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Rafael Marques, ex-Palmeiras, prepara restaurante com Dudu e revela o que aconteceu entre ele e Cuca

Já faz dois anos que o atacante Rafael Marques deixou o Palmeiras, time pelo qual teve participação decisiva na Copa do Brasil 2015, ajudando também na conquista do Campeonato Brasileiro 2016.

É inegável, porém, que ainda existe enorme carinho entre o jogador de 35 anos e a torcida palestrina, além de seus antigos companheiros de Palestra Itália.

Isso foi visto claramente na derrota por 2 a 0 do São Caetano, atual clube de Rafael, para o Verdão, no último domingo, pelo Campeonato Paulista.

Ao entrar em campo, o atleta recebeu gritos de apoio de muitos torcedores alviverdes no Anacleto Campanella, saudosos de seus gols decisivos, marcados principalmente em clássicos contra Corinthians, São Paulo e Santos.

Depois, assim que o hino nacional foi executado, ele recebeu calorosos abraços de antigos companheiros de Palmeiras, como o volante Moisés e o atacante Dudu, em quem deu um abraço apertado logo antes da bola rolar.

Em entrevista à ESPN, Marques falou sobre o carinho enorme que tem pelo "Baixola", e inclusive revelou que irá participar ao lado do craque palmeirense em um ousado projeto fora dos campos: o bar e restaurante Piracás.

"Estou abrindo um restaurante com alguns amigos meus, em Perdizes [bairro da zona oeste de São Paulo]. Eu vou entrar ao lado de alguns investidores que entendem do ramo, e um dos sócios será o Dudu, pois o baixinho é um grande amigo meu", contou.

"A gente acabou de lançar uma imagem no Instagram falando que vem coisa nova por aí. Estamos fazendo um suspense (risos). O pessoal já está perguntando como vai ser, onde vai ficar, mas estamos planejando para divulgar todo aos poucos", relatou.

"Devemos inaugurar no dia 12 de fevereiro, primeiro para convidados, e dia 14 ou 15 abriremos para o público. Estamos na correria, mas está tudo adiantado. Espero que dê certo", torceu.

Questionado se o projeto já é parte de um possível plano de aposentadoria, Rafael desconversou.

"É um primeiro passo, mas ainda estou pensando em jogar mais alguns anos. Sempre me cuidei fisicamente e estou bem. Tenho 35 anos e estou preparado para jogar mais alguns. O que manda é a cabeça, e a gente obedece. O futebol brasileiro é muito desgastante, com logística, calendário, cobrança...", salientou.

'ATÉ HOJE FALAM PARA MIM DESSE JOGO'

Nas duas temporadas inteiras em que defendeu o Palmeiras, Rafael Marques guarda a conquista da Copa do Brasil de 2015 como momento mais especial, ainda mais pela rivalidade acirrada que existia naquele momento entre Verdão e Santos.

"Aquela decisão no Allianz Parque certamente foi o jogo mais especial. Mesmo no ano seguinte, em que a gente foi campeão brasileiro e acabou com o jejum que havia desde 1994, não teve a mesma emoção. Talvez tenha sido pela rivalidade que havia naquele momento entre a gente e o Santos, que estava muito exacerbada", teorizou.

"Aquela decisão nos pênaltis vai ficar marcada na minha cabeça e a de todos os torcedores palmeirenses para sempre. Quando encontro torcedores do Verdão na rua, eles sempre falam dessa partida para mim. Eu também recebo muitas mensagens nas redes sociais exatamente sobre isso. É demais, fico contagiado até hoje quando veja as imagens daquele dia", emocionou-se.

A rivalidade entre Palmeiras e Santos estava forte no momento por conta da final do Campeonato Paulista 2015, em que o Peixe levou a melhor sobre os palestrinos, e também por conta de uma vitória alvinegra pelo Brasileirão daquele ano, em que o atacante Ricardo Oliveira comemorou seu gol fazendo uma careta irônica.

"Criou-se um clima meio bélico depois dos problemas do Ricardo Oliveira com o Fernando Prass e o Dudu. Mas acabou sendo bom, porque ficou um negócio emocionante para os torcedores e também para os atletas. Foram três grandes anos de jogos entre Palmeiras e Santos', exaltou.

Marques, aliás, acabou rindo por último nessa história: depois do triunfo na final da Copa do Brasil, ele celebrou o título usando uma máscara com a careta de Ricardo Oliveira, que esquentou ainda mais o clima.

Anos depois, ele garante que tudo está em paz.

"Sempre fui a favor de rivalidade sadia, de provocações. Eu mesmo já fiz muitas, mas nada que refletisse para o lado pessoal. Conversei depois com o Ricardo (Oliveira). A gente bateu um papo e tudo se acertou", garantiu.

O QUE ROLOU COM CUCA?

Muitos acreditam que a saída de Rafael Marques para o Cruzeiro, em maio de 2017, devido ao conflito que havia ocorrido entre o jogador e o técnico Cuca após uma vitória sobre o Coritiba, em setembro de 2016, pelo Brasileirão.

