Em algum momento durante sua jornada para chegar a se tornar o maior pontuador na história da NBA, LeBron James alcançou o estado mais impressionante de um atleta: ser imparável.
O astro do Los Angeles Lakers superou a marca histórica de Kareem Abdul-Jabbar e chegou aos 38.390 na madrugada desta quarta-feira (08), em partida contra o Oklahoma City Thunder.
"Antes era muito sobre velocidade e impulso, então eu faria algo para conseguir pontuar", comentou LeBron, em janeiro, rememorando sobre sua carreira, um dia depois que se juntou a Kareem Abdul-Jabbar como únicos jogadores a anotar 38.000 pontos na NBA: "Você começa a ficar mais esperto e diz: 'As equipes sabem quais são meus principais pontos, então como eu posso garantir que não consigam me marcar e que eu sempre consiga me colocar na posição de fazer o que eu quero, impedindo que a defesa consiga me fazer agir do jeito que ela quer?'"

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Mesmo com algumas derrotas na temporada regular e perder algumas séries de pós-temporada quando a defesa faz de tudo para achar estas falhas no jogo de LeBron, por vários momentos o 4x MVP e campeão da NBA conseguiu fazer o que queria e trabalhou em cima disso, com muito sucesso.
"Existia um momento em que eu não tinha um jogo de costas para a cesta (low-post game). Eu não era um perigo com a posse de bola naquela posição", comentou LeBron para a ESPN: "Em alguns momentos eu não era uma ameaça em média distância. Depois, não tinha chute de 3 pontos. Havia também certas vezes que eu literalmente era levado para armadilhas em que as defesas tentavam me colocar, explorando partes do meu jogo em que eu não era tão bom. Eu evolui para o jogo em que eu faço o que eu quero fazer em quadra. Por isso, eu arremesso do jeito que eu quero."
Enquanto o jeito que LeBron joga mudou durante as 20 temporadas que esteve na NBA, o basquete mudou drasticamente durante este período e em seus quase 80 anos. Em seu início, em novembro de 1946, o Boston Celtics tinha mais jogadores menores que 1,80m do que maiores que 1,98m. Existia apenas uma linha de garrafão. Enterradas eram sonhos. Sem arremessos de 3 pontos. As estatísticas não computavam rebotes, assistências, tocos e roubos de bola.
Mas, claro, os pontos sempre foram registrados e quem era responsável por eles. Como LeBron passou da marca, aqui estão os seis jogadores que chegaram neste posto antes do ala multicampeão.
Joe Fulks: 1946 até o começo dos anos 50
O atleta foi o primeiro a vestir a coroa de pontuador da NBA, vencendo dois títulos seguidos em suas duas primeiras temporadas na liga com o Philadelphia Warriors. O duas vezes escolhido para o All-Star da NBA anotou 8.003 pontos em seu oitavo ano de carreira, jogando como ala/pivô, com 1,96m e 86kg.
A liga estava em um momento extremamente diferente e prova disso é Fulks ter conseguido ser cestinha da temporada em sua segunda temporada com uma média de 22,1 pontos por jogo, em 29,3 tentativas de arremesso. Há 23 jogadores com médias maiores que este ano de Joe Fulks, mas nenhum deles está próximo das tentativas de chute que o ala/pivô teve naquele período. Luka Doncic é o primeiro nesta temporada da NBA, com 22,7 tentativas por jogo e LeBron James é o próximo, com 22,6.
George Mikan: Começo dos anos 50
A NBA constrói sua história através das estrelas e Mikan foi sua primeira tentativa de estrela, vencendo cinco títulos em sete temporadas, tirando Fulks do posto mais alto no dia 08 de novembro de 1952, depois dos dois jogadores alternarem como cestinha principal da liga quatro vezes em março daquele ano. Mikan era um jogador que usava mais a tabela, com algumas movimentações diferentes para a época. O pivô de 2,08m teve médias com mais de 27 pontos em cada uma de suas primeiras três temporadas e anotou 61 pontos (sua maior marca) em janeiro de 1952.
Dolph Schayes: 1958-1964
Schayes era um jogador alto com um toque maravilhoso, liderando a NBA em aproveitamentos de lance livre três vezes e conseguindo 84,9% de aproveitamento nesta categoria durante seus 15 anos de carreira.
O jogador foi escolhido para o All-Star 12 vezes, ganhou um título em 1955, pelo Syracuse Nationals, conseguindo seis temporadas seguidas com médias maiores de 20 pontos por jogo no ápice de sua carreira. Ele conseguiu ser o cestinha da liga por conta de sua atuação longeva e consistente. O ala/pivô de 2,03m e 99kg liderou a NBA em jogos quatro vezes e minutos jogados.
