Um caso muito grave veio à tona na noite desta quinta-feira (7). De acordo com apuração do site ge, jogadoras do Santos fizeram denúncias à diretoria do clube contra o técnico Kleiton Lima por assédios sexual e moral.
Esta, inclusive, foi a razão que levou o clube a demitir o treinador nesta quinta-feira. A reportagem afirma que a diretoria investiga o caso internamente.
Dentro das cartas, escritas à mão e de forma anônima, as atletas fazem relatos de “toques indevidos” de Kleiton Lima e questões ligadas a seu comportamente, com cobranças excessivas, comentários constrangedores e ameaças.
Algumas cartas relatam reclamações quanto às vestimentas do treinador que “deixam transparecer o órgão genital”. Outro relato afirma que o mesmo “não usava roupas íntimas”.
A reportagem ainda afirma que outro acusado de assédio moral foi Julio Resende, analista de desempenho. As denúncias foram entregues para Aline Xavier, supervisora das Sereias da Vila, que prontamente as encaminhou para a diretoria.
Ao ge, Kleiton Lima negou as acusações. “Antes de mais nada, eu não pedi demissão, coloquei o cargo à disposição para a diretoria do clube após tomar conhecimento de reclamações de parte do elenco em relação ao meu trabalho. O Santos resolveu desligar a comissão técnica inteira do futebol feminino . Tomei conhecimento também de supostas queixas de assédio, o que me causou estranheza e revolta. Uma acusação dessa é muito grave e tomarei minhas providências legais, quem denuncia tem que provar”.
“Tenho uma carreira profissional de quase 30 anos de forma ilibada e vitoriosa, nunca tive nenhuma queixa nesse sentido durante toda a minha trajetória. Não aceito que utilizem desse artifício para me tirarem do cargo e tentarem manchar a minha história e a do clube", afirmou.
Veja alguns dos relatos presentes nas cartas
(Alerta de gatilho: o texto a seguir contém relatos de violência)
"Estou falando apenas do lado profissional, mas também estou cansada de seus comentários sobre os nossos corpos de uma maneira desrespeitosa, cansada de seus toques de maneira indevida".
"Suas vestimentas não são adequadas ao ambiente de trabalho, pois deixa transparecer o seu órgão genital na calça/short, principalmente por estar em um departamento feminino e se torna um ambiente desconfortável".
"O treinador diariamente falta com respeito em sua fala constrangedora e desrespeitosa, como “xerecada” e “tetada”. Muitas das vezes o técnico não usa vestes adequadas no ambiente de trabalho, transparecendo o seu órgão genital causando desconforto no ambiente de trabalho".
"Algumas brincadeiras e comentários que não cabiam no momento insinuando que eu estava machucada de propósito, como seu eu tivesse simulado minha dor, porém, só eu sei o que passei e sei o quanto foi difícil a minha recuperação"
"E com o passar do tempo, essas situações além de persistirem e se agravarem, abriu portas para agressões verbais, humilhações em público e de forma particular, atitudes de extremo desrespeito para com as atletas (como por exemplo treinos sem o uso de roupa íntima por baixo da calça por parte do treinador, causando assim desconforto em nós meninas)".
"Também passei a pensar em suicídio e entrei em profunda depressão".
"Uma vez na feira eu estava esperando perto de uma barraca de pastel. Lá o treinador chegou e perguntou se eu estava comendo pastel, aí eu respondi ‘não, estou esperando as meninas’. Então ele deu a volta por mim, olhou para minha bunda e disse: ‘acho que não’, insinuando que minha bunda parecia grande, então isso significava que eu estava comendo pastel".
