O Santos apresentou, nesta terça-feira (9), o técnico Kleiton Lima para o comando de seu time feminino. O treinador retorna às Sereias da Vila após pedir desligamento do clube em setembro do ano passado por conta de denúncias de assédio moral e sexual realizadas por 19 jogadoras através de cartas anônimas.
Também estiveram presentes na entrevista coletiva a coordenadora de futebol feminino Thaís Picarte e o coordenador de futebol Alexandre Gallo, que justificou o retorno de Kleiton Lima citando uma investigação realizada em parceria com a Polícia Civil. Segundo ele, não foram comprovadas as denúncias contra o treinador.
"Inicialmente, temos que passar por tudo que aconteceu. Uma exclamação da nossa parte. O compliance do clube é bastante atuante e indeferiu qualquer situação negativa em relação a você (Kleiton Lima). A gente fica bastante tranquilo em relação a isso, sobre seu caráter, conduta e família. O Santos está feliz que você está de volta com a gente", disse Gallo.
"O Santos agiu da maneira correta como instituição. Chegamos a um consenso que nada ocorreu como foi colocado nas cartas. O senso de justiça mora no Santos e tem que morar em nossos corações. Isso serviu para que ele também voltasse como pessoa e profissional melhor. O Santos deu tempo para que as coisas se esclarecessem", completou.
Assim como Gallo, Thaís Picarte, que assumiu o cargo de coordenadora de futebol feminino no início deste ano, reiterou a preocupação do Santos com a verdade e a sua responsabilidade como mulher de participar da apuração dos fatos. Ele também afirmou que o ocorrido causou uma “mancha desnecessária” na história do clube.
"Falando sobre a responsabilidade do Santos, sempre com a verdade. Nós temos uma responsabilidade para com o clube, atletas e para o futebol feminino no país. O clube apurou todas as informações, abriu-se um processo administrativo. Eu pessoalmente, como gestora do departamento, e como mulher apurei a fundo. Não só com pessoas que aqui estão, com atletas que saíram e nada se foi provado", disse.
"Argumentos fracos, frágeis e que trouxeram uma mancha desnecessária para o Santos. Clube vitorioso no futebol feminino. Tivemos não só apuração como pedido de atletas que aqui estão. Reforço de atletas que saíram dessas inverdades e processo de retorno. Da minha parte, o que eu posso esclarecer, é que o clube tem responsabilidade com a verdade e por isso Kleiton está aqui de volta", disse Picarte.
Kleiton também negou todas as acusações, afirmando ter sido vítima de "descrições insanas e levianas". O novo técnico das Sereias da Vila vê seu retorno ao clube como uma forma de se fazer justiça diante do ocorrido no ano passado.
"Bom estar aqui de volta representando este grande clube no qual eu tenho uma vida de serviços prestados em diversas categorias e uma identidade muito grande com o futebol feminino. Em relação ao ocorrido ano passado, quero deixar de maneira bem clara e transparente que eu não cometi nenhum tipo de assédio. Aquelas cartas anônimas com aquelas descrições insanas e levianas, não me pertencem e nunca me pertenceram. Sempre preservei minha vida profissional dentro de uma ética e com valores passados pelos meus pais e que passo para os meus filhos com a minha esposa, com quem sou casado há 27 anos".
"Aquilo me causou espanto, revolta, repulsa. Saí do clube para esperar a apuração do Santos. Não há nenhuma acusação formal contra mim em esfera judicial. Eu que abri uma ação para que se pudessem apurar quem eram as autoras daquelas cartas anônimas. Busquei a verdade o tempo inteiro e por isso o Santos está me contratando, para fazer justiça aquilo que nesses seis meses ficaram em silêncio para trazer hoje à tona toda a verdade", concluiu o treinador.
O treinador também afirmou não ter entendido as possíveis motivações das cartas, alegando que o descontentamento em relação ao seu trabalho devia-se a cobranças individuais feitas por toda a comissão técnica.
"A gente tinha um elenco de 32, 33 atletas. Às vezes algumas atletas podem ficar insatisfeitas com a metodologia dos treinos e exigências físicas que nós tínhamos como algo com metas a serem atingidas. Às vezes foram cobranças individuais, não só da minha parte, como de toda a comissão técnica. São grupos de meninas que não moram no alojamento, moram com outras jogadoras. Realmente não sei quantas meninas foram e nem quero saber, é algo passado. Estou para falar de futebol e fazer um trabalho novo com essa gestão".
Em algumas denúncias, Kleiton Lima foi acusado de beneficiar algumas atletas por elas seguirem a mesma religião do treinador, que é evangélico. Sem se justificar, o técnico apenas negou qualquer tipo de perseguição religiosa e disse que as acusações não têm nenhum fundamento. "Não, não vejo nenhuma perseguição e não há nenhum fundamento nisso", disse brevemente.
Kleiton Lima retorna ao comando do time feminino do Santos para ocupar a vaga deixada por Bruno Silva, demitido após um início abaixo do esperado no Campeonato Brasileiro. A estreia do técnico acontece nesta sexta-feira (12), quando as Sereias da Vila enfrentam o Corinthians na Vila Belmiro pela 5ª rodada do Brasileirão.
"Eu cheguei faz quatro dias. Foram quatro sessões de treinamento com grupo e elenco novo. Foi mesclado um trabalho de jogadoras mais experientes com outras mais novas. Esse ano trouxemos a categoria de base para dentro da Vila Belmiro, da estrutura do Santos. Isso faz com que a gente possa acompanhar de perto o desenvolvimento dessas jovens promissoras. O clube passou por reestruturação. Enfrentar o Corinthians é um jogo muito complicado. O planejamento é que a gente tem um trabalho de médio a longo prazo buscando como objetivo principal a Libertadores. Até lá temos que colocar alguns comportamentos novos e variações. Sem dúvida, esse jogo contra o Corinthians é um primeiro desafio muito grande", finalizou.
