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Ex-Flamengo, Inter e Grêmio revela maior desejo: 'Quero treinar um time no Brasil'

Ex-jogador com passagem por grandes clubes como Flamengo, Internacional e Grêmio, Diego Gavilán resolveu virar treinador muito jovem. Com apenas 31 anos, ele precisou passar por uma cirugia e pendurou as chuteiras de forma precoce.

“Durante as férias eu fui fazer uma limpeza no joelho com os médicos da seleção paraguaia. Eles me aconselharam a parar de jogar porque teria uma vida pela frente. Eu tomei a decisão com muita tranquilidade e já busquei algo que sempre gostei, que era ser treinador”, disse, ao ESPN.com.br.

Gavilán fez um curso de dois anos no Paraguai e trabalhou em categorias de base até chegar aos times profissionais.

Ele começou como treinador no Olimpia Itá-PAR e no Independiente-PAR, ambos da 2ª Divisão do Paraguai. Depois, passou por Deportivo Capiatá-PAR, Trinidense-PAR e Sol de América-PAR.

"No Capiatá eu cheguei à fase final da pré-Libertadores, mas caímos por causa de um gol de bola parada contra o Athletico-PR. Competimos em um nível alto", contou.

O último clube do paraguaio foi o Pelotas-RS na disputa do Gauchão de 2019. Desde então, seu maior desejo é trabalhar no país onde mais atuou.

"Meu foco é voltar ao Brasil porque acho que é um nível muito competitivo e vai acrescentar muito na minha carreira. Quero dar um passo à frente porque tive passagem vitoriosa no país e quero fazer isso como técnico. Sei que tenho muito para aprender, mas estou me preparando”, afirmou.

Algumas das maiores influências de Gavilán na nova profissão vem do Brasil.

“O Muricy Ramalho, que me comandou no Inter, me influenciou muito. Eu me vejo muito nele porque foi a primeira pessoa que me motivou a ter conhecimento tático. Também gostei muito de ter trabalhado com o Mano Menezes no Grêmio. O Roger [Bahia] e o Paulo Autuori [Botafogo] são referências e tento tirar coisas boas".

Mesmo tendo os dois filhos torcedores gremistas, ele não teria problemas em comandar o Inter.

“Tenho as portas abertas nos dois clubes. Já joguei o Gre-Nal pelos dois lados”.

Do Paraguai ao Beira-Rio

Gavilán começou no Cerro Porteño, onde se profissionalizou com apenas 17 anos. Em 1999, já era chamado para a seleção principal do Paraguai e disputou a Copa Libertadores antes de chegar ao Newcastle.

Depois de passar duas temporadas na Premier League, ele jogou no Tecos-MEX e foi contratado em 2003 pelo Internacional.

“A proposta era muito boa e queria ter mais sequência de jogos. Foi um projeto muito bom que construímos do zero. Não conhecia ninguém e nem sabia que o time tinha acabado de escapar do rebaixamento. Vi que tinham muitos garotos talentosos e chegaram os mais experientes. Foi uma decisão muito acertada”, contou.

Com o destaque no time colorado, ele foi para a Udinese, onde ficou apenas dois meses.

“Um jogador da Udinese ia se transferir para a Inter de Milão, quando cheguei á Itália ele não saiu. Fiquei sem espaço e queria jogar. Liguei para o Fernando Carvalho, presidente do Inter, que me comprou e eu voltei”.

Na segunda passagem pelo Beira-Rio, ele venceu o Estadual pelo time colorado e foi vice-campeão brasileiro de 2005, além de semifinalista da Sul-Americana.

“Fiz parte de um grupo que está entre os melhores que vi. Em 2005 foi o meu limite porque foi vergonhoso como terminou o Brasileiro. Uma raiva muito grande! Aquele jogo contra o Corinthians no Pacaembu continua me deixando nervoso (risos)”.

Em 2006, porém, resolveu trocar o Beira-Rio pelo Newell´s Old Boys-ARG.

“O problema é que fiquei ‘no quase’ várias vezes no Inter e isso gerou um desgaste emocional em mim. Queria outra motivação para minha carreira. Fui para um mercado diferente e jogaria a Libertadores. O Muricy Ramalho e alguns jogadores saíram com a chegada do Abel Braga”.

“Não teria saído se soubesse que o Inter venceria a Libertadores e o Mundial bem quando eu saí. Mas nas decisões você precisa saber que existe um risco”.

Jogando por rivais

Depois de atuar na Argentina, o meia voltou ao Brasil para jogar pelo Grêmio, arquirrival do seu ex-time.

“Falei com a diretoria do Inter, mas não tinha espaço porque eles tinham vencido tudo em 2006. Eu estava no Paraguai e o Mano Menezes me ligou dizendo que eu seria importante no projeto dele. Não tive dúvidas em aceitar. Sabia que a cobrança ia ser grande dos torcedores dos dois lados. Mas minha postura de sempre respeitar as torcidas me deixou focado nos jogos. Não dava entrevistas polêmicas ou cutucava as torcidas rivais. Sou muito profissional”, garantiu.

Na equipe tricolor, ele foi vice-campeão da Libertadores, sendo derrotado pelo Boca Juniors na final. Depois de sair do Olímpico, Gavilán teve uma passagem curta de poucos meses pelo Flamengo, em 2008.

“É um clube de muita tradição e popular. Foi uma felicidade muito grande, mas infelizmente as oportunidades foram poucas e precisei sair”.

O meia ainda defendeu Portuguesa e Independiente-ARG antes de voltar ao Paraguai para jogar pelo Olimpia.

“Os caras sabiam que eu era torcedor do Cerro e tinha jogado por lá, mas mantive a mesma postura. Foi difícil porque a cobrança era maior. Se fosse hoje eu não teria ido, mas naquele momento foi uma decisão que tomei”, expliquei.

Gavilán ainda atuou pelo Juan Aurich-PER, no qual venceu o Campeonato Peruano antes de encerrar a carreira.