Neste domingo, o Real Madrid volta a campo por LaLiga contra o Eibar, às 14h30 (de Brasília), com transmissão exclusiva da ESPN Brasil e do ESPN App.
Uma das épocas mais lembradas dos merengues pelos torcedores brasileiros é a era dos "galácticos", nos anos 2000, quando o clube do Santiago Bernabéu contratava, janela após janela, os maiores craques do mundo.
Nesses tempos, o Real teve nomes como Ronaldo "Fenômeno", Zinedine Zidane, Luís Figo, Roberto Carlos, Fabio Cannavaro, Ruud van Nistelrooy e David Beckham, além de feras reveladas na própria base blanca, como Iker Casillas e Raúl González.
Com essa verdadeira constelação, o gigante de Madri ganhou muitos títulos e dominou Europa e Espanha por um período. No entanto, a fórmula depois se esgotou, e, com a chegada de Ronaldinho Gaúcho ao rival Barcelona, a balança mudou de lado.
Deste período, porém, ficou a memória apagada de alguns "galácticos' esquecidos, que eram aqueles coadjuvantes que formavam o elenco estrelado dos merengues.
Um deles foi o meia-atacante Javier Balboa, que foi revelado nas canteras do Real e subiu para o time principal em 2005, quando o brasileiro Vanderlei Luxemburgo era o técnico.
"O Luxemburgo sempre foi um cara tranquilo. Ele chegou para mim e disse: "Garoto, você chegou agora, mas acredito em você!'", lembrou o espanhol, em entrevista à ESPN.
Ao todo, Balboa disputou duas temporadas pelos merengues: 2005/06 e 2007/08, sendo emprestado ao Racing Santander durante 2006/07.
Ele foi campeão espanhol em 2007/08, sendo lembrado pelos torcedores por ter dado assistência primorosa para Higuaín fazer gol em uma das partidas da reta final de LaLiga.
Balboa deixou o Bernabéu em 2008, sendo vendido ao Benfica. Na sequência da carreira, atuou por vários clubes da Europa e do Oriente Médio, aposentando-se em 2018.
Atualmente, ele é comentarista do programa de TV "El Chiringuito", do canal espanhol La Sexta, que é extremamente popular no país.
Em longa conversa com a reportagem, ele fez um depoimento sobre sua vida e os anos de profissão como jogador de futebol.
"Hoje, quando eu lembro de tudo que vivi, penso que tive uma carreira muito boa no futebol, e poderia ter sido ainda melhor. Não era fácil jogar no Real Madrid dos galácticos. Mas, no fim das contas, tenho muito orgulho do que consegui", emociou-se.
VEJA O DEPOIMENTO DE JAVIER BALBOA À ESPN
Meus pais vieram da Guiné Equatorial para a Espanha muito jovens, em busca de uma vida melhor. Eu nasci em Madri e comecei a jogar futebol em uma escolinha aqui perto.
Aos 14 anos, comecei nas categorias inferiores do Real Madrid. Joguei com caras como Roberto Soldado, Borja Valero, Rubén de la Red, Kiko Casilla, Javi García, Álvaro Negredo, Filipe Luís...
Eu subi para o primeiro time com o Vanderlei Luxemburgo como técnico. Foi ele quem me deu a 1ª chance, e minha estreia foi contra o Deportivo La Coruña, fora de casa.
Naquele dia, eu entrei na vaga de Beckham. Quando vamos nos cumprimentar, na hora da substituição, demos um beijo na cara, algo normal na Espanha.
Quando acabou a partida, peguei meu celular e havia centenas de mensagens dos meus amigos: "Parabéns por ter jogado! Você conseguiu realizar o sonho de estar em campo com os melhores do mundo!".
Foi engraçado porque também tinha várias mensagens engraçadas das minhas amigas do tempo da escola: "Não limpe o rosto, porque, quando te encontrar, quero dar um beijo no mesmo lugar que o Beckham deu!" (risos).
Aquele nosso time foi algo raro na história. Tantos jogadores bons na mesma época, em uma mesma equipe, é algo difícil. Foi demais.
O Guti era um cara que eu admirava muito e foi um dos que mais me ajudou quando subi aos profissionais. Além de grande jogador, era uma grande pessoa.
