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Bastidores: como Flamengo e Libra chegaram a 'cessar-fogo' e reabriram esperança de liga única no Brasil

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“Se a gente não se junta, como vai sair?”. A frase ouvida pela reportagem da ESPN da boca de um dirigente revela um sentimento de união que parecia distante entre os clubes da Libra antes da assembleia realizada na última quarta-feira (18) no Rio de Janeiro.

O Flamengo é peça-central para entender essa mudança de cenário. A equipe carioca sediou o encontro do bloco, na Gávea, mostrando disposição para superar a briga judicial que acontece em paralelo e gerou, inclusive, bloqueio de valores dos times da Libra.

Segundo apurou a reportagem, no encontro, Luiz Eduardo Baptista, o Bap, fez valer seu passado como executivo do mercado de TV por assinatura e encontrou apoio na maioria dos clubes ao apresentar sua visão: de que o contrato assinado com a Globo era ruim para o bloco.

Algo que Bap já disse publicamente é que, em seu entendimento, o Flamengo deveria faturar mais com o acerto e, por consequência, as demais equipes também. Ele entende que o contrato negociado pela FFU (Futebol Forte União), que reúne outros clubes, é mais vantajoso.

Foi com esse discurso que Bap conseguiu lugar no Comitê de Gestão da Libra, assumindo uma cadeira que já foi de Julio Casares, ex-presidente do São Paulo, que estava vaga. O Flamengo liderará esse órgão ao lado de Raul Aguirre, do Bahia.

O compromisso assumido pelo presidente do Flamengo com os demais dirigentes é que trabalhará para melhorar os valores do contrato, e não em benefício apenas de seu clube, mas de todos do bloco.

Uma indicação vista como positiva entre as demais equipes depois de mais de oito meses de batalha judicial, que chegou a bloquear mais de R$ 80 milhões da Libra a pedido do Flamengo – parte desse valor, contudo, já havia sido liberado em decisão da Justiça do Rio de Janeiro.

Também estará na pauta do Comitê agora liderado por Flamengo e Bahia uma reaproximação com a FFU, com a participação da CBF, para que as discussões por uma liga única possam ser retomadas.

Em um cenário que fez como que o Grêmio, por exemplo, que avaliava a mudança de bloco, descontente com a Libra, repensasse sua decisão e confirmasse a permanência após a assembleia.

“O encontro reforçou a existência de uma agenda unificada acerca de temas relevantes para os clubes e sempre com olhar para o futuro do futebol brasileiro, tendo em vista especialmente a construção de uma liga unificada, com participação dos clubes e em alinhamento com a Confederação Brasileira de Futebol”, publicou o Grêmio, em comunicado oficial nesta quinta.

O alinhamento em relação à presença da CBF na mesa de discussões não é por acaso. Todas as partes entendem que a confederação segue com grande peso político e de influência sobre os clubes, e nenhuma liga sairá do papel sem a anuência ou participação direta da entidade.

A ESPN apurou ainda que os demais clubes da Libra se mostraram impressionados com a mudança de postura do Flamengo nos bastidores e viram com bons olhos a movimentação. A ideia de todos é que, com mais união, os times ganhem força para poderem faturar mais no futuro com a liga.

Apesar do movimento da Libra dar uma nova esperança ao tema, esta não é a primeira vez que os dois blocos se organizam para tentar tirar a liga do papel. O tempo dirá se será a última ou não...