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Ex-Palmeiras lembra bronca que mudou Patrick de Paula: 'Você é a única salvação da sua família e corre menos que o moleque que tem tudo'

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Patrick de Paula fala da amizade com Deyverson e diz que atacante era inspiração: 'Nascido e criado junto' (1:18)

Meio-campista contou como é relação com Deyverson e diz que dupla quer 'honrar o bairro' (1:18)

Patrick de Paula levou bronca histórica do técnico Wesley Carvalho no sub-20 do Palmeiras e mudou postura


Nesta quarta-feira, o Palmeiras recebe o Atlético-GO, às 20h30 (de Brasília), no Allianz Parque, pela 31ª rodada do Campeonato Brasileiro.

Para conquistar a 6ª vitória seguida na competição, o técnico Abel Ferreira conta com o meio-campista Patrick de Paula entre suas opções.

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Promovido ao time profissional do Verdão em 2020, o garoto foi extremamente importante na temporada passada, batendo inclusive o pênalti que deu o título do Campeonato Paulista ao Alviverde em cima do arquirrival Corinthians.

Em 2021, por sua vez, o prata-da-casa alternou momentos bons e ruins, mas acabou sendo decisivo nas quartas-de-final da Conmebol Libertadores, fazendo gols nos jogos de ida e volta contra o São Paulo.

Com toque de bola refinado na perna e chute preciso de fora da área, o meio-campista também é frequentemente criticado por muitas vezes mostrar uma postura um pouco passiva em campo. Em clássico recente contra o Timão, por exemplo, foi criticado de forma forte por Abel Ferreira por ter perdido dividida simples no lance do 1º gol alvinegro.

Essa questão, inclusive, é algo que acompanha Patrick de Paula desde que ele chegou ao Palmeiras, após ser descoberto pelo clube paulista na disputa da Taça das Favelas, no Rio de Janeiro, em 2017.

Em entrevista ao ESPN.com.br, o técnico Wesley Carvalho, ex-comandante do sub-20 do Verdão e treinador que moldou o camisa 5 para o profissional palestrino, fez muitos elogios a Patrick, mas salientou que, algumas vezes, o atleta precisa levar uma bela bronca para "acordar".

"O Patrick de Paula é uma fera! É o 'jogador-raiz' brasileiro. Chegou ao Palmeiras como meia e começou na base com 17 anos, só que ele não chegou a jogar tanto no sub-17. Era um jogador 'tiriça', um 'inhaca', como dizemos no futebol. Só queria saber de dar caneta e chapéu e caminhar em campo", recordou Wesley.

"Quando ele chegou ao sub-20, levamos o Patrick para o torneio de Terborg, na Holanda e ele foi um dos destaques, fez três gols na competição. Foi um torneio forte, jogamos contra o Liverpool na 1ª fase. Só que, no último jogo, a final contra o Midtjylland, eu fiquei bem irritado, porque ele estava caminhando em campo. A gente ainda ganhou por 1 a 0, com gol dele, por ironia. Aí, quando voltamos ao Brasil, tive uma conversa bem séria com ele", contou.

As palavras de Wesley Carvalho mudariam muito a postura do meio-campista na base palmeirense.

"No elenco do sub-20, eu tinha o Léo Passos, atacante que hoje está no América-MG. Ele fala inglês, estudava, tinha carro do ano e morava em apartamento próprio. Tinha uma estrutura familiar muito boa. Já o Patrick tinha vindo da Taça das Favelas, no Rio, e de uma família muito humilde. Eu chamei o Patrick e disse: 'Vem cá... Como é que você, que não tem a mesma estrutura do Léo Passos, não corre em campo?'", rememorou.

"Ele ficou me olhando com aquela cara e eu continuei: 'Patrick, você é a única salvação da sua família! Não entra na minha cabeça que você corre menos que o Léo. Como é que o Léo, que já tem estrutura montada, tem mais vontade de correr em campo que você? Consegue me explicar isso?'", seguiu.

"O Patrick me olhou com muita atenção e eu continuei a bronca: 'Aqui todo dia é como se fosse uma final de Copa do Mundo para você! É onde você vai mudar a vida da sua família. Não entra na minha cabeça que o Léo tenha mais vontade do que você para jogar bola!'", completou.

A bronca veio seguida também de uma mudança de posicionamento de Patrick de Paula em campo, para que ele passasse a se esforçar mais do que atuando como meia-armador.

"Eu tirei o Patrick da ligação e o coloquei de 2º volante. Depois, recuei ainda para 1º volante. Eu via que ele tinha bom entendimento de jogo, ótimo passe longo e velocidade. Só precisava saber usar isso. No início, ele relutou um pouco e não queria. Depois, viu que foi bom para ele, porque arrebentou e chegou ao profissional", celebrou Wesley.

Foi atuando na nova posição que Patrick teve seu contato inicial com o técnico Vanderlei Luxemburgo, ainda em 2019, antes do veterano treinador assumir o Palmeiras em 2020.

"Teve uma partida contra o Vasco na semifinal do Brasileirão sub-20 que vencemos por 1 a 0, com um golaço de falta do Patrick. O Luxemburgo, que estava comandando o profissional do Vasco e tinha ido ver o sub-20 para procurar jogadores, assistiu à partida e ficou impressionado", relatou Carvalho.

"Quando chegou 2020, a diretoria do Palmeiras decidiu que queria prestigiar a base e, quando falaram isso para o Luxemburgo, ele adorou a ideia, porque já tinha visto vários dos garotos bons do Palmeiras jogarem no sub-20. Foi por isso que, logo que ele chegou, pediu para subir atletas como Patrick de Paula, Gabriel Menino e Wesley", finalizou Wesley.

O resto é história...