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CS:GO | 'Temos todas as condições para sermos o melhor time do Brasil', diz WOOD7

O capitão do MIBR falou com o ESPN Esports Brasil sobre as mudanças da equipe durante os últimos meses, o RMR do PGL Major Antwerp e porque a 00Nation e a grande rival da equipe neste ano


‘’Nova Era’’ é o termo que o MIBR mais usou nos últimos meses para mostrar sua renovação nos esportes eletrônicos. A organização anunciou, no dia 14 de janeiro, todas as suas escalações em três modalidades diferentes, sendo a suas duas lines de Counter-Strike: Global Offensive foram mantidas desde o fim da temporada 2021.

WOOD7 chegou junto de Tuurtle para a difícil missão de substituir Yel e shz, no mês de outubro de 2021. O jogador chegou com status de capitão da nova escalação, e revelou que não foi uma missão fácil essa transmissão de temporadas, sendo que o MIBR teve pouco tempo para se preparar para o ano de 2022.

“Foi uma transição que não foi fácil, mas perigosa também para todos nós. A gente realmente estava entrando em um momento difícil, a tinha acabado de vencer um torneio e na semana seguinte tínhamos a BLAST para jogar, então saímos do nosso conforto, que já tínhamos construído durante um ano para uma incerteza, só que por outro lado, nas costas é o MIBR, a maior organização que tem no Brasil e é uma honra representar a organização”, disse o jogador em conversa exclusiva com o ESPN Esports Brasil.

O MIBR, após não ter conquistado a tão sonhada vaga no PGL Major Stockholm 2021, acabou decidindo fazer uma reformulação em seu elenco trazendo o trio da Bravos, que conquistou dois dos três eventos classificatórios para o mundial. O capitão da equipe explicou que encarou a incerteza independente do que acontecesse durante o bootcamp na Europa.

“Tanto eu, como o Tuurtle e o JOTA, que veio depois, não ficamos com medo de não conseguir representar, por isso aceitamos, por termos a certeza que a gente poderia chegar, e talvez os resultados no início não fossem fáceis, mas precisávamos dar esse passo na nossa carreira independente do que acontecesse. Os primeiros 20 dias daquele bootcamp que fizemos na Europa, era uma coisa necessária para todos nós, para mim, e eu particularmente queria entender como é que era o nível do cenário europeu”, explicou WOOD7.

A tag passou por diversas dificuldades nos últimos meses com relação ao comprimenrto do contrato com BLAST, a necessicidade de fazer um bootcamp em solo europeu, até mesmo chelo, que acabou se acidentando e Boltz - que acabou infectado pelo COVID-19 na ocasião. WOOD7 afirmou que o fim da temporada 2021 foi uma “montanha russa”, por conta de tantas viagens e problemas na escalação.

“Passamos por algumas montanhas russas, quando eu e o Tuurtle chegamos no MIBR, a escalação era o brnz4n e Boltz. Nos primeiros dias o nak treinou com nós, sendo que nas primeiras competições tivemos muito pouco tempo de treino, voltamos para os Estados Unidos com o Boltz e o JOTA, sendo uma line toda nova. Para quem joga sabe que trocou um jogador independente tem que refazer todos os táticos e tudo o que planejamos teve que ser refeito”, explicou.

“Voltamos para o Brasil, mas dessa vez treinado com o chelo, basicamente foi o nosso terceiro reset do time em quesito tática, sendo que nos EUA - não conseguimos treinar por ser final de temporada e não tinha times disponíveis. Nosso time ainda está em construção e precisamos treinar de verdade com a escalação completa, no momento estamos focando a nossa evolução individual para estarmos acostumados com o cenário europeu”, completou.

SAÍDA DE APOKA

Em janeiro, Apoka deixou a escalação do MIBR na função de treinador para focar na criação de conteúdo e streams na Twitch, além de querer passar mais tempo no Brasil, com a sua família. A decisão afetou a escalação do MIBR, que tinha o ex-treinador como uma figura de respeito e chefe da equipe.

WOOD afirmou que a equipe está aprendendo a se virar sem a presença de um head coach e espera que o novo nome apareça logo para ajudar o MIBR neste período de reconstrução.

“No meu ponto de vista foi uma perda muito grande para o time, o Apoka era o grande chefe da equipe, o semblante dele representava muito e com certeza agora nesse primeiro momento tá sendo difícil, mas eu acho que todos os jogadores estão se cobrando muito”, afirmou WOOD7.

“O exit está fazendo um pouco deste papel de treinador e o restante está tentando ajudar um pouquinho para suprir o que não temos hoje [head coach]. Por um outro lado isso é bom, porque faz todos os jogadores dar um gás a mais e faz queremos um pouco mais - e vamos para frente e logo um novo nome aparece para auxiliar o nosso time”, completou.

Desde a chegada da escalação da SK, em 2018, o MIBR sempre foi uma organização hypada, com isso sempre há pressão tanto da torcida como da comunidade mundial de Counter-Strike. Depois de muitas mudanças, os fãs passaram a apoiar as mudanças dentro da equipe, mas ainda existe a pressão contra jogadores para que eles representem a tag lendária.

