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Presidente do Fluminense diz por que demitiu Diniz após renovar e cita torcida: 'Precisa parar de sangrar'

Fernando Diniz não é mais técnico do Fluminense. O comandante campeão da CONMEBOL Libertadores e da CONMEBOL Recopa acabou demitido um dia após a derrota para o Flamengo. Nesa terça-feira (25), em entrevista coletiva, Mario Bittencourt falou sobre a demissão.

Em longo desabafo, o presidente do clube carioca começou explicando a renovação com o treinador, que aconteceu pouco mais de um mês antes da decisão por encerrar o trabalho.

"Quando fiz o alongamento do contrato dele, que era até dezembro de 24, esticamos para 25. Fizemos tentando dar longevidade aos treinadores do Fluminense. O Fernando é o treinador mais longevo no Fluminense no século 21. É o que ficou mais tempo, o segundo é o Abel Braga. Curiosamente, os dois que mais apresentaram resultado nesse período. O tempo faz com que tenhamos bons resultados."

Mario Bittencourt reiterou a vontade de dar sequência ao trabalho vitorioso de Diniz e relembrou os pedidos dos torcedores para prolongar por muitos anos o vinculo do campeão da América.

"Quando acabou a Libertadores, recebia centenas de mensagens, para que o contrato fosse renovado por 10 anos, e eu respondia que a legislação não permitia, no máximo por dois anos, com prazo determinado. Nessa renovação, pra vocês verem como me preocupo, fiz até o final do meu mandato. Acreditava que o trabalho voltaria a dar resultados. Fizemos a extensão do contrato até 25, acreditando que podíamos ter a performance, não só o resultado."

Porém, seis meses depois da conquista da Libertadores e um pouco menos após a taça da Recopa, o Fluminense passou a oscilar. No Campeonato Brasileiro, uma vitória apenas em 11 jogos e a lanterna da competição com seis pontos.

Para o presidente do clube, não há uma derrota ou um número específico que fizeram a diretoria optar pela demissão de Diniz, mas sim uma avaliação de um trabalho como algo mais abrangente.

"Quais motivos fizeram então romper? Não existe um número de derrota, uma derrota específica, existe uma avaliação técnica do trabalho na temporada. Falando português claro: já era meio ano, tentando reencontrar um elo, uma performance. A gente conversava isso com o Fernando. Chega um momento... futebol tem trabalho, tem dia a dia, tem resultado, tem ambiente. Nosso ambiente interno fala por nós, a despedida do Fernando foi um dos momentos mais emocionantes que já vivemos aqui, uma despedida muito bonita. Estávamos tentando encontrar um caminho."

Por fim, Mario Bittencourt relembrou o elo criado entre Diniz e o Fluminense, citou a torcida como o bem maior do clube, acima de diretoria ou treinador, e que a mudança se dá para fazer com que os tricolores parem de 'sofrer' e 'sangrar'.

"Não há nada mais importante que o Fluminense, não é o Mario, não é o Diniz, somos instrumentos para fazer o Fluminense brilhar. Como comandante do clube neste momento, decisão interna, consenso na diretoria, tentamos resgatar performance... O clube e a torcida são as mesmas coisas, precisamos encontrar caminhos para o time voltar a vencer, para nossa torcida parar de sofrer e de sangrar. A torcida não está contra nós, ela sofre, ela sangra. É uma posição difícil, ter que tomar uma decisão, fazer um rompimento doloroso, mas a vida é feita disso, não significa que um dia não vamos resgatar essa relação com o Fernando."

"O que tem que ficar é o que a gente construiu, mas foram dois anos e dois meses de muito sucesso. Deu certo a relação Fluminense-Diniz, porque foi um dos motivos que fez a gente ganhar o título mais bonito da história do Fluminense até aqui", finalizou.

Pelo Tricolor, o título da Libertadores foi a grande conquista da carreira do comandante do Fluminense, que levantou o caneco pela primeira vez. Diniz ainda foi campeão carioca em 2023, título conquistado sobre o Flamengo, após sair perdendo por 2 a 0 na ida e conseguir na volta uma virada por 4 a 1. No entanto, Diniz não sustentou as pressões dos resultados ruins e, na lanterna, acabou caindo.

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