Quando o futebol inglês tinha estádios onde morriam pessoas por brigas de torcedores, muros, fossos e alambrados dividiam arquibancadas dos gramados.
Esse segregamento favorecia a ação dos hooligans.
Alguém percebeu o óbvio. Essas barreiras físicas não protegiam nada. Muito pelo contrário. Eram a porta de entrada da violência e tragédia.
Elas foram banidas.
Hoje, nada separa na Inglaterra as arquibancadas dos gramados.
E ninguém invade o campo para bater em jogador, juiz ou simplesmente tocar o terror em jogo de futebol.
No Brasil, principalmente por causa da Copa de 2014, o mesmo modelo foi adotado.
Nada, por exemplo, separa as arquibancadas da Arena corintiana do gramado. O clube foi medíocre esportivamente na maior parte do tempo desde sua inauguração.
E não lembro de alguém invadir o gramado para agredir jogador, juiz.
O mesmo acontece na maioria esmagadora das ditas "Arenas Coxinha" brasileiras, em que não existem alambrados, muros ou fossos.
Mas, na América do Sul, o Brasil é uma exceção.
Os jogos da Libertadores e Sul-Americana são quase sempre disputados nos tais ‘estádios raiz’, sem conforto algum e com imensos alambrados de “proteção” dos gramados.
Estive há poucas semanas na Bombonera. O ambiente, de fato, é incrível. Mas evidente que o estádio do Boca Juniors está longe se ser um modelo de segurança.
Pior quando as barreiras são improviso puro, como as cercas colocadas para separar a enfurecida torcida do Independiente Medellín do gramado no jogo contra o Flamengo, que acabou suspenso com 1 minuto de bola rolando.
Evidente que não é fácil mudar de uma hora para outra a podridão dos estádios espalhados por um continente empobrecido como é a América do Sul.
Mas chegou a hora de parar de celebrar "estádio raiz". Com eles, a selvageria vai seguir manchando a Libertadores e a Sul-Americana.
