Em entrevista exclusiva ao ESPN.com.br, o ex-goleiro Renan contou histórias da carreira
Atualmente treinador do time sub-17 do Barra FC-SC, Renan teve uma carreira bastante vitoriosa pelo Internacional, pelo qual faturou o bicampeonato da Conmebol Libertadores (2006 e 2010) e o Mundial de Clubes (2006).
Cria das categorias de base do clube colorado, ele foi subiu aos profissionais em 2004 antes de estrear no ano seguinte sob o comando de Muricy Ramalho contra o Juventude.
"Foi muito marcante porque atuei em um momento mais complicado pelo time depois pelo Brasileirão. Joguei depois o Mundial sub-20 pela seleção brasileira e fomos semifinalistas, perdendo para a Argentina do Messi, que estava começando. Foi o único jogo que sofremos gols", disse, ao ESPN.com.br.
"O Messi era dois anos mais jovem e as informações começavam a circular. Dava para ver que era diferenciado, mas não dava para imaginar que chegaria tão longe", confessou.
Em 2006, Renan era reserva de Clemer durante as conquistas da Libertadores e do Mundial, mas entrou em campo diversas vezes.
"Foi especial porque estar presente nesta década vitoriosa. O lado torcedor também foi bacana ver o Inter ser campeão. Cada detalhe foi pensado, e o Abel Braga nos mostrou os pontos fracos do Barça junto com o Fernandão e o Iarley. Era difícil, mas nosso time tinha jogadores acostumados a vencer", contou.
O arqueiro virou titular do Inter em 2008 e da seleção brasileira na conquista do bronze nas Olímpiadas de Pequim. Durante a competição, ele recebeu conselhos valiosos para se transferir ao Valencia.
"Falei muito com o Sóbis, que estava no Bétis, que me incentivou bastante e falou bem da Liga Espanhola. Ronaldinho me disse que seria uma oportunidade bacana porque os goleiros têm poucas chances quando não têm a cidadania europeia. Foi uma oportunidade bacana para viver um novo país e ganhar mais vivência".
Campeão da Libertadores e Mazembe
Após um começo promissor na Espanha, ele sofreu uma lesão e perdeu espaço no elenco. Depois, foi emprestado ao Xerez, que havia acabado de subir para a elite, na temporada seguinte. Renan voltou ao Brasil em 2010 para o Inter. Titular na reta final da Libertadores, ele venceu a taça pela segunda vez na carreira após derrotar o Chivas, do México, na decisão.
"Foi muito especial porque voltamos Sóbis, Tinga e eu na janela da Europa. Tinha outros clubes interessados, mas dei prioridade ao Inter. Foi marcante porque estava jogando e realizei o sonho de infância com os meus pais no Beira-Rio vendo meu jogo".
"Chivas era um time muito bom e o primeiro jogo era em gramado sintético fora de casa. Eles tinham uma invencibilidade muito grande, mas conseguimos a vitória. Foi importante porque na volta começamos perdendo antes de virar o placar. Agora com jogo único na final será difícil acontecer um time vencer dentro do próprio estádio".
Na disputa do Mundial no fim do ano, porém, o arqueiro viveu uma grande desilusão após perder a semifinal para o surpreendente Mazembe, do Congo.
"Nunca um brasileiro tinha ficado de fora da final. Foi muito dolorido porque tinha uma expectativa muito grande porque havíamos derrotado o Barça antes. Infelizmente não conseguimos. Se estivéssemos jogando até hoje não teríamos feito um gol no Mazembe porque a bola batia na trave e as coisas não aconteciam. Eles chegavam e conseguiram fazer os gols. Mas isso não apaga o que fizemos em Sul-Americana e Libertadores. Foi uma década especial e vencedora".
O goleiro ficou até 2012 no Inter antes de se transferir par ao Goiás, no qual ficou por cinco anos.
"Foi um projeto muito bacana em um clube muito organizado e marcante. Fui feliz demais no Goiás. Depois, fui para o Ceará, mas não consegui ajudar como gostaria porque sofri uma lesão no joelho e o Éverson vivia uma grande fase".
Nova carreira como treinador
Ele ainda passou por São Bento e ficou sete meses parado antes de ir para o Esportivo, no qual foi campeão do interior do Gaúcho. Depois, defendeu Pelotas-RS e Paraná até jogar as duas últimas temporadas pelo Marcílio Dias-SC.
"Desde que saí do Ceará vi que não poderia mais jogar em alto nível e vim me preparando. Fiz cursos e conversei com muitos treinadores que trabalhei. Fui entendo como era a função de gestor de atletas. Fiz um estágio no Inter e outro no Barra, que me convidou para ser técnico individual dos jogadores".
Após dois meses, ele virou auxiliar do Barra FC antes de ser chamado há dois meses para comandar o time sub-17. Na decisão, Renan enfrentará a Chapecoense.
Ex-goleiro concedeu entrevista ao ESPN.com.br
"O clube tem uma parceria com o Hoffenheim, da Alemanha, e está construindo uma estrutura ótima. Eles querem virar uma referência em formação. É muito importante começar pela base para poder dar um salto para os profissionais ter um conhecimento muito maior. Quero evoluir rapidamente e criar meu estilo de trabalho".
Agora, Renan espera ganhar experiência e alçar voos maiores no futuro.
"Peguei ideias de treino quando estava na Europa e queria até fazer estágios, mas não consegui por causa da pandemia. Precisei parar de jogar para poder terminar o curso da CBF. Tenho vontade no futuro de pegar mais informações do futebol europeu e ser treinador de times profissionais", afirmou.
