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'Maior B.O. da vida dele': apostador alerta empresário de Bauermann sobre o que irá acontecer se zagueiro não levar cartão

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Zagueiro Eduardo Bauermann, do Santos, recebe broncas e ameaças de apostadores; veja os prints (2:15)

Crédito: Victoria Leite, setorista do Santos pelo GE | Bauermann recebeu ameaças por não cumprir o combinado de levar um cartão amarelo no empate entre Santos e Avaí pelo Brasileirão de 2022 (2:15)

Em prints de WhatsApp divulgados pelo MP-GO (Ministério Público do Estado de Goiás) na "Operação Penalidade Máxima 2", aos quais a ESPN teve acesso, o apostador Romário Hugo dos Santos, mais conhecido como Romarinho (leia mais sobre ele aqui), tem uma longa conversa com o empresário do zagueiro Eduardo Bauermann, Luiz Taveira, na qual esbanja sinceridade sobre o que irá acontecer com o atleta caso ele não cumpra o que foi combinado no esquema de manipulação.

No diálogo, Romarinho e Taveira estão acompanhando jogo do Santos, já que, de acordo com as investigações, o combinado era que Bauermann levasse um cartão amarelo no jogo contra o Avaí., em 5 de novembro de 2022, pelo Campeonato Brasileiro.

Conforme os minutos vão passando e a advertência não ocorre, o apostador começa a se irritar e faz uma série de alertas e ameaças ao empresário.

Veja o diálogo:

  • Romarinho: Meu deus do céu, o Bauermann quer matar a gente do coração?

  • Luiz Taveira: P*** que o pariu.

  • Romarinho: Você é louco... Ele que não brinque com a gente de não tomar isso [cartão amarelo], mano.

  • Luiz Taveira: Você foi comigo nele.

  • Romarinho: Ele vai entrar no maior B.O. da vida dele. Eu não estou acreditando nisso, mano.

  • Luiz Taveira: Não sei o que falar.

  • Romarinho: Eu espero só que ele tenha dinheiro. Só isso. Mano, esse cara d*** comigo, mano.

Como não leva o amarelo, Bauermann acaba levando os apostadores a terem prejuízo. Com isso, é feito um novo combinado: de acordo com as investigações, ele levaria um cartão vermelho no jogo seguinte, contra o Botafogo.

O zagueiro do Santos até é expulso, mas só depois do apito final, depois de detonar o árbitro. Com isso, o cartão vermelho não é computado no sistema de apostas, o que faz os criminosos levarem novo prejuízo.

Veja o diálogo:

  • Luiz Taveira: [Envia print com a ficha técnica de Botafogo x Santos, que mostra que Bauermann foi expulso]

  • Romarinho: Mano, nas apostas ainda não atualizou. [Envia print do sistema de apostas no qual Bauermann não consta com cartão vermelho]

  • Luiz Taveira: Mas atualiza?

  • Romarinho: Sim. Eu espero, viu, mano. Mas ele vacilou. Não dá para fazer isso, mano. Pelo amor de Deus.

  • Luiz Taveira: (Bauermann) Vai aprender. Tirou a virgindade.

[Alguns minutos se passam]

  • Luiz Taveira: [Envia uma série de prints mostrando a expulsão de Bauermann]

  • Romarinho: Aí é que está, irmão. Eu não estou acreditando nisso, mano.

  • Luiz Taveira: Não valeu?

  • Romarinho: Eu não sei, irmão. Temos que esperar, mano.

  • Luiz Taveira: Já aconteceu?

  • Romarinho: Eu não sei. Tem que esperar para você ver o que vai ser resolvido, mano.

[Alguns minutos se passam]

  • Romarinho: Meu Deus do céu, mano. De novo esse moleque me fez perder um caminhão de dinheiro. Não é possível, mano.

  • Luiz Taveira: Não vai dar certo?

  • Romarinho: [Envia print com texto mostrando que expulsões após o apito final não são computadas para apostas]

É justamente nesse contexto que foram divulgadas as conversas anteriores envolvendo Bauermann, nas quais apostadores conversam e dizem que o atleta "merece morrer". Desesperado, o jogador cogita fazer um empréstimo de R$ 800 mil para pagar os criminosos, ou até mesmo vender parte de seus direitos federativos.

Em entrevista exclusiva à ESPN, Luiz Taveira defendeu seu agenciado e disse que o defensor foi coagido a entrar no esquema após receber "ameaças pesadas de violência".

"Eles falam de sua família, sabem onde você mora e são ameaças de violência. Eles fizeram ameaças pra cá, ameaças pra lá. Tourear estes caras é difícil. Nunca tinha visto isso na minha vida", disse o empresário, em um dos trechos da conversa.

Taveira ainda disse que estava conversando com os apostadores para tentar "amaciar" os criminosos, de forma a encontrar uma solução "não violenta" para o problema.