Desde sua chegada no MIBR, WOOD7 afirmou que não sentiu nenhuma pressão e enxerga que os fãs estão apoiando a ideia da organização de impor uma nova era no MIBR.

Sinceramente desde o dia que eu entrei, todas as pessoas falam que tem pressão e eu não senti pressão nenhuma. Acho que os torcedores estão apoiando muito a gente, eles compraram essa ideia de renovação e nova era. A gente tem uma base aqui de três jogadores que conquistaram tudo no ano passado, e se juntando a dois jogadores que já conquistaram tudo no Brasil também. Na minha concepção, não teria time melhor para o MIBR montar nesse momento, e eu acho que temos toda a condição de representar muito bem, e ser o melhor time do Brasil durante todo o ano”, afirmou o capitão do MIBR.

MUDANÇAS DO RMR E O GRANDE RIVAL

O MIBR está disputando o IEM Katowice 2022, um dos eventos mais tradicionais do cenário mundial de CS:GO. Mesmo disputando tanto o evento da ESL, como a BLAST Premier, a escalação está de olho no RMR do PGL Major Antwerp.

Mesmo vencendo o jogo contra a Natus Vincere, na Fase de Grupos da BLAST Premier, WOOD7 afirmou que a equipe não pode deixar o momento subir a cabeça por conta de ter vencido a melhor equipe do mundo.

“Desde dois torneios [BLAST e IEM Katowice], acredito que se estivéssemos com a nossa escalação fixa, onde estávamos treinando no Brasil, chegaríamos com o status daquele time que chega para surpreender. Eu me surpreendi com o Brn, ele está sendo fantástico aqui, e foi o suficiente para vencermos a NAVI, sendo que o CS é jogado e o grande problema de enfrentar essas grandes equipes que você não pode errar”, explicou WOOD7.

“O melhor do MIBR não será na IEM Katowice, o melhor do MIBR ainda vai vir e precisamos dar passos cada vez maiores e crescer. Não podemos subir em cima do salto alto porque vencemos da NAVI, até porque o CS é jogado e se os tempo tiver bom, se a mira estiver boa, qualquer time pode vencer de qualquer um”, completou.

No começo deste mês de fevereiro, a PGL divulgou os detalhes sobre os três eventos do Regional Major Rankings (RMR). O evento será realizado nos estúdios da própria PGL em Bucareste, na Romênia, para termos todos os times participantes do próximo Major.

Com essas mudanças, WOOD7 afirmou ter gostado destas mudanças por conta do aumento de vagas, e de ter o pensamento que o formato antigo era perigoso para todas as equipes por conta das mudanças ao decorrer da temporada, além de ser uma disputa de diversas equipes para apenas uma equipe no Major.

“Acredito que o formato antigo era muito perigoso, por conta de ser apenas uma equipe que classificava. [...] O MIBR hoje tem mais chances de conseguir ir para o Major por conta deste aumento de vagas, mesmo independente de ter mais equipes na disputa”, afirmou.

“No Brasil foi muito perigoso no passado, um tropeço e a vaga foi perdida. Agora só depende de nós mesmos e precisamos treinar para que se a gente tropeçar, ainda tenha vagas suficientes, porque querendo ou não as equipes vão tropeçar em algum momento”, completou.

Fechando a conversa, o jogador revelou que enxerga a 00Nation, como a grande rival do MIBR nesta temporada. A 00 liderada por coldzera terá de jogar o qualificatório para o RMR das Américas, em solo norte-americano ou sul-americano por conta das mudanças das regras da Valve.

Visando o elenco forte que a 00Nation montou, WOOD7 afirmou que eles vem com peças sólidas e destacou as equipes norte-americanas, que estão sempre figurando no topo do Counter-Strike mundial nos últimos anos. E dando destaque para juventude e inteligência que a escalação do MIBR tem em mãos.

"Coloco como um grande candidato, que durante todo o ano vai estar contra nós, é o time da 00Nation. Acredito que a base que a 00 montou é de um time muito sólido, com peças muito boas. Então se eu botasse um grande rival para o MIBR, seria a 00Nation. Vale destacar os times da norte-americanos que eles sempre treinam muito bem e sempre chegam muito bem nesses qualificatórios como EG, Team Liquid e FURIA”, afirmou.

A gente tem muito talento aqui e juventude misturada com inteligência. Temos todas as funções bem encaixadas, que se complementam muito bem, tanto dentro do jogo como. Acho que hoje o nosso time figura assim entre as seis melhores times que estão nessas vagas americanas”, finalizou.

O MIBR ainda tem um caminho para percorrer na IEM Katowice 2022. A Made In Brazil encara nesta quarta-feira (16), às 08h30 a Movistar Riders pela sobrevivência no torneio. O vencedor encara a Ninjas In Pyjamas, no último jogo pela vaga na Fase de Grupos.