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À ESPN, Olten explica por que mudou de postura em relação a Casares após 5 anos e cobra revitalização no São Paulo: 'Espero que os dirigentes sejam mais jovens'

O presidente do Conselho Deliberativo do São Paulo, Olten Ayres de Abreu Jr. conversou com a ESPN em sua sala no Morumbis. Além de oferecer sua versão sobre a demissão de Ivana Zavatti, secretária que trabalhava para ele, contratada pelo clube, e que foi alvo de investigação interna no clube - leia aqui os detalhes -, ele também falou sobre sua relação com Julio Casares.

Eleitos e reeleitos nas duas últimas votações para seus respectivos cargos até o afastamento recente de Casares, ambos pareciam caminhar na mesma direção. Olten defendia as ideias que o ex-presidente implementava no São Paulo e que, com o passar do tempo, conduziram o clube a uma situação financeira e política tão ou mais preocupante do que a do início da gestão, em janeiro de 2021. Hoje, tudo é diferente na relação entre os dois.

"Primeiro, queria fazer um pequeno reparo. Na realidade, nunca tive uma boa relação com o Julio. Quem conhece as coisas internas no São Paulo sabe que nossa relação não era a melhor possível, principalmente nas questões sobre reforma", afirmou Olten.

"Os (dirigentes) que estão hoje com o atual presidente Massis, que era vice do Julio (Casares), que criaram obstáculos para que as reformas fossem perpetuadas. Como presidente do Conselho, não posso forçar uma reforma, preciso por em discussão. E essas pessoas criaram todos os obstáculos, junto com o Julio, para que essas reformas fossem perpetuadas. É importante que se diga", afirmou o presidente do Conselho.

Para explicar melhor a reforma citada por Olten, é preciso voltar a dezembro de 2025. Julio Casares, já sob o procedimento de impeachment que resultou em seu posterior afastamento da presidência, apresentou uma proposta de alteração estatutária que tinha como principais objetivos separar a gestão do futebol do clube social e viabilizar a transformação do São Paulo em sociedade anônima do futebol. Quem encaminhou o documento à comissão legislativa do clube foi Olten Ayres de Abreu Jr.

A proposta foi recusada no início de abril de 2026, mas, antes disso, Olten criou uma “comissão de reforma estatutária” para tratar do mesmo tema. Mais tarde, Olten destituiu a comissão legislativa e a substituiu por outra, com participação de Ives Gandra Martins, um dos componentes do Conselho Consultivo do clube.

Questionado sobre o pedido feito por Casares em dezembro de 2025 visando uma reforma estatutária no clube, Olten deu sua versão sobre a proposta que não chegou a ser apreciada pelo conselho deliberativo.

"O pedido de reforma que ele faz é para que o quórum fosse alterado em relação à possibilidade de se criar uma empresa. Ponto. Para que isso aconteça, precisa de uma votação de 75% do Conselho, o que transforma isso numa coisa impossível. O que o Julio propôs à época é que isso fosse reduzido para 50% mais um. Essa é a única proposta que foi estabelecida e foi a que gerou 42 páginas de parecer, dizendo que o clube não pode ter reforma nenhuma. Um absurdo sem precedentes", explicou Olten, voltando a refutar sua sintonia com Casares.

"Minha relação com o Julio nunca foi de absoluta harmonia. Nós sempre discutimos e divergimos principalmente sobre a reforma. E esses hoje no poder, representados pelo presidente Massis, foram os que criaram obstáculos para que a reforma existisse. Eu não me elegi na chapa do Julio, são eleições separadas. Presidente e presidente do Conselho se elegem, mas não formam uma chapa...".

Olten também tratou de separar costuras políticas feitas nas duas últimas eleições do São Paulo, nas quais Casares saiu vencedor. Segundo ele, uma união de fato aconteceu para o pleito de 2021, mas não prosseguiu para a eleição seguinte três anos depois.

"Houve uma articulação entre grupos políticos para que isso fosse possível na primeira eleição (fim de 2020), mas não na segunda (fim de 2023). Se pegar os nomes que votaram em mim e os que votaram nele, não são exatamente os mesmos. O grupo do Julio não votou em mim. O grupo que na época representava a oposição decidiu votar em mim. E, por uma coincidência muito grande, tivemos votações parecidas, mas com eleitores diferentes."

Ainda durante a longa entrevista à ESPN, Olten descartou um dia disputar uma eleição para presidente do São Paulo. Disse quense vê em um momento de sair de cena da política do clube e cobrou uma revitalização dos poderes na instituição.

"(Não tenho) Nenhuma (vontade de ser presidente do São Paulo). Nenhuma! Não faz parte dos meus planos. Vou fazer 67 anos agora, é o momento de eu me retirar dessas funções significativas dentro do clube, e é o momento do São Paulo se rejuvenescer, o que não aconteceu durante todos esses anos".

"Espero que os próximos dirigentes sejam mais jovens. Não estou dizendo que não tenha vigor, mas gostaria que tivéssemos uma revitalização das ideias dentro do São Paulo, com dirigentes mais jovens", completou.

E quem Olten apoiaria na próxima eleição do São Paulo? Ainda não existe uma definição por parte do presidente do Conselho.

"No momento, ainda não pensei. Não é um fato que estamos debruçados. Estamos fazendo alianças, e hoje formam-se claramente dois blocos. Um das pessoas que querem as reformas e outro dos que querem que o clube continue como está", finalizou