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Como foi a bronca histórica de Alex que mudou o rumo da carreira de Zé Rafael, hoje destaque do Palmeiras

Nesta quarta-feira, o Palmeiras visita o Delfín em busca de um grande resultado no jogo de ida das oitavas de final da Conmebol Libertadores.

Um dos grandes destaques da equipe palestrina sob os comandos de Andrey Lopes e Abel Ferreira é o meio-campista Zé Rafael, que vive seu melhor momento com a camisa alviverde.

Protagonista em várias partidas da ótima fase do Verdão, o atleta também foi elogiado por Abel por ter jogado no "sacrifício" em algumas partidas, já que sentia dores no tornozelo.

Não à toa, o treinador português apontou Zé como um possível capitão do Palmeiras no futuro, já que sua postura em campo vem sendo exemplar.

Para se tornar o líder que é hoje, o paranaense de Ponta Grossa precisou tomar uma bronca daquelas quando estava iniciando sua carreira, em 2013, no Coritiba.

À época, Zé Rafael era apontado como grande promessa no Couto Pereira, principalmente depois de arrebentar na Dallas Cup, um dos mais tradicionais torneios de base do mundo, em 2012.

O meio-campista fez cinco gols no torneio, e se destacou principalmente na grande final contra o poderoso Manchester United, como a ESPN mostrou em reportagem de 2019.

Segundo conta o ex-meia Alex, porém, ao retornar da competição nos Estados Unidos, Zé mostrou postura um tanto acomodada no Coxa, e precisou levar um puxão de orelha.

"Em 2012, eu acertei meu retorno ao Coritiba e o Zé Rafael já fazia parte do elenco. Como eu ainda não podia jogar, fiquei treinando com a molecada. Voltei na pré-temporada de 2013 e o Zé estava treinando com o grupo principal. Tecnicamente, eu vi que ele já se sobressaía, além de ter uma força muito boa. Só que ele tinha um problema, como a maioria dos jovens tem... Trabalhava pouco", lembrou o ex-jogador, em entrevista à ESPN.

"E aí teve uma história boa: uma vez, acabou um treino e a gente foi lá fazer o trabalho extra, enquanto ele pegou as coisas e foi embora. Quando vimos o Zé saindo, nós, os jogadores mais velhos, o chamamos de volta para treinar", contou.

"Nós nos reunimos e explicamos para ele: 'Zé, você tem muito potencial. Mas se trabalhar num nível baixo, você vai ficar no meio do caminho... Se trabalhar alto, o futebol vai sorrir para você, porque qualidade você tem de sobra'. Ele nos ouviu e, daí em diante, começou a treinar de verdade", exaltou.

Alex diz que aconselhou Zé Rafael da mesma forma que foi "ensinado" por grandes referências do futebol com quem jogou junto na carreira.

"O Zé Rafael e os companheiros dele tinham muita moral no Coritiba, porque tinham sido campeões da Dallas Cup. Então, naturalmente havia muita expectativa em cima da geração deles. Por isso eu falava para ele procurar treinar o máximo que desse, pois qualidade ele tinha. O que a molecada não sabe é que tem que trabalhar", observou.

"E eu falo isso porque passei por essa fase também. Quem me ensinou o valor do trabalho duro foram os jogadores do Palmeiras, como César Sampaio, Zinho, Arce...Eles me ofereceram essa situação que o Zé depois pegou no Palmeiras, com caras como Edu Dracena, Felipe Melo... São caras velhos, mas campeões, e ele viu que teria que correr atrás para atingir o nível desse pessoal", argumentou.

O hoje comentarista da ESPN Brasil também elogiou a personalidade de Zé Rafael, especialmente sua tranquilidade.

"Ele é um bom menino. Começou a melhorar depois desse bronca forte que ele levou naquele dia no Coxa (risos)", brincou.

"O Zé se dá bem com todo mundo. Não é um cara espalhafatoso, mas também não é tímido. Fora de campo, também tem uma vida muito boa. É casado e pai, vive muito em função da família. Tem personalidade e qualidade. Para mim, tem grandes chances de seguir fazendo sucesso no Palmeiras", finalizou.

Na atual temporada, o meio-campista soma 38 jogos pelo Verdão, com 4 gols e 5 assistências.