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Esperança no Ceará, Mendoza já foi cortejado pelo Chelsea e jogou com astro que o impressionou: '38 anos, cheio da grana e corria igual menino'

Stiven Mendoza é a esperança do Ceará para bater o São Paulo nas quartas da Copa Sul-Americana


Nesta quarta-feira (10), o Ceará recebe o São Paulo, na Arena Castelão, às 19h30 (de Brasília), pelo jogo de volta das quartas de final da Copa Sul-Americana.

Para reverter a derrota por 1 a 0 no jogo de ida e buscar a classificação às semis, o Vozão conta com o atacante Stiven Mendoza, principal destaque da equipe no ano: 18 gols e 2 assistências em 40 partidas.

Revelado pelo Envigado, clube que é dono de uma das canteras mais tradicionais do futebol colombiano, "Speedy" chamou a atenção do futebol logo no início de sua carreira.

Ele foi convocado pela seleção de seu país para a disputa do Mundial sub-17 de Fifa de 2009 e teve grande participação no torneio, despertando a cobiça dos clubes do "Velho Continente".

Neste torneio, o grande favorito era o Brasil, que levou artilharia pesada entre os convocados. Entre os convocados, apareciam nomes como Alisson, Casemiro, Philippe Coutinho e Neymar.

No entanto, a equipe canarinho fez campanha vexatória, sendo eliminada ainda na fase de grupos. A Colômbia de Mendoza, por sua vez, fez grande torneio, caindo apenas nas semifinais para a Suíça, que seria campeã.

"Aquele Mundial foi muito legal, uma experiência linda para todos nós", recordou o hoje destaque do Ceará, em entrevista à ESPN.

"Nossa preparação foi toda feita na Espanha, e depois fomos para a Nigéria, onde foi o torneio. Foi uma mudança muito drástica sair da Europa e ir para a África. Deixou uma impressão muito marcante em todos nós, ver aquela pobreza foi muito duro. Mas, depois que começou o Mundial, eram só campos e estádios muito bons, e foi uma experiência linda", recordou.

Mendoza iniciou o torneio na reserva, mas, depois de entrar no lugar do volante Cuéllar (que jogou no Flamengo), não perdeu mais a posição na linha de frente dos cafeteros.

"Eu comecei no banco, mas fui muito bem no primeiro jogo, no qual vencemos a Holanda por 2 a 1. Depois, me tornei titular e fui muito bem. Tínhamos um time muito bom e fizemos uma grande competição, terminamos em 4º lugar. Para nós foi ótimo, ainda mais porque o Brasil, que era o favorito, caiu cedo, mesmo com tantos craques", salientou.

"Perdemos para a Suíça do Seferovic na semifinal. Engraçado que no time deles só havia carecas. A gente dava risada e perguntava: 'Esse time é mesmo sub-17?' (risos). Depois perdemos a disputa do 3º lugar para a Espanha do Isco e do Morata. O Isco jogava muito, inclusive fez o gol da vitória deles por 1 a 0", lamentou.

Como costuma acontecer depois de torneios de base da Fifa, os grandes clubes europeus foram com tudo para cima dos destaques do Mundial sub-17 de 2009. E, com Mendoza, não foi diferente.

De acordo com o atacante, um dos times que o "namorou" foi o Chelsea, da Inglaterra. No entanto, as conversas não evoluíram, e Stiven permaneceu no futebol de seu país.

"Chegaram propostas da Europa depois desse torneio, mas nenhuma deu certo. A primeira oferta eu lembro que foi do Saint-Étienne, da França, e logo em seguida o Chelsea foi atrás. Nunca ninguém me falou por que não deu certo, mas acho que os caras queriam mais dinheiro, aí não aconteceu", salientou.

Impressionado com Lampard na MLS

Após passar por Chennaiyin FC, da Índia, e Corinthians, "Speedy" teve a chance de jogar no New York City FC, da MLS, em 2016.

Na equipe norte-americana, o colombiano teve a chance de atuar ao lado de três lendas do futebol europeu: os meio-campistas Andrea Pirlo e Frank Lampard e o atacante David Villa.

Dos astros com quem conviveu, Mendoza é direto e reto ao apontar quem mais o impressionou.

"O Lampard! Quando eu cheguei ao clube, havia caras como Villa e Pirlo, e a gente aprendia muito com eles. Mas, quando vi o Lampard, foi ele que me deixou de queixo caído", relatou.

"Muita gente não vai gostar do que eu vou falar, mas ele era mais profissional que os outros. Não que os outros não fossem, mas o Lampard era uma doideira! Ele chegava três horas antes do treino e trabalhava muito", contou.

"Um cara diferenciado. Aprendi muita coisa com ele. Um jogador que tinha 38 anos e corria igual menino. Eu pensava: 'O cara é cheio da grande, ganhou tudo e continua treinando bem e se alimentando bem'. Quem quer jogar no futebol europeu tem que pegar o exemplo de como caras como ele se alimentam e treinam", explicou.

Para "Speedy", não foi à toa que "Super Frank" foi um sucesso arrebatador na MLS, registrando 12 gols em 21 partidas pelo New York City FC na temporada 2016 do torneio.

"Teve um momento que ele ficou umas quatro ou cinco partidas sem jogar, e nisso o Villa tinha nove gols. Quando o Lampard voltou, ele fez mais gols e passou o Villa! O Lampard tinha um problema na panturrilha, então tinha que parar e depois voltava. Mas, quando estava bem, ele sobrava, jogava muito", elogiou.

"Foi muito legal jogar com os três. No nosso time, havia caras que tinham vindo do futebol universitário e não estavam nem aí, só queriam jogar e ganhar dinheiro. Deram bobeira, porque não aprenderam nada, e era uma chance única estar ao lado de caras desse nível", encerrou.