O Fluminense vive uma verdadeira crise. Nesta segunda-feira (24), pressionado pela sequência de uma vitória em 11 jogos no Campeonato Brasileiro, o Tricolor anunciou a demissão do técnico Fernando Diniz. Agora, o eterno auxiliar Marcão terá a missão de conduzir o Tricolor para fora da zona de rebaixamento, onde é lanterna, em meio às disputas de Copa do Brasil e CONMEBOL Libertadores.
Em entrevista ao ESPN.com.br, Luiz Alberto, que viveu o "Time de Guerreiros" de 2009 e escapou do rebaixamento na última rodada, afirmou que o ex-volante é o nome certo para tirar o Fluminense da atual situação.
"É um cara que conhece o clube, já demonstrou esse potencial e pegou o clube em situação complicada. Fez um bom trabalho quando o Fluminense precisou dele. Conhece bastante o elenco, sabe da história, conhece o clube. Seria legal ver a diretoria dar esse respaldo ao Marcão. Acredito que é um cara que tem competência e vai fazer um bom trabalho".
Para o ex-zagueiro, que formou dupla de zaga com Thiago Silva no Fluminense, o conhecimento que Marcão tem das estrelas do clube, como o reforço recém-chegado do Chelsea e Marcelo, faz com que saia na frente de outros nomes que poderiam assumir a equipe das Laranjeiras na atual situação.
"O Marcão conhece todo mundo, sabe todos os caminhos de clube", disse Luiz Alberto, antes de brincar sobre o incômodo que Thiago Silva já tem mesmo antes de reestrear.
"Não quero nem pensar nisso (rebaixamento). Thiago voltando, ele não merece isso. Com certeza o Thiago vai entrar, dar uma ajuda. Ele chegou para somar, vai ajudar e certeza que vai fazer o melhor que tem para tirar o time dessa situação. Com certeza ele está incomodado".
Para Luiz Alberto, o grande desafio de Marcão é resgatar a confiança do elenco, que para ele é top 3 do Brasileirão.
"O maior desafio dele será ajustar o time do Fluminense, coisa que não está. O Fluminense, se botar no papel, é um dos três melhores elencos do Campeonato Brasileiro. Se ele conseguir encaixar isso aí com os jogadores, passar para eles a importância que é, eu acho que o time do Fluminense vai sair dessa situação. Posso ser sincero para você? Eu não falo nem em questão de rebaixamento. Pela qualidade, não vou nem falar da zona, não pensaria nesta situação. Vai sair dela, vai estar no meio da tabela, vai subir".
Roteiro de 2009 se repetindo em 2024
Se em 2009 o Fluminense viveu a mescla dos experientes, como Conca e Fred, com os mais jovens, como Alan e Maicon 'Bolt', para fugir do Z-4, em 2024, para Luiz Alberto, não será diferente.
O ex-zagueiro vê o roteiro se repetir, com as duas faces do elenco se ajudando para salvar o clube da Série B.
"O Marcão é malandro, sabe lidar com essa situação. Vai misturar o estilo mais experiente, os caras que têm nome, e também vai usar a juventude. Tem que dar aquele equilíbrio. Não é só também botar a molecada e também tirar os caras que têm nome só porque a situação errada. Não funciona assim. Agora, nesse momento, é importante unir todo mundo e botar em condições de ser útil. Na hora de escalar os 11 vão entrar é equilibrar bem a equipe e os demais demais aceitarem".
'Jogar cada segundo como se fosse a final contra o Boca'
Mesmo não acreditando na queda do Fluminense, Luiz Alberto fez um aviso ao plantel atual: cada jogo tem que ser tratado como uma final e deu o exemplo da decisão da Libertadores para que os atletas levem como mantra.
"Tem salvação, está no início da competição. Tem muita coisa para rolar ainda. Eles [jofadores] têm que encaixar na cabeça que agora cada partida é decisiva. Quando você está nessa situação assim, tanto jogando fora de casa e jogando em casa, meu irmão, e visar os três pontos e jogar cada segundo como se fosse aquele jogo contra o Boca Juniors na final da Libertadores. É daí pra cima. Porque se ficar: 'Ah, não, a gente vai jogar fora ali, a gente pode empatar ou perder'. Nada disso. Pensar agora só em cima".
Reação imediata na base do 'feijão com arroz'
Para Luiz Alberto, resgatar a confiança é fundamental para o Fluminense reagir no Brasileirão. Para isso, o ex-zagueiro vê as vitórias de imediato como essenciais.
E quem vivenciou a fuga do rebaixamento em 2009 vê o "feijão com arroz" pautado na concentração o grande pilar para a recuperação.
"A reação tem que ser imediata. Não pode ficar naquele marasmo achando que, pela qualidade que tem, pelos jogadores que tem, o nome que tem, vão vencer a partida com essas estrelas. Não é assim. Tem que correr, tem que dar chutão, tem que chegar mais firme. Na hora de estar ganhando de 1 a 0 e está apertado, está no final da partida, é dar um passinho para trás e fechar a casinha e não tomar gol do empate. É assim que tem que ser daqui pra frente".
"Cada jogo é uma decisão. Em 2009 foi assim. Cada jogo era um jogo, cada jogo o pensamento era um só: os três pontos, acabou. Vitória. Não tem outra coisa. Não tem que pensar empate, não tem derrota. 'Ah, vamos lá jogar contra o Palmeiras'. Chega lá e um empatezinho está bom. Não, chega lá e tem que ganhar o Palmeiras, pronto. Dá um jeito. Entra em campo, monta o negócio direitinho. Fez um golzinho? Vamos jogar para não tomar gol, pronto, 1 a 0. Ótimo. É ganhar, Não tem outro jeito", finalizou.
Próximos jogos do Fluminense:
Vitória (C): 27/6, 19h (de Brasília) - Brasileirão
Grêmio (F): 30/6, 16h (de Brasília) - Brasileirão
Internacional (C) - 04/07, 20h (de Brasília) - Brasileirão