Vale lembrar que, na última terça-feira (9), a Justiça de Goiás acatou a denúncia feita pelo MP contra os 16 investigados na "Operação Penalidade Máxima 2".

Entre terça e quarta-feira (10), diversos jogadores foram afastados por seus clubes, como o próprio Eduardo Bauermann (Santos), além de Vítor Mendes (Fluminense), Richard (Cruzeiro), Fernando Neto (São Bernardo) e Pedrinho (Athletico-PR), entre outros.

Veja abaixo quais são os jogos que estão sob investigação na Série A

Quais jogadores estão sendo investigados?

  • Eduardo Bauermann (Santos)

  • Gabriel Tota (Ypiranga-RS)

  • Victor Ramos (Chapecoense)

  • Igor Cariús (Sport)

  • Paulo Miranda (Náutico)

  • Fernando Neto (São Bernardo)

  • Matheus Gomes (Sergipe)

Quais jogadores também foram citados no processo?

  • Vitor Mendes (Fluminense)

  • Richard (Cruzeiro)

  • Nino Paraíba (América-MG)

  • Dadá Belmonte (América-MG)

  • Kevin Lomonaco (Red Bull Bragantino)

  • Moraes Jr. (Juventude)

  • Nikolas Farias (Novo Hamburgo)

  • Jarro Pedroso (Inter de Santa Maria)

  • Nathan (Grêmio)

  • Pedrinho (Athletico-PR)

  • Bryan García (Athletico-PR)

Apostadores e membros da organização

  • Bruno Lopez de Moura

  • Ícaro Fernando Calixto dos Santos

  • Luís Felipe Rodrigues de Castro

  • Victor Yamasaki Fernandes

  • Zildo Peixoto Neto

  • Thiago Chambó Andrade

  • Romário Hugo dos Santos

  • William de Oliveira Souza

  • Pedro Gama dos Santos Júnior

O que a "Operação Penalidade Máxima" investiga

A investigação da "Operação Penalidade Máxima" aponta que grupos criminosos convenciam jogadores, com propostas que iam até R$ 100 mil, a cometerem lances específicos em partidas e causassem o lucro de apostadores em sites do ramo.

Um jogador cooptado, por exemplo, teria a "função" de cometer um pênalti, receber um cartão ou até mesmo colaborar para a construção do resultado da partida - normalmente uma derrota de sua equipe.

As primeiras denúncias ouvidas pela operação surgiram no fim de 2022, quando o volante Romário, então jogador do Vila Nova (GO), aceitou R$ 150 mil para cometer um pênalti contra o Sport, em partida válida pela Série B do Brasileiro.

Na ocasião, o atleta embolsou R$ 10 mil imediatamente e só ganharia o restante caso o plano funcionasse. Romário, porém, sequer foi relacionado para a partida, o que estragou a ideia.

A história chegou até Hugo Jorge Bravo, presidente do time goiano e também policial militar, que buscou provas e as entregou ao Ministério Público do estado. A partir daí, criou-se a operação "Penalidade Máxima" para investigar provas e suspeitas sobre o assunto.

Na primeira denúncia, havia a suspeita de manipulação em três jogos da Série B, mas os últimos acontecimentos levaram os investigadores a crer que o problema era de âmbito nacional e havia acontecido em campeonatos estaduais e também na primeira divisão do Brasileiro.

Além de Romário, outros sete jogadores foram denunciados pelo Ministério Público por participarem do esquema de fabricação de resultados: Joseph (Tombense), Mateusinho (ex-Sampaio Corrêa, hoje no Cuiabá), Gabriel Domingos (Vila Nova), Allan Godói (Sampaio Corrêa), André Queixo (ex-Sampaio Corrêa, hoje no Ituano), Ygor Catatau (ex-Sampaio Corrêa, hoje no Sepahan, do Irã) e Paulo Sérgio (ex-Sampaio Corrêa, hoje no Operário-PR).

Algum jogador de futebol foi preso?

Nenhum jogador preso, só pessoas envolvidas nos pedidos de manipulação. Foram três mandados de prisão em São Paulo, mas só para não atletas.

Foram apreendidas granadas de efeito moral em um mandado de prisão em São Paulo a armas de fogo em outro endereço, também em terras paulistas. Nesse local, houve também um flagrante de armas de fogo sem o devido registro.

Os atletas ou aliciadores podem ser indiciados via Estatuto do Torcedor e também podem responder por crime por lavagem de dinheiro, se for o caso. Segundo o Estatuto do Torcedor, a pena varia de 2 a 6 anos de prisão.

O que os jogadores faziam para manipular as partidas?

Os atletas e envolvidos suspeitos estão sendo investigados por manipulação da seguinte forma: receber cartões amarelo ou vermelho, cometer um pênalti, garantir uma derrota parcial no 1º tempo, número de escanteios, etc.