Celtics recebem os Warriors no Jogo 6 das Finais da NBA nesta quinta-feira; assista pela ESPN no Star+
Stephen Curry está no meio de uma das melhores performances em Finais da NBA de sua carreira. Graças ao seu recorde pessoal de 30.6 pontos por partida, ele está com o Golden State Warriors em uma situação familiar: a uma vitória de um título da NBA, que seria seu quarto nos últimos sete anos.
Curry é o jogador mais valioso das Finais, mesmo depois de um Jogo 5 terrível para o craque. Ele lidera em pontos a série com uma larga vantagem e sua habilidade sem precedentes de criar ataques saindo do drible é a principal razão pela qual Golden State venceu três dos cinco primeiros jogos contra o Boston Celtics, que foi a melhor defesa da NBA na temporada regular.
Curry é o melhor arremessador na história da liga porque ele desenvolveu uma habilidade de criar suas próprias oportunidades de “jump-shooting” a uma distância tão grande que foram raramente exploradas antes dele aparecer. Ele pode criar espaço para arremessar contra qualquer cobertura defensiva no mundo, e graças ao seu chute rápido e precisão, ele pode acertar esses arremessos com aproveitamentos altíssimos.
A fórmula de Curry é um hack ofensivo que não só mudou o basquete profissional para sempre, mas também deu aos Warriors sua vantagem mais importante nessas Finais: ações simples que levam a cestas de longa distância e que exigem poucos ajustes.
Na busca pelo título da NBA em 2022, se trata menos de números e mais sobre este simples fato: graças a Curry, os Warriors têm um pontuador confiável; os Celtics não têm.
VINTE ANOS ATRÁS, as Finais da NBA eram definidas simplesmente em passar para Shaquille O’Neal e deixá-lo fazer seu trabalho. Entre 2000 e 2002, o Los Angeles Lakers venceu três títulos consecutivos porque O’Neal dominava o garrafão e as defesas simplesmente não tinham resposta.
Durante a última década, Curry mudou o basquete completamente, e ele é capaz de ter números de eficiência que rivalizam com os de O’Neal, só que ele faz isso de muito mais longe. E em 2022, são os Celtics que não têm resposta.
Até agora nessas finais, uma posse vale 1.1 pontos; um arremesso de dentro do garrafão vale os mesmos 1.1 pontos. Mesmo depois de seus arremessos ruins no Jogo 5, os chutes de Curry ainda têm média de 1.33 pontos por tentativa. Sua média de distância em seus arremessos: 7,6 metros.
E sim, mesmo Curry tendo errado todas as suas 9 tentativas de cestas para 3 pontos no Jogo 5 - essa foi a primeira vez em sua carreira em que ele não converteu nenhuma cesta de 3 pontos na pós-temporada - não é que a defesa de Ime Udoka tenha feito algo de diferente ou melhor que nas partidas anteriores. De acordo com o modelo de qualidade de arremessos do Second Spectrum, os jumpers de Curry tiveram quase a mesma qualidade no Jogo 5 assim como nos nas partidas anteriores da série; ele só errou os arremessos, acertando 1 de seus 12 jumpers na noite.
Mesmo com essa performance muito abaixo do que sempre se espera, Curry ainda está registrando uma das melhores performances de arremessos que já vimos nesse momento da temporada.
Na era de monitoramento dos jogadores, aconteceram 130 casos de um único jogador tentando pelo menos 70 arremessos em uma série de playoffs. Desse grupo, os 1.33 pontos por posse de bola de Curry ficam em terceiro lugar.
Mesmo depois de 0 acertos em suas 9 tentativas na segunda-feira, Curry já converteu 25 cestas de 3 pontos nesta série. É a terceira vez em sua carreira que ele fez pelo menos 25; todos os outros jogadores na história da NBA combinaram para uma dessas séries (Danny Green teve 27 pelos Spurs em 2013). Nenhum outro jogador nesta série chegou a 20. Curry precisa de mais oito cestas de 3 pontos para quebrar seu próprio recorde de mais cestas de três em Finais da NBA, estabelecido em 2016.
