Segundo o jornal The New York Times, o Real Madrid estuda uma mudança radical, e muito controversa, na estrutura do clube.
De acordo com o veículo, o presidente Florentino Pérez prepara um plano para permitir, pela primeira vez na história, que investidores externos comprem ações da equipe merengue, injetando capital de diferentes fontes no caixa do time.
A decisão do mandatário, porém, já vem causando enorme burburinho, já que o Madrid é propriedade de seus associados desde a fundação, em 1902, e teria que passar por mudanças drásticas em seu estatuto para permitir a venda de ações.
No entanto, a entrada de investidores externos em equipes espanholas não é novidade, já que, em LALIGA, só quatro clubes não possuem donos e seguem sendo associativos: além do Real Madrid, o Barcelona, o Athletic Bilbao e o Osasuna.
Ainda segundo o NY Times, Pérez argumentou nos bastidores que, apesar dos merengues ainda terem receitas invejáveis, está cada vez mais difícil competir no mercado da bola contra times que são propriedades de fundos soberanos de outros países, como Manchester City (Abu Dhabi) e Paris Saint-Germain (Qatar), ou de grupos bilionários, como o Liverpool.
De acordo com fontes ouvidas pelo jornal, Florentino irá apresentar em breve aos associados um plano mais concreto das mudanças que quer promover. Em seguida, elas devem ser colocadas em votação durante Assembleia Geral. Não há data certa, mas a expectativa é que isso ocorra até o fim de novembro.
Uma das ideias que ganha cada vez mais força nos corredores do Santiago Bernabéu é dividir o Real Madrid em duas entidades diferentes: futebol e business.
Dessa forma, seria possível os sócios teoricamente se manterem como donos do clube de futebol, enquanto investidores poderiam comprar ações da parte de business.
Esse, aliás, é o famoso modelo "50+1", adotado pelos times da Bundesliga, que garantem que os associados serão sempre os acionistas majoritários de cada equipe, com ao menos 51% das ações.
A ideia de Florentino Pérez, porém, ainda é trabalhada e discutida entre a alta cúpula do clube, já que envolveria complexas questões legais e tributárias.
"Dentro e fora do clube, cresce cada vez mais a expectativa de que as próximas semanas podem marcar o ponto de partida para uma mudança histórica no Santiago Bernabéu", finalizou o NY Times.
O que dizem especialistas do mercado?
O movimento feito pelo Real Madrid, caso aprovado, é histórico para um clube que vive de associados desde a fundação, ainda é um dos mais poderosos do mundo, mas entende que será preciso dar um passo além para continuar competitivo no futebol moderno.
"Estamos falando de um clube com uma das maiores capacidades de geração de receita do mundo, mas que, ainda assim, entende a importância de diversificar suas fontes e ampliar seus negócios", explica Moises Assayag, sócio-diretor da Channel Associados e especialista em finanças no esporte, com foco em reestruturação financeira e operacional de clubes.
"A possível abertura para investidores externos é uma estratégia relevante e, se for aprovada, representará um passo importante para ampliar sua competitividade frente aos outros clubes, muitos que já operam com estruturas mais modernas e capitalizadas", completou.
Também significaria um novo plano de Florentino Pérez, para muitos um dos maiores dirigentes de todos os tempos, por tudo que fez desde que assumiu o comando no Santiago Bernabéu, ainda na virada do século.
Foi o empresário que criou a era dos "galácticos", que juntavam alguns dos jogadores mais famosos e midiáticos do mundo. Na primeira gestão de Florentino, o Real Madrid juntou Luis Figo, Zinedine Zidane, Ronaldo "Fenômeno" e David Beckham, todos contratados por muito dinheiro para entregar não só futebol, mas também exposição de mídia na Europa.
"Florentino é visionário. Mostrou isso no inicio do século, formando elenco com estrelas consolidadas e, recentemente, com a busca de jovens que se tornaram astros crescendo no seu clube. Ele certamente projetou o que se passará nas próximas décadas, e sabe que o Real Madrid não pode deixar de competir com os mais ricos clubes ingleses", acrescentou Thiago Freitas, COO da Roc Nation Sports no Brasil.