Bob Pettit: 1964-1966
A segunda escolha geral do Draft 1954, que jogou em LSU, tinha o apelido de "Bombardier from Baton Rouge", que significa um tipo de avião que tem grande poderio de lançar bombas. Ele tinha este tipo de energia desde seu início, como promessa de Louisiana e aproveitou o quanto pode, conseguindo suprir estas expectativas na carreira. Bob Pettit liderou o St. Louis Hawks ao título, contra Boston, em 1958, conseguindo 50 pontos e 19 rebotes na vitória no Jogo 6, por 110 a 109, que decretou o final da série.
Pettit foi o MVP em duas oportunidades e duas vezes foi cestinha da NBA. Ele teve média maior de 20 pontos por jogo em todas as suas 11 temporadas, chegando ao máximo (31,1) na temporada 1961/1962. Ele foi escolhido para o Jogo das Estrelas em todos os anos que esteve na liga e conseguiu o prêmio de MVP do All-Star quatro vezes. Com 2,06m e 92kg, era um ala/pivô com bastante habilidade e fazia algo parecido com o gancho que seria marca de Kareem.
Wilt Chamberlain: 1966-1984
O que Chamberlain conseguiu na NBA é algo impensável e, muitas vezes, parece até folclore.
Média de 50 pontos por jogo em uma temporada? Wilt conseguiu.
100 pontos em uma partida? Põe na conta de Chamberlain.
Conseguir 55 rebotes contra Bill Russell, lendário pivô dos Celtics? Pois é.
Que tal ter média de 48,5 minutos por jogo em uma temporada, em que todas as partidas tem 48 minutos de duração? Ou liderar a NBA em assistências mesmo sendo pivô, sendo que essa não era uma preocupação na época? Ou jogar 1045 partidas sem estourar em falta em nenhuma delas? Exatamente: Chamberlain conseguiu tudo isso.
O lendário pivô é realmente um dos verdadeiros transformadores da NBA. A liga literalmente trocou a dimensão do garrafão, porque as pernas de Chamberlain eram tão longas que ele conseguia colocar seu pé fora da pintura, evitando a violação de três segundos, e ainda conseguia ficar muito próximo da cesta.
A riqueza do seu curriculo conta com quatro MVPs, dois títulos e 13 All-Star, mas sua pontuação talvez seja o fato mais impressionante de sua carreira impecável. Chamberlain foi cestinha da liga por sete temporadas diferentes, com média de 35 pontos por jogo em seis edições diferentes. Terminou sua carreira com média de 30,066 pontos por jogo, ficando na segunda posição da história da NBA, perdendo para Michael Jordan, com 30,12 de média por partida.
Kareem Abdul-Jabbar: 1984 - até 2023
No dia 05 de abril de 1984, Kareem recebeu um passe de infiltração para Magic Johnson. Ele conseguiu ficar de costas para a cesta, próximo do fim da quadra, mexeu o pé direito e fingiu que iria para o meio, até que voltou para o outro lado e fez o gancho (Sky Hook), seu movimento implacável, soltando a bola por cima da sua cabeça e, claro, converteu o ponto elegantemente.
Foi exatamente neste dia e neste momento que se tornou o maior cestinha da história da NBA e a marca perdurou por quase 40 anos.
O fato que Kareem estava sendo marcado pelo pivô Mark Eaton, do Utah Jazz, com quase 2,23m. Nada disso foi o bastante, porque quando o punho de Abdul-Jabbar terminou o seu movimento, todos ao redor sabiam o que iria acontecer, afinal, nunca houve defesa para este movimento forjado pelo pivô lendário.
Após conseguir esta marca, Kareem jogou mais cinco temporadas pelos Los Angeles Lakers, conseguindo aumentar a marca por 7.000 pontos até se aposentar. Estes tentos fizeram com que Michael Jordan, Kobe Bryant, Karl Malone e Dirk Nowitzki, que ultrapassaram a marca de Chamberlain (31.419), não conseguissem superar a marca incrível de Abdul-Jabbar.
Kareem anotou 38.387 pontos graças aos seus dons físicos (com 2,18m de altura) e sua habilidade, é claro. Mas isso tem a ver principalmente com a sua longevidade, utilizando seu corpo em quadra até os 41 anos. Dedicou mais de 20 anos para o esporte e terminou sua carreira com três presenças nas Finais da NBA e dois títulos em suas últimas três temporadas.
O lendário pivô e ainda cestinha da NBA terminou com média de 24,6 pontos por jogo, com aproveitamento de 55,9% nos arremessos de quadra e 72,1% nos lances livres, enquanto converteu apenas 1 arremesso de 3 pontos em sua carreira.
LeBron terá outro motivo para ser chamado de "King" após conseguir a coroa de maior pontuador da história da NBA e, tal como Kareem fez após ultrapassar Wilt, vai conseguir colocar mais números em seu próprio recorde com mais duas temporadas em seu contrato com os Lakers, permanecendo na NBA por, pelo menos 22 temporadas, antes de se aposentar.
É provável que esperemos mais de 40 anos até que outro nome seja colocado ou sequer pensado para esta lista.
