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Bellator 271: Cris Cyborg busca manter soberania e cinturão e abre o jogo sobre UFC

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Cyborg fala sobre questões salariais de estrelas do UFC e relembra 'treta' com Dana White: 'Não é reclamar, é pedir o justo' (2:01)

Lutadora falou com exclusividade à ESPN | CLIQUE AQUI e veja o Bellator 271 AO VIVO pela ESPN no Star+ (2:01)

Brasileira luta nesta sexta-feira contra Sinead Kavanagh no Bellator 271, na Flórida, para manter o cinturão da organização


Cristiane "Cyborg" Justino é uma verdadeira lenda do MMA, sendo a única mulher a ser campeã do UFC, Invicta, Strikeforce e Bellator. E nesta sexta-feira ela coloca seu legado e soberania em jogo novamente.

A brasileira faz o main event do Bellator 271, colocando seu cinturão do peso pena feminino em jogo contra a irlandesa Sinead Cavanagh, número 5 do ranking da categoria. O card principal do evento tem transmissão pela ESPN no Star+ às 00h (Brasília).

Tirando sua estreia no MMA, no longíquo 2005, e a luta contra Amanda Nunes no UFC 205, em dezembro de 2018, Cyborg não perdeu em sua carreira, com um cartel de 24 vitórias, duas derrotas e 1 no contest.

A brasileira fez três lutas no Bellator, todas valendo cinturão, e ganhou todas por finalização. O que levntou as questões de muitos sobre se ela perderia na nova organização. Mas Cyborg, de 36 anos, ainda vê desafios para ela no Bellator.

"Do top 10, eu só lutei com 3, então tem 7 pra lutar ainda", disse Cyborg, à ESPN, antes de analisar sua adversária nesta sexta. "A gente tem bastante armas, meu jogo vai atrapalhar o jogo dela, mas vejo que ela é uma pessoa valente".

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2:00
Cyborg elogia Bellator: 'Eles valorizam o atleta e todos são tratados da mesma forma'

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Mesmo tendo fazendo história no UFC, a brasileira não saiu na melhor das situação da organização, tornando pública sua relação não boa com Dana White, Joe Rogan e outros membros do Ultimate.

Um dos principais pontos da brasileira era a questão financeira, achando que o UFC deveria pagar mais a seus lutadores. Cerca de um ano depois dela sair do Ultimate, Jon Jones, Henry Cejudo e outras estrelas entraram em "guerra" com Dana White pelo mesmo motivo, ainda mais levando em conta as dezenas de milhões de dólares que celebridades têm ganhado para lutar com YouTubers.

"Sem nós o evento não tem, os atletas têm que ter consciência disso. A partir do momento que os atletas se juntarem e terem consciência que o show não acontece sem nós, talvez vá mudar essa valorização. As pessoas falam 'Ah, você luta no UFC, é divulgado, fica famoso'. Mas como essa fama vai pagar sua aposentadoria? Vai ajudar a fama, mas não é a mesma coisa", disse Cyborg.

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2:08
Cyborg revela o que achou de ter ficado de fora de lista de Dana White de mulheres mais 'malvadas' do MMA

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"Até o Nick Diaz, voltou a lutar depois de 7 anos e é o mesmo contrato que ele fez 7 anos atrás, vi o Jon Jones também reclamando. Muitas pessoas falam 'Ah, a Cris só reclama'. Não é questão de reclamar, é pedir o justo, pedir o que você merece. Fico até feliz que os atletas vem abrindo os olhos, espero que mais atletas façam isso, não pra confusão, mas pra que a gente tenha um futuro melhor. Muitos atletas do nosso esporte, o (Mark) Coleman, ficou mal e estava vendendo os troféus pra pagar as contas", completou.

Recentemente, o UFC assinou um contrato de patrocínio com uma empresa de criptomoedas que estampa a camisa dos atletas fora do octógono. O acordo é de 10 anos e renderá US$ 175 milhões aos cofres da empresa de Dana White, mas nem um centavo será repassado aos lutadores da organização.

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1:37
Cyborg diz ainda querer revanche com Amanda Nunes: 'Seria interessante pra minha carreira'

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"É bem por isso que assinei com o Bellator, você mesmo faz teu uniforme que luta, ajuda muito você ter os parocinadores, eles não ganham porcentagem nenhuma disso, é totalmente do atleta, e isso você não pode ter no UFC. Várias coisas você tem mais flexibilidade no Bellator, todos os atletas são tratados da mesma forma, eles valorizam o atleta e isso que é importante".

"Eu vi isso, e a galera que está com negócio do crypto ali não ganha um real, é muito triste, mas acredito que nosso esporte vai mudar, não sei se vou estar lutando ainda, talvez o que a gente está fazendo hoje abra as portas pra um futuro melhor. Muitos lutadores precisam começar a ver isso", analisou a brasileira.

A lista de Dana White

Recentemente, o chefão do UFC fez uma lista com as mulheres que considera serem as mais "malvadas" do MMA e não citou Cyborg, colocando Amanda Nunes, Rose Namajunas, Valentina Shevchenko e Zhang Weili.

"Não me surpreende porque é o que ele faz. As pessoas lutam no UFC, se você não anda de acordo com o que ele queira, não obedece as coisas que ele queira que você faça...antes de entrar no UFC eu não era bem-vinda, foram meus fãs que colocaram ali, sou muito grata. Se você não entra de acordo com eles, ou você abre os olhos de outros atletas, talvez seja um sinal vermelho pra ele. Ele não vai levantar a bola de quem já lutou ali e já saiu".

'Cross-promotion'

Cyborg nunca escondeu que quer uma revanche contra Amanda Nunes. A curitibana ainda disse que pensa em fazer outras lutas também, talvez até fora do MMA.

"Uma das coisas que fez eu assinar com o Bellator foi essa possibilidade, de de repente fazer uma luta de boxe. O cross-promotion seria uma coisa que eu queria que acontecesse, seria bacana pro futuro. Quando essa hora chegar eu estou preparada. O UFC agora acho que não vai querer. Boxe, kickboxing, muay thay, seria mais fácil, mas queria fazer MMA também".

A revanche com Amanda Nunes

"Eu sempre coloco que a revanche (com Amanda) seria uma consequência, é deixar nas mãos de Deus, acredito que após aquela derrota aprendi muito, não sou a mesma atleta de antes, seria algo que seria interessante pra minha carreira, mas estou muito feliz independente disso. Se acontecer, ótimo, mas não acredito que dependo dessa luta pra finalizar meu legado, o que quero deixar para os meus fãs não é só ser campeã, mas usar minha plataforma pra ajudar as pessoas, ser campeã na vida das pessoas, por isso tenho meu trabalho de missionário, projeto social, acho que isso que é especial. Isso é mudar a vida de alguem, todo lugar que eu passe essa é minha função. Mas se acontecer estaria preparada".