos visitantes foram de Miami, que levou a melhor nas partidas de abertura das três séries em que não tinha mando de quadra. O Heat ainda não conseguiu abrir 2 a 0, perdendo por 16 pontos para o Milwaukee Bucks e por seis para o New York Knicks - sem Butler, que sofria com uma torção no tornozelo.
Essas derrotas nos Jogos 2 não evitaram que Miami avançasse, e visitantes que venceram o Jogo 1 se classificaram em cinco de sete oportunidades neste ano. No geral, porém, o 1 a 1 para quem não tem mando de quadra não costuma ser uma situação tão boa assim. O time da casa ainda passa na maior parte das vezes (em 51% das séries de sete jogos desde que os playoffs expandiram para 16 times, em 1984).
Como resultado, o Heat não pode se sentir confortável com apenas uma vitória em Boston.
-- Kevin Pelton