O SUCESSO PARA ASTROS DA NBA se resume em um simples fator: criando volume e eficiência em alto nível. Mesmo que Jaylen Brown e Jayson Tatum tenham produzido bastante nessas Finais, tendo uma média combinada de 44.6 pontos por partida, eles estão muito atrás da eficiência de Curry. Brown está acertando 40,9% de seus arremessos de quadra e 30,6% fora do garrafão. E Tatum, que está acertando 47,5% para 3 pontos, infelizmente ele acertou apenas 19 de 62 tentativas de pontuar dentro do garrafão, baixando sua eficiência para 37,3%.
Enquanto isso, Curry, mesmo depois do Jogo 5, tem uma média de 30.6 pontos por partida, acertando 51,8% de seus arremessos para 2 e 41,7% de seus arremessos para 3.
Curry e seu treinador, Brandon Payne, desenvolveram uma linguagem única para codificar os movimentos de Curry para pontuar. Os dois passaram uma década juntos coreografando, formando e estudando vários movimentos no perímetro para garantir que o maior arremessador do mundo pudesse criar seus próprios jumpers. Agora as jogadas criadas sem assistência de Curry incluem step-backs, side-steps, arremessar em janelas de espaço, floaters, e bandejas atacando a cesta.
Com os Warriors passando a responsabilidade para os seus armadores e pedindo para que eles fossem até a cesta contra a forte defesa dos Celtics, todo esse esforço tem dado resultado.
Quando Steve Kerr assumiu o comando de Golden State em 2014, ele estabeleceu uma movimentação ofensiva inovadora que dependia menos de pick-and-roll e mais de movimentos constantes, tanto de seus jogadores quanto da bola. E nos últimos oito anos, a estrela de Curry brilhou, em parte, graças a ações que diminuíram seu tempo com a posse da bola e enfatizou a troca de passes e arremessos de fora do garrafão. Mas nessa série, Kerr tem ido na direção oposta. Seu principal ajuste tático foi explorar mais ações de bloqueio - especialmente as que favorecem seu MVP.
Durante a temporada regular, Curry teve uma média de 34,5 bloqueios a cada 100 posses; nas Finais, esse número passou para 50,4 a cada 100. É a habilidade de Curry em tornar esses movimentos em cestas que conduzem seu status de MVP das Finais.
Tatum e Marcus Smart totalizaram 183 jogadas de pick-and-roll nesta série. Só Curry soma 186. Muitos de seus grandes movimentos nessas Finais têm começado com jogadores dos Warriors como Kevon Looney, Andrew Wiggins e Draymond Green criando espaço fora do garrafão.
No terceiro quarto do Jogo 4, quando Tatum e Derrick White tentaram criar janelas fora do garrafão, eles não conseguiram recompor rápido o suficiente para impedir cestas de 3 pontos importantes que mudaram o jogo e potencialmente toda a série. Quando Al Horford não consegue fazer a cobertura, Curry tem driblado com frequência buscando acertar cestas de muito longe.
Não importa o que os Celtics tentem fazer defensivamente contra esses bloqueios, Curry tem se adaptado e superado os melhores defensores de Boston simplesmente por fazer as jogadas certas. Quando os Celtics trocam a marcação, Curry está superando eles e marcando 1.46 pontos por posse. Quando eles tentaram fechar a janela de espaço, a eficiência tem sido um pouco menor, mas ainda assim conseguindo 1.37 pontos por posse.
Esses números são impressionantes, principalmente quando você considera a quantidade de marcadores que ele está enfrentando. Boston não tem defensores ruins. Eles ficaram em primeiro lugar em eficiência defensiva nesta temporada. Smart foi eleito Defensive Player of the Year e tem sido o principal marcador de Curry durante a série. Não tem feito diferença. Ninguém foi verdadeiramente capaz de conter efetivamente o arremesso mais perigoso que o basquete profissional já viu.
Durante a temporada regular, os Celtics tiveram a melhor defesa da liga, em parte porque manteve os arremessadores adversários com apenas 0.97 ponto por arremesso. Na primeira fase, eles seguraram Kevin Durant a 0.83 ponto por arremesso. Mas apesar de um Jogo 5 para esquecer, Curry acertou 35 de seus 72 arremessos, incluindo 25 de suas 60 tentativas de 3 pontos. Ele está marcando 13.4 pontos por jogo em arremessos sem assistência; Tatum fica em segundo na série, com 5.2.
Os movimentos de pontuação sem assistência de Curry são movimentos da NBA moderna. Eles criam ataques fáceis em frequências confiáveis, e ele está explorando isso para punir a melhor defesa de perímetro da liga.
