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Real Madrid: Como o atacante Raúl tornou-se 'Raúl Madrid', a lenda

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O Real Madrid tem uma lista enorme de grandes ídolos. Os mais novos pensarão em Cristiano Ronaldo como maior craque da história do clube. Já os mais antigos vão se lembrar da incomparável genialidade de Alfredo Di Stéfano. No entanto, há um nome que une gerações no Santiago Bernabéu: Raúl González Blanco.

Raúl ficou 18 anos no Real, desde que entrou na categoria de base até a saída em 2010 para o Schalke 04. Nestas quase duas décadas com a camisa merengue, ganhou status de divindade e o apelido icônico que talvez seja o que melhor mostre a simbiose entre um clube e um jogador na história do futebol: Raúl Madrid.

Afinal de contas, ele é o atleta que mais vezes vestiu o manto blanco, com 741 jogos, e é o 2º maior artilheiro da história da equipe, com 323 tentos.

Com sua perna esquerda mortal, enfileirou títulos em Madri, como seis Espanhóis, três Champions Leagues (fazendo gols em duas finais) e dois Mundiais de Clubes (os torcedores do Vasco jamais vão se esquecer do golaço que decidiu a edição de 1998, no Japão), só para citar os mais relevantes.

Entre outras marcas importantes, ele é o 5º maior artilheiro da história de LaLiga (228 gols), o 3º maior anotador da história da Liga dos Campeões (71) gols e é o único jogador na história a ter sido eleito o melhor atacante de clubes da Uefa em três anos seguidos: 2000, 2001 e 2002 (Cristiano Ronaldo também tem três honrarias, mas não em anos seguidos).

O craque chegou à base do Real em 1992, e, em 1994, já assinou seu primeiro contrato no profissional, pelo Real Madrid C. Mas bastaram sete jogos, nos quais ele marcou 16 gols, para que fosse promovido "à jato" para a equipe principal dos merengues.

Daí em diante, ele escreveu a história com cada chute de perna esquerda.

De 2003 até 2010, ele ainda vestiu a braçadeira de capitão em Madri. E sua camisa 7 era tão marcante que, quando foi contratado pelos blancos, Cristiano Ronaldo foi obrigado a usar a 9 por uma temporada, até que Raúl saísse. Apenas quando o ídolo deixou o Bernabéu o português ganhou permissão para usar o "sagrado" número 7.

E quem conheceu Raúl garante que tudo o que ele conquistou na carreira foi mais do que merecido.

É o caso, por exemplo, do ex-atacante Javier Balboa, que jogou com o astro espanhol entre 2006 e 2008, no final da era dos "galácticos".

Em entrevista à ESPN, Balboa lembrou que Raúl, além de seu talento natural, ainda treinava mais do que todos os outros atletas para aperfeiçoar ao máximo suas habilidades.

"O Raúl era o número 1! Tendo jogado com ele, você entende como ele surgiu tão bem na base, virou capitão e foi durante muito tempo o maior artilheiro do maior clube do mundo. O segredo dele é que ele treinava e trabalhava a cada dia como se fosse o último", exaltou o ex-atleta.

O africano, que atualmente trabalha como comentarista para o programa "El Chiringuito", o mais popular da TV esportiva espanhola, lembrou um episódio ocorrido durante seus tempos no Bernabéu para ilustrar como o colega torno-se o lendário "Raúl Madrid".

"Quando você sobe para o profissional, quer impressionar o treinador e mostrar que está se esforçando bastante para ficar no time. Então, eu chegava uma hora e meia antes do treino, achando que ia ser o primeiro... Mas o Raúl já estava lá!", relatou.

"Eu ia ao ginásio, o Raúl estava lá... Eu ia correr no campo para aquecer, o Raúl era o primeiro, puxando a fila... Acabava o treino, quem era o último a ir embora? O Raúl!", contou.

Quis o destino que, em seu último toque na bola como jogador do Real Madrid, Raúl marcasse um gol.

Foi no dia 24 de abril de 2010, em uma vitória por 2 a 1 sobre o Zaragoza, no estádio La Romareda. Coincidentemente, o mesmo campo em que ele debutou como profissional pelos merengues, em 1994. Coisas do destino...

No lance em questão, porém, o atacante se lesionou, e ficou de fora do restante de 2009/10. Preferindo mudar de ares, deixou a equipe ao final da temporada, saindo pela porta da frente e saindo com status de "Deus".

Em seguida, assinou contrato de dois anos com o Schalke 04, e teve uma boa passagem pelo futebol alemão, mesmo já em decadência física.

"Ele foi para o Schalke, que, a princípio, não era um time top da Alemanha. No entanto, a equipe cresceu com a chegada dele, chegou às semifinais da Champions e ele ainda venceu uma Copa da Alemanha e uma Supercopa da Alemanha.

A estrela de Raúl era mesmo forte. Nos anos finais da carreira, ele atuou por Al Sadd, do Catar, e New York Cosmos, dos Estados Unidos, ganhando títulos por ambos e colocando ponto final em uma carreira mais do que respeitável, que ainda teve 44 gols em 102 jogos pela seleção espanhola, com três Copas do Mundo e duas Eurocopas jogadas no currículo.

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Em 2018, o maior ícone da história blanca iniciou sua carreira como treinador, na equipe sub-15 do Real. Um ano depois, foi promovido ao Real Madrid Castilla, equipe B do gigante espanhol.

"O Raúl é um símbolo. Você pode procurar muito, mas nunca vai achar um jogador que fale qualquer coisa de ruim dele. E isso resume bem o craque ele ele foi", encerrou Balboa.