Fluminense e Boca Juniors decidem, neste sábado (4), às 17h (de Brasília), a final da CONMEBOL Libertadores , com transmissão ao vivo pela ESPN no Star+ . Este, porém, não será o primeiro encontro entre os dois times na história do torneio.
Ao todo, já são seis enfrentamentos, com equilíbrio nos números, com duas vitórias para cada lado e dois empates. O Tricolor tem oito gols no confronto direto contra oito dos Xeneizes.
Essa história começou em 2008. Na semifinal, o favoritismo era do Boca, bicho-papão do continente. “Era muito difícil jogar contra River e Boca nos campeonatos sul-americanos. Era um monstro que tinha que ser abatido. A gente falou bastante sobre isso. Sabíamos também que a nossa hora já estava chegando, já passou da hora de um tempo brasileiro eliminando o Boca”, lembrou Fernando Henrique ao ESPN.com.br.
Na ida, em Avellaneda, por conta de uma proteção ao Boca que tinha a Bombonera fechada, empate em 2 a 2, com gol no fim de Thiago Neves. Na volta, uma virada épica de 3 a 1 para o Flu, fazendo com que o primeiro time brasileiro desde o Santos de Pelé eliminasse os rivais argentinos.
“A gente sabia do nosso potencial, sabia que tinha muita gente torcendo contra e falando muita besteira. Isso é uma motivação a mais para os jogadores. Acho que todo mundo colocou um pouquinho a mais ali, até para calar a boca de muita gente”, disse Fernando Henrique.
No final do duelo, em entrevista coletiva, o técnico Renato Gaúcho mandou um recado direto para aqueles que duvidaram do time tricolor: “Muito prazer, Fluminense”.
“Renato sempre trabalhou isso. A gente sempre soube entender bastante o que ele passava para a gente. Em jogos importantes, ele deixava nossa equipe mais tranquila, mas sempre dava responsabilidade. Nós também sabíamos o peso que era jogar contra o Boca. Então, nesses jogos, a concentração, não tinha como, era diferente, com certeza a gente ficou mais concentrada. E deu certo. Conseguimos a vitória no Maracanã”, contornou Fernando.
Um gol inesperado de Washington
Depois de suportar grande pressão desde o primeiro tempo, o Fluminense acabou saindo atrás do placar com gol de Martín Palermo aos 12 minutos do segundo tempo. Cinco minutos depois, porém, Dodô sofreu falta frontal na interpelação. Uma posição que diversos jogadores tricolores estavam acostumados a bater. Mas quem correu para a cobrança foi um nome inesperado: Washington, o Coração Valente.
“Quando saiu a falta, era o lado que eu batia, quando saiu, eu ajeito a bola, faço tudo. Só que ele, quando o juiz apita, ele já bate a falta. E a sorte que ele fez o gol, senão ia dar briga no vestiário. Mas é verdade mesmo, porque o outro lado era dele. O lado direito era meu. Ainda bem que saiu o gol”, disse Thiago Neves.
“Na hora que ele corre com a bola, bate, na hora, eu não acredito. Mas aí sai o gol e você acaba esquecendo, porque precisava ganhar o jogo, mas na hora o sentimento passa rápido”, completou.
A surpresa, porém, não foi apenas do camisa 10 da equipe. “Você pode buscar no YouTube. Procura gols de falta do Washington. Não acha. O Washington fez o gol no trinco contra o Boca. E ali estavam o Thiago Neves que bate falta pra caramba. Tava o Conca que bate, o Thiago Silva, que tem um canhão que bate falta também. Cícero batia bem na bola”, conta Gabriel.
“O Washington pegou a bola, falou: dá aqui que eu vou bater. Um olhou para o outro. E eu estava ali no meio da confusão. Eu falei: "o Washington vai bater a falta?". Eu olhei pro Thiago, o Thiago falou: não tô entendendo. Aí ele pegou a bola e colocou no trinco. Eu olhando de trás eu não acreditei. Golaço. Saiu todo mundo comemorando. Eu encho o saco dele sempre”.
Goleiro do time, Fernando Henrique viu tudo de camarote. E também não escondeu a surpresa com o lance. “Aquele ele tirou da cartola. O Washington não batia faltas, nem treinava direito. Sempre tinha outros para bater, o Cícero batia muito bem na bola, tinha muita gente ali na frente dele”.
“Mas ele chegou com uma confiança tão grande, como se fosse bater um pênalti. E na hora que ele fez o gol, cara... Ainda bem que ele bateu, né? O Gabriel que era pra pegar a bola também, mas ele nem chegou perto. E o Washington com aquela maestria fez aquele golaço. Mas foi uma coisa inexplicável mesmo, que não estava nos planos aquilo lá não”, finalizou.
O reencontro histórico e a queda traumática
Quatro anos depois, o destino colocou os dois rivais frente a frente na fase de grupos. Na segunda rodada, o jogo na Bombonera que não aconteceu antes já estava marcado. E o Fluminense voltou a fazer história.
Com gols de Fred e Deco, o Tricolor conseguiu o 2 a 1 e se tornou um dos poucos clubes do Brasil a conseguir vencer no mítico estádio xeneize. E a torcida, até hoje, canta com orgulho que “calou La Doce na Argentina”.
O resultado ajudou o Tricolor a conseguir uma classificação antecipada na 4ª rodada, indo tranquilo para o jogo de volta contra o Boca na rodada seguinte. Mas, sem o Maracanã, os cariocas sucumbiram. Em noite esquecível, Cvitanich e Sánchez Miño marcaram os gols da vitória por 2 a 0 dos argentinos.
Mas o destino ainda não tinha encerrado a história entre os dois clubes naquele ano. Quis o chaveamento do mata-mata que o enfrentamento das quartas fosse um novo reencontro. Dessa vez, porém, a Bombonera viu uma vitória do time da casa por 1 a 0, com gol de Pablo Mouche, em um jogo que gera reclamações da torcida do Flu até hoje pela atuação da arbitragem.
Na volta, Thiago Carleto abriu o placar de falta ainda no início para um desfalcado do Fluminense, que perdeu um caminhão de gols na busca pela virada. E, como diz o ditado, quem não faz leva. No último minuto, Santiago Silva empatou o jogo e classificou o Boca.
Agora, os dois tempos voltam a se enfrentar, 15 anos depois do primeiro confronto e com a chance de 'desempatar' o retrospecto para ter a Glória Eterna no Maracanã.
Onde assistir Boca Juniors x Fluminense pela Libertadores?
Boca Juniors e Fluminense se enfrentam no dia 4 de novembro, às 17h, no Estádio do Maracanã, pela decisão da CONMEBOL Libertadores, com transmissão ao vivo pela ESPN no Star+.
