Igor Thiago: o atacante que perdeu o pai cedo, trabalhou em obra para ajudar mãe e foi cotado em outra seleção

"A gente já passou muita fome, de não ter o que comer". A frase é forte para qualquer um, mas, na vida de Igor Thiago, foi só mais um obstáculo até transformar em realidade o sonho de vestir a camisa da Seleção Brasileira em uma Copa do Mundo.

O atacante é personagem da série que a ESPN publica a partir deste domingo (7), com a trajetória de jogadores do Brasil que foram convocados por Carlo Ancelotti e estarão no Mundial de 2026. Para Igor Thiago, um dos capítulos mais felizes de uma vida que o desafiou desde cedo.

Nascido em Gama, no Distrito Federal, Igor era somente um jovem de 13 anos quando perdeu o pai, uma notícia devastadora para a família e que mudou sua trajetória para sempre.

"Ele viu que minha mãe ficou sobrecarregada, então pegou uma responsabilidade para ele, de dizer: mãe, eu vou conseguir, vou lutar pela gente", conta a irmã Ranielly, à ESPN.

"Ele pegava um carrinho de mão e ia para a feira", completou o irmão Junior, ao lembrar um dos "bicos" que Igor precisou fazer para ajustar a sustentar a casa.

Bem antes de brilhar no futebol, o futuro atacante da Seleção atuou como servente de pedreiro para pagar as contas que só se acumulavam na residência. O futebol, claro, ainda era um sonho, embora tenha ficado por um tempo em segundo plano.

"Ele nunca abriu mão de serviço nenhum. Às vezes me dava uma dó porque ele chegava em casa com a mão cheia de calo, de bolha. Mesmo assim, ele falava: vou conseguir", conta Dona Diva, mãe de Igor Thiago.

O tempo passou. As coisas aos poucos foram caminhando. Até que o futebol voltou a abrir portas. Do interior do Panamá, uma chance de defender o Cruzeiro na Série B do Brasileirão. Dez gols depois, ele já se mudaria para o Ludogorets, principal time da Bulgária.

O destaque por lá foi tão grande que Igor Thiago conseguiu um passaporte local e foi cotado até para defender a seleção búlgara, algo que ele não cogitou. O sonho, mesmo que distante, ainda era o amarelo do Brasil, que só viria a se realizar anos depois.

Antes, uma temporada de sucesso no Club Brugge, da Bélgica, e uma transferência milionária para o Brentford. Logo na estreia, porém, uma lesão no menisco, o que atrasou sua adaptação à Premier League. Sorte dos zagueiros, que só precisaram se preocupar com ele meses depois.

Igor Thiago deslanchou a partir desta temporada, ao se tornar o primeiro com mais gols em uma temporada do Campeonato Inglês e também o vice-artilheiro da competição, atrás somente de Erling Haaland, do Manchester City. Daí à vaga na Seleção de Carlo Ancelotti, foi automático, o que o emociona.

A lembrança do pai é eterna.

"Minha família vem de muito pouco. Meu pai foi a maior inspiração da minha vida. Não gosto muito de falar dele porque sinto muita falta. Um cara sensacional, que me ensinou a ser o homem que eu sou hoje", falou o artilheiro, sem esquecer da família.

"Eles foram meu alicerce, minha motivação e minha energia para poder lutar".