Na ocasião, eles discutiram de maneira forte no vestiário do Allianz Parque, com o atleta reclamando da cobrança excessiva feita pelo treinador em cima do elenco alviverde.

Rafael conta, no entanto, que seu maior problema foi com Eduardo Baptista, já em 2017. E o atacante garante: não tem qualquer problema com Cuca, e sua saída do Palestra Itália após a chegada do comandante na vaga de Baptista foi mera coincidência.

"Minha saída não teve nada a ver com o Cuca. Eu saí porque não via mais espaço para mim no Palmeiras. A chegada do Eduardo me complicou muito. Só fiz uma partida no Paulistão, que foi uma vitória com um gol meu. Eu vi ali que tinha uma coisa meio pessoal", ressaltou.

"Naquele momento, eu achei que não fosse, mas depois trabalhei com o Eduardo no Sport e posso dizer que sim, era pessoal. Ele não gostava de mim, não sei por qual motivo. Nós tínhamos trabalhando juntos na Portuguesa, em 2001, quando ele era preparador físico, e também no Japão, quando o pai dele era treinador. Achei muito estranho o jeito como ele agiu comigo. Nunca me falou nada sobre o porquê de não me colocar para jogar. Foi estranho, mas vida que segue. Futebol é assim mesmo", disse.

Depois, Rafael deu mais detalhes sobre o imbróglio.

"Eu estava negociando minha saída quando o Eduardo ainda era treinador do Palmeiras. Naquela semana, jogando pela Libertadores na Bolívia, acabou sendo meu último jogo. Eu já estava em negociação com o Cruzeiro, já tinha até comentado com o Alexandre Mattos. Foi até engraçado o Eduardo me levar pro jogo na Libertadores, porque ele só me relacionava para o Paulista, mas não me colocava", contou.

"Logo depois da derrota [para o Jorge Wilstermann], jantamos e chegamos ao hotel. Lá em falei: 'Alexandre, você sabe que o Cruzeiro está interessado em mim, e eu estou querendo ir. Sempre te ajudei e agora espero que você possa me ajudar'. Ele disse: 'Rafa, pode ficar tranquilo. Vamos fazer o que for preciso'", revelou.

"Fui para o quarto, que eu dividia com o Dudu na concentração. Falei para ele: 'Baixola, acho que estou indo embora. Preciso arrumar meu espaço e de uma sequência de jogos'. Só que já tinha acontecido uma reunião, e aí o Dudu soltou a bomba: 'Rafa, o Eduardo caiu, não é mais o treinador'. Aí veio a dúvida. Pensei: 'Será que fico? Será que o próximo técnico vai me dar uma chance?'", relembrou.

Veio, então, o anúncio: o "novo" técnico seria Cuca, o mesmo com quem Marques havia tido problemas em 2016.

"Nisso, o Dudu falou que o técnico seria o Cuca. Na hora eu já pensei: 'Vão vincular minha saída com a chegada do Cuca'. Mas te garanto: foi mera coincidência. Eu já tinha decidido sair, o Alexandre concordou", rememorou.

"Por mim, não teria problema nenhum trabalhar com o Cuca, mas a decisão já estava tomada. Quando o Cuca chegou, ele até me falou: 'Olha aí, Rafa, a m*** que vai ser. Vão falar que você saiu porque eu cheguei, por causa daquela discussão que tivemos'. E eu respondi: 'Professor, pode ficar tranquilo. A gente sabe como funciona. O importante é que nós sabemos que, entre a gente, não há nenhum problema. Isso é o mais importante'", relatou.

No fim das contas, a passagem pelo Cruzeiro acabou não sendo boa. Marques ainda defendeu o Sport em 2018 antes de acertar com o São Caetano para o Campeonato Paulista.

Dois anos depois de deixar o Palmeiras, ele faz suas considerações sobre a decisão que tomou.

"Eu não queria ter saído do Palmeiras. A verdade é que, por mim, teria permanecido até hoje. Mas futebol é assim. Às vezes, a gente tem que procurar novos ares, uma nova motivação. Eu poderia ter me acomodado lá, mas sempre fui muito competitivo. Se tem uma coisa que me incomoda é acomodação. Isso não faz parte do meu vocabulário", bradou.

"Quero estar numa equipe boa, sempre jogando e brigando por títulos. Foi sempre assim desde a minha volta ao Brasil. Passei por um período de adaptação em 2012, no Botafogo, e depois conquistamos o Carioca e a vaga na Libertadores depois de 18 anos sem conseguir. Depois, fui vendido para a China, mas eu voltei em 2015 e ganhei dois títulos com o Palmeiras. No Cruzeiro, apesar de não ter feito muitos gols, ganhei outra Copa do Brasil e um Mineiro", citou.

"Hoje, é um novo projeto, e a motivação de jogar o Paulistão pelo São Caetano é enorme", encerrou.