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'Ele é fora da curva, mas...': Ex-Palmeiras revela por que se posicionou contra subida de fenômeno da base ao profissional

Gabriel Silva, sensação do sub-20 do Palmeiras, está relacionado para a partida contra o Cuiabá, nesta terça-feira, pelo Campeonato Brasileiro


Nesta terça-feira, um Palmeiras ainda de ressaca pela conquista da Conmebol Libertadores volta a campo pelo Campeonato Brasileiro, às 22h (de Brasília), contra o Cuiabá, pela 36ª rodada da competição.

Como a maior parte do elenco ganhou folga, assim como o técnico Abel Ferreira, serão usados diversos reservas e também crias da base palestrina. Entre os relacionados para a partida no Mato Grosso, aparece o atacante Gabriel Silva, sensação da equipe sub-20 do Verdão.

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Gabriel já é velho conhecido da torcida palestrina, já que subiu para o profissional ainda muito novo, na temporada 2020, acumulando até o momento 24 partidas pelo time adulto.

No início da temporada 2021, aliás, ele se destacou ao marcar um gol em clássico contra o Corinthians, pelo Campeonato Paulista, mas depois não conseguiu realizar boas atuações e acabou retornando à base para disputar os torneios da categoria sub-20.

Quem conhece o talento do garoto de 19 anos garante que ele tem um "potencial fora da curva", - prova disso são seus ótimos números, com 23 gols e 5 assistências em 25 partidas pelo sub-20. No entanto, também há o entendimento que o atleta ainda precisa evoluir em "questões de comportamento".

É o caso do técnico Wesley Carvalho, que foi multicampeão na base do Palmeiras durante sua passagem de vários anos pelo clube e que lapidou, além de Gabriel Silva, nomes como Danilo, Patrick de Paula, Gabriel Menino, Wesley e Gabriel Veron, hoje todos consolidados no profissional alviverde.

Em entrevista ao ESPN.com.br, Wesley cobriu Gabriel de elogios e salientou que ele não se firmou no profissional ainda por ter subido muito jovem, o que "virou sua cabeça".

Com profundo conhecimento sobre o atacante, Carvalho inclusive fez recomendações do que fazer para que Silva exploda de vez no time adulto do Palmeiras.

"O Gabriel é um jogador diferente. Ele tem um potencial técnico e tático que é fora da curva, mas também tem algumas questões de comportamento", salientou o treinador, que deixou o Palestra Itália no final de agosto.

"Ele tem que ser desafiado o tempo inteiro. É um garoto que foi ao profissional muito cedo e isso virou a cabeça dele. O Gabriel não foi muito bem nos jogos que entrou, perdeu alguns gols e voltou para a base. Fez um excelente Brasileiro sub-20, inclusive com golaço dando chapéu no goleiro. É o jogador que melhor finaliza na base, usa perna esquerda e direita sem dificuldade. Mas se estiver muito fácil para ele, não está bom", observou.

"Ele gosta de dificuldade e de ser testado o tempo inteiro. Precisa ter paciência e conversar. Os meninos brincavam que ele era 'Gabriel Maluquinho'. Você precisa tentar entender a cabeça dos garotos e tirar o melhor deles, senão eles ficam pelo caminho ou desistem de jogar futebol. Nem tudo o que empolga um atrai os outros, ou atrai o Gabriel. É diferente para cada atleta", explicou.

Wesley Carvalho lembrou um episódio ocorrido durante a pausa no futebol brasileiro durante a pandemia de COVID-19, em 2020, para ilustrar a personalidade diferenciada de Gabriel Silva.

"Na pandemia em 2020, estávamos fazendo alguns treinos teórios e cognitivos por meio de computador e home office. Ele não participou de nenhum! Eu ligava e ele sumia. Quando voltou o futebol, o profissional pediu para usar o Gabriel e eu disse que discordava, porque ele não estava merecendo ser premiado", revelou.

"Disseram que queriam mesmo assim e eu fui claro: 'Se quiserem levar, serei sincero e direi que discordo'. Na sequência, liguei para o Gabriel e disse: 'Deixa eu te falar uma coisa. Antes que alguém te falei, falarei eu, porque sou sincero e direto. Eu fui contra sua ida para o profissional, mas você vai mesmo assim, então aproveite. Tome juízo'", relatou.

"Ele ficou me ouvindo e eu continuei: 'Outra coisa importante: você está tendo uma oportunidade ímpar de mudar a vida da sua família, melhorar seu salário e ter uma renovação com valorização. Você tem que valorizar isso!'. Aí ele me respondeu: 'Ah, professor, não estou preocupado com isso, não... Dinheiro não é tudo na vida, né?' (risos)", sorriu Wesley.

"Eu pensei um pouco e respondi: 'Pior que você tem razão... Tem outras coisas mais importantes, como saúde, amor, estar bem com a família'. Depois que encerramos a ligação, eu fiquei pensando que usei o argumento de que o dinheiro podia mudar a vida da família dele, que ele poderia ter conquistas financeiras importantes e tal. Tentei pegá-lo na contramão para que ele tivesse mais responsabilidade, mas ele quebrou minhas pernas (risos)", brincou.

"Esse é o Gabriel!", finalizou o treinador.