Napoli e Milan, que se enfrentam pelas quartas de final da Champions League, nesta terça-feira (18), às 16h (de Brasília), protagonizaram grandes duelos entre as décadas de 80 e 90 na Itália. A equipe do sul, que tinha nomes como Maradona, Careca e Alemão, conseguiu ser bicampeã do Campeonato Italiano (1987 e 1990) e bater de frente com o esquadrão rossonero do técnico Arrigo Sacchi, que venceu duas vezes o principal título europeu.
Um dos jogadores que conseguiu cravar seu nome na história do confronto foi Andrea Carnevale, que defendeu o time napolitano entre 1986 e 1990. O ex-atacante, que jogou a Copa do Mundo de 1990 pela Itália, tinha fama de ser carrasco dos rubro-negros.
"No meu tempo, o time do Napoli era muito bom, mas o Milan era insuperável, extraordinário, recheado de estrelas. Nós tivemos a sorte de vencer o Scudetto em 1989/90, mas aquele time do Milan era fortíssimo! Estamos falando de Gullit, Van Basten, Ancelotti, Maldini, Baresi... Só campeões estratosféricos! Era o grandíssimo Milan! E eu devo dizer que tinha sorte, pois toda vez que cruzava com o Milan fazia gols (risos)... Podemos dizer que eu era o 'terror' do Milan, pois fiz muitos gols decisivos em cima deles", relembrou Carnevale, em entrevista à ESPN.
A atuação mais lembrada do atacante foi na vitória napolitana por 3 a 0 no estádio San Paolo, em 30 de setembro de 1989, em duelo válido pela 7ª rodada do Campeonato Italiano 1989/90.
"Eu fiz dois gols e o Maradona fez o outro, depois terminamos como campeões. Todo Napoli x Milan era extraordinário. Há 33 anos, eram as duas equipes mais fortes da Itália, e nós ganhamos o Scudetto porque, digamos assim, tivemos a sorte de ter um certo Diego Armando Maradona do nosso lado (risos). Mas o Milan era uma equipe fantástica, só tinha grandes campeões", contou.
Tanto é que, em outros jogos, o time rossonero deixou uma lembrança amarga em Carnavale. Em 1988, o Napoli liderava o Italiano com cinco pontos de diferença para o 2º colocado, mas perdeu por 3 a 2 para o Milan - pela 28ª rodada - e terminou sem o bicampeonato.
Pelo clube napolitano, o ex-atacante venceu a Copa da Uefa, Serie A e a Copa da Itália. Foram 47 gols em 153 partidas.
"O Napoli joga o melhor futebol de toda a Europa"
Curiosamente, nem mesmo o Napoli mais vitorioso de todos os tempos conseguiu o feito da equipe atual, que chegou pela 1ª vez às quartas de final da Champions. Mesmo assim, Carnevale acredita que o timaço dos anos 80 era era mais brilhante do que os comandados pelo técnico Luciano Spaletti.
"O time de hoje é uma grande equipe. É um elenco que Spalletti soube formar e potencializar. São todos ótimos jogadores, mas não há jogadores extraclasse como na minha época. Do meu tempo, estamos falando de jogadores muito acima da média. Falamos de Careca, Alemão, Maradona, Salvatori Bagni, que também era um jogador grandioso. Nosso time era formado de absolutos campeões. Já o time de hoje podemos chamar de equipe construída. Joga muito bem, e Spalletti soube dar espessura tática e, sobretudo, técnica. É uma equipe que claramente joga por memória, pois possui excelentes jogadores", argumentou.
"Atualmente, é o time que joga o melhor futebol da Itália e de toda a Europa. Quando o 'futebol Napoli' funciona, o time vai bem mesmo sem jogadores como Osimhen. A equipe conseguiu ter um bom padrão no jogo de ida (da Champions) em Milão. É algo extraordinário, e mostra como esse elenco tem personalidade. Além disso, é um time que não tem medo de jogar, os atletas todos têm personalidade. A maravilha do Napoli atual é a sintonia que Spalletti soube dar aos jogadores e a essa equipe", acrescentou.
O Napoli lidera o Campeonato Italiano com 22 pontos de vantagem para o Milan, atual 4º colocado, mas perdeu os dois últimos duelos para os rossoneri: 4 a 0 pela Serie A, em pleno Diego Armando Maradona, e 1 a 0 pela Champions League, no San Siro, em Milão. Além disso, precisará superar a pouca tradição em competições da Europa contra um clube sete vezes campeão continental.
"O fato do Milan possuir uma sala cheia de troféus de nível internacional joga a favor deles. Aqui na Itália dizemos: o Milan tem muito mais experiência a nível internacional, e isso pode ser uma grande vantagem quando se jogam duelos de ida e volta. Por que digo isso? Se nós assistirmos novamente ao jogo que aconteceu em Milão, a primeira coisa que podemos notar é que o árbitro não teve uma boa atuação, segundo meu ponto de vista. Mas, a nível de experiência, o Napoli caiu em uma armadilha", observou Carnevale.
"Entendo que, apesar do Milan ter essa vantagem de experiência, a equipe respeita o Napoli. Jogos entre Milan e Napoli sempre possuem esse nível internacional, são muito difíceis", complementou.
Nesta terça-feira, no estádio Diego Armando Maradona, o Napoli terá o importante retorno do centroavante Victor Osimhen, que ficou de fora do duelo de ida. O nigeriano, que é o artilheiro do Calcio, com 21 gols marcados, é um dos destaques do time ao lado do atacante Khvicha Kvaratskhelia, o popular Kvara.
"Não tenho dúvidas que o Napoli pode se classificar. Posso dizer que conheço um pouco o ambiente napolitano (risos). Estive no jogo entre Napoli e Hellas Verona [0 a 0, no último sábado (15)], e o estádio estava esvaziado, porque o Napoli está com uma vantagem muito grande (no Italiano), e o povo de Nápoles está esperando essa partida contra o Milan, porque é um evento no qual toda a cidade se abraça com o time", salientou.
"Eu prevejo que aqui a torcida irá fazer um corredor fantástico para receber o time, o que fará o Napoli jogar melhor, tanto a nível anímico quanto físico e tático. E o regresso de Osimhen também ajuda muito, pois ele é importante demais para o Napoli", finalizou.
