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Kaio Jorge, Gerson e Artur Jorge: vice do Cruzeiro abre o jogo à ESPN e explica planos para 'bater de frente' com Flamengo e Palmeiras

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Pedro Junio responde se Cruzeiro pode brigar com Flamengo e Palmeiras no Brasil: 'De igual para igual' (1:22)

Vice-presidente do Cruzeiro concedeu entrevista exclusiva à ESPN (1:22)

Nesta terça-feira (28), o Cruzeiro recebe o Boca Juniors, às 21h30 (de Brasília), no Mineirão, pela 3ª rodada da CONMEBOL Libertadores. O jogaço em Belo Horizonte terá transmissão AO VIVO do plano premium do Disney+.

Antes do "jogo do ano" para a Raposa, a ESPN conversou com exclusividade com Pedro Junio, vice-presidente do clube, que detalhou os planos celestes para brigar por todos os títulos da temporada e "bater de frente" com as duas maiores potências do país: Flamengo e Palmeiras.

De acordo com o dirigente, isso se baseia em dois pilares: a montagem de um elenco forte e volumoso, segurando destaques assediados como Kaio Jorge e trazendo reforços de peso como Gerson, e o trabalho do técnico Artur Jorge, que, de forma surpreendente, renovou contrato até 2030 depois de fazer apenas quatro partidas pela Raposa.

"A gente propôs para ele um projeto, um projeto a longo prazo, que nos dá segurança para a gente conseguir fazer esse Cruzeiro ainda melhor, ainda um clube sustentável nos próximos anos, e isso passa muito pela definição do seu comandante", explicou Pedro.

Ao mesmo tempo em que tenta levar o Cruzeiro de volta aos lugares mais altos do futebol nacional, o vice-presidente também tenta incrementar a parte financeira do clube.

De acordo com o cartola, o objetivo é que a Raposa possa em alguns anos "caminhar com as próprias pernas", aumentando sua receita através de direitos de TV, patrocinadores e venda de jogadores e passando a depender cada vez menos de aportes do empresário Pedro Lourenço, dono da SAF.

"A gente acredita que, nos próximos quatro, cinco anos, o Cruzeiro já vai estar caminhando sozinho", ressaltou.

Na conversa com a ESPN, Pedro Junio ainda falou dos planos para o mercado da bola do meio do ano, dissecou o balanço financeiro recém-publicado pela SAF e não fugiu de temas mais espinhosos, como o afastamento do volante Walace por críticas feitas em um grupo de WhatsApp ao goleiro Matheus Cunha, seu colega de equipe.

Confira abaixo a entrevista completa:

ESPN: Os dias andavam meio cinzentos aqui na Toca da Raposa, mas agora está um sol bonito, um dia agradável... Incrível como uma série de vitórias faz o tempo mudar, não é?
Pedro Junio: A vitória sempre traz um ambiente mais favorável, um ambiente mais leve, um ambiente mais tranquilo... Então, é isso que a gente espera levar para o jogo contra o Boca: um ambiente leve, um ambiente mais descontraído para a gente conseguir a vitória.

ESPN: E qual a expectativa da diretoria para esse jogão contra o Boca, que já se tornou decisivo na briga pela classificação às oitavas?
PJ: É um clássico do futebol sul-americano. A gente sabe da grandeza que é o Boca Juniors, a responsabilidade que é um jogo desse tamanho. Já nos enfrentamos em vários momentos, tanto no Libertadores quanto na Sul-Americana. A gente espera ter um resultado positivo para a gente ter uma classificação mais tranquila e seguir forte na Libertadores.

ESPN: O Brasil todo teve muito contato com o Pedrinho, seu pai, após a compra da SAF do Cruzeiro, mas agora está começando a conhecer o trabalho do Pedro Junio nos bastidores. Conte um pouco da sua vida, indo de torcedor apaixonado para dono e administrador do clube, e relembre também a sua passagem como jogador pela Toca da Raposa...
PJ: Eu estou aqui desde o início da SAF, da aquisição da nossa família. Eu fui atleta do clube nas categorias de base, nos juniores, nos anos de 2002 e 2003. Tive o privilégio de vestir essa camisa e sempre tive um sonho de um dia trabalhar aqui no clube. Não consegui como atleta, mas hoje tenho um sonho realizado. Eu venho me preparando há muito tempo para assumir