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'43 que parecem 32': como Fábio transformou idade em apenas um número e se tornou protagonista no Fluminense

O Fluminense está na final da CONMEBOL Libertadores. Neste sábado (4), a partir das 17h (de Brasília), o Tricolor enfrentará o Boca Juniors na grande decisão no Maracanã, que terá transmissão ao vivo pela ESPN no Star+. Para chegar nesta etapa do torneio, Fernando Diniz montou um time recheado de protagonistas, a começar pelo gol.

Depois de ser mandado embora do Cruzeiro em janeiro de 2022, Fábio chegou ao Fluminense como uma aposta que logo se provou acertada. Em pouco tempo, se firmou como goleiro titular da equipe e, em 2023, suas defesas foram imprescindíveis para o time alcançar a final da Libertadores e alcançar uma importante marca para a sua carreira. Depois de se tornar o brasileiro que mais vezes atuou na história do torneio, o camisa 1 entrará em campo na Liberta pela 100ª vez justamente na final do Maracanã.

“Então, se fosse para sonhar, a gente não conseguiria nem chegar tão perto desse número e dessa possibilidade de completar 100 jogos na final, com uma grande equipe como adversário junto do nosso torcedor, no maior estádio do mundo, no Maracanã. Então é só a presença de Deus. Agradeço a todos que fizeram parte, me fortaleceram, minha família, todos que eu tive a oportunidade de trabalhar junto. É um presente de Deus mesmo”, disse Fábio à ESPN.

Campeão de todos os títulos no Brasil, Fábio terá a chance, assim como o Fluminense, de conquistar a América pela primeira vez aos 43 anos de idade. Para ele, porém, tudo isso não passa de um número qualquer.

“Eu brinco aqui com a galera que eu fiz o gato ao contrário. Na minha visão de número, eu estou com uns 35, 32, 33 (anos). Para goleiro, tem muito tempo ainda (risos). Mas é porque eu paguei esse preço de trabalhar mais. Eu tenho a facilidade de ter uma recuperação muito rápida também. Independente de eu jogar em um dia, no outro dia eu sempre treino, há muito tempo eu já faço isso”, afirmou.

“Então, isso me ajuda a melhorar. E, graças a Deus, meu biotipo também, não perdi nem força, nem agilidade. Aliado ao meu biotipo, aliado aos treinamentos, que desde muito tempo venho fazendo, e isso me favorece dentro dos jogos. A preparação que a gente tem ao longo do tempo e, graças a Deus, também, nos dando saúde para não ter lesão, que isso atrapalha demais, então isso favorece também”, completou.

Sucesso não vem à toa

Por mais que a vida de um goleiro costume ser mais longeva dentro do futebol, são poucos os que chegam aos 43 anos atuando em um nível tão alto. Isso, porém, é fruto de um trabalho que Fábio faz desde o início da sua carreira. Mesmo no dia seguinte aos jogos, o veterano não deixa de perder uma sessão sequer de treinamento, fazendo as atividades no mais alto nível possível.

“Ele está sempre no campo, não tem aquela coisa de ter o dia após o jogo, ele está junto com os outros goleiros, ele tem a rotina praticamente a mesma", disse Flávio Tenius, um dos preparadores de goleiros do Fluminense. "Eles têm, claro, um trabalho individualizado na academia, em outros departamentos e outros setores, mas ele está diariamente trabalhando junto com os outros e querendo mais ainda”.

Fisicamente, Fábio também se destaca de outros atletas em sua idade. Tendo trabalhado com o goleiro durante um longo período no Cruzeiro, Tenius explica isso com um fator preponderante: “Ele quase não teve lesão. Então acho que isso realmente muda um pouco o caminho dessa longevidade dos atletas, não só o goleiro. Acho que um dos fatores que para mim é preponderante é essa questão da lesão”.

O camisa 1 do Fluminense, inclusive, não esconde seus métodos para conseguir estar bem fisicamente. E admite que isso lhe fez pagar um preço.

“Durante a carreira, eu observei que se eu quisesse jogar mais tempo com qualidade e alto nível, eu teria que pagar o preço de trabalhar mais, de me cuidar mais, de ter essas pessoas também para me ajudar na preparação, porque sozinho é impossível. Então, é uma parceria. E a preparação de goleiro evoluiu muito ao longo desses anos. Eu acho que isso é a grande jogada na nossa posição”.

“Então, eu paguei esse preço e, graças a Deus, estou vivendo agora com 43 anos esse momento, porque tenho essa facilidade dos treinamentos, de não querer acomodar nunca. Isso daí com certeza me favorece a melhorar e melhorando nos treinamentos fico mais apto a fazer nos jogos. Não é que fica mais fácil, fica menos difícil nos jogos. E aí eu tento colocar isso em prática com muita fé e trabalho”, acrescentou o arqueiro.

Mas, apesar de admitir que faz sacrifícios desde que iniciou a carreira, o goleiro vem tendo mais prazer de estar dentro de campo, como Flávio Tenius relata ao comparar o que viu do jogador ao longo dos anos.

”Ele continua com o prazer que ele sempre teve em jogar, em treinar, principalmente. Porque eu acho que o jogo é o ápice, mas eu acho que se você não tem entendimento que você no treinamento que vai te dar condição para você performar bem, então ele está cada vez mais assim. Acho ele nem tinha tanto esse prazer de estar no campo. Eu acho que ele tem muito prazer no que ele faz e ele está sentindo que está muito mais próximo dele encerrar a carreira, eu acho que ele está sugando o máximo que ele pode dessa rotina”, admitiu.

“Eu tive a oportunidade de pegar o Jefferson agora há pouco tempo no Botafogo, encerrando de um jeito que foi mais ou menos igual, começou comigo e encerrou a carreira comigo. Então eu falava isso para ele, às vezes ele reclamava, resmungava no dia a dia da rotina. Eu falei: "um dia, quando você parar, cara, você vai me ligar e vai falar que vai ficar com saudade do que a gente fazia aqui". Acho que o Fábio entende isso”, seguiu.

“E ele está tirando o máximo do que ele pode, porque ele faz com prazer, ele sabe que treinando bem, ele vai jogar bem. Então eu acho que ele parece muito mais alegre, eu acho, do que quando eu trabalhei com ele. Não que ele não fosse alegre, mas eu acho que ele tá curtindo o futebol o máximo que pode, porque para ele é muito prazeroso. Então acho que mudou um pouquinho assim. Hoje ele está muito mais leve. E acaba transformando isso em tudo que ele faz aí nos jogos”, finalizou.

Aos 43 anos, Fábio vive como se tivesse dez anos a menos. Melhor para aqueles que apreciam seu futebol e, principalmente, para os torcedores do Fluminense, que sabem que podem contar com um grande goleiro na esperança de conquistar a Glória Eterna.

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