Ele acreditava muito em mim, por causa da minha agressividade, velocidade e habilidade.
Lembro que ele foi um dos poucos que, quando terminou o jogo contra o La Coruña e nós perdemos, ele sentou ao meu lado no vestiário e disse: "Parabéns pela estreia. Hoje as coisas não deram certo, mas você terá muitos outros jogos pela frente".
A gente tinha perdido um jogo importante, e era normal todo mundo estar chateado. Mas, ao mesmo tempo, ele tirou um tempo para pensar naquele garoto que estava começando e veio falar comigo pra tentar me animar. Foi um dos poucos que fez isso. Ele sempre se preocupou comigo.
Nessa época, o Luxemburgo montava o time com um "quadrado mágico" na frente, e eu jogava como extremo. Comecei a treinar bem, ele gostou de mim e me escalou como meia também.
O Vanderlei era um cara que transmitia muita alegria. Tínhamos no time caras como Roberto Carlos, Ronaldo "Fenômeno", Júlio Baptista, Robinho, muitos brasileiros! O ambiente era muito engraçado e descontraído. Era um técnico que se dava muito bem com todos.
Luxemburgo sempre foi um cara tranquilo. Ele chegou para mim e disse: "Garoto, você chegou agora, mas acredito em você! Você precisa dar seu melhor quando entrar em campo, e seguir fazendo o que você fez para eu te promover ao profissional. Seja disciplinado nos treinos também".
Ele passava muita confiança, e eu nunca vou esquecer tudo o que aprendi com ele, principalmente porque foi o 1º que me deu chance de jogar.
Para o Vanderlei, não foi fácil o tempo no Real Madrid...
É difícil lidar com tantos jogadores bons, que querem sempre jogar. Não é fácil colocar todos na mesma linha. Eram os melhores do mundo. Você tinha poucas coisas para ensinar para este tipo de estrela. Ele se dava bem com todos e era respeitado, mas, infelizmente, o que manda no futebol são os resultados.
No Real Madrid, o dia mais importante é "hoje", e não "amanhã". Se os resultados não são os esperados, os diretores trocam o comando, mesmo.
Conforme fui ganhando chances, veio meu primeiro gol. Foi num jogo de Champions League, contra o Olympiakos, e nós ganhamos de 4 a 2. Eu marquei depois de uma linda jogada do Robinho.
Na temporada 2007/08, também me marcou muito o jogo contra o Racing Santander, antes de sermos campeões. Eu dei a assistência para o Higuaín fazer o 2º gol. Nós ganhamos de 2 a 0 e praticamente sacramentamos o título de LaLiga.
Nos tempos em que eu joguei na Espanha, também gostei muito de enfrentar o Ronaldinho Gaúcho.
Uma vez, quando eu estava emprestado para o Racing Santander, nós enfrentamos o Barcelona e perdemos de 2 a 0. Ele jogou muito. Para mim, foi o melhor jogador de sempre. Eu pensava muito isso quando era mais novo, porque ele era meu preferido.
Gostava de acompanhá-lo desde os tempos do Grêmio e do Paris Saint-Germain, mas o que ele fez no Barça foi incrível.
Nessa época, ele estava sempre com um sorrido no rosto. Era o freestyler número 1! Ninguém tirava a bola do pé dele. Era forte, rápido, driblador... Ainda era um mestre nas cobranças de falta!
Era o cara que todos queriam tentar parar, porque ele era o melhor do mundo naquele época. Lembro que uma vez eu e o Michel Salgado fomos encarregados de marcá-lo, mas foi muito difícil.
Também teve o jogo que ele fez dois golaços no Santiago Bernabéu e foi aplaudido de pé pelos torcedores do Real Madrid. Era complicado... Quando ele pegava a bola com espaço pra arrancar, ninguém pegava.
Hoje, quando eu lembro de tudo que vivi, penso que tive uma carreira muito boa no futebol, e poderia ter sido ainda melhor.
Não era fácil jogar no Real Madrid dos galácticos. Ali, eram os melhores do mundo brigando por posição ao mesmo tempo. Não dá para comparar com outras equipes!
Eu tive sempre que lutar muito.
Mas, no fim das contas, tenho muito orgulho do que consegui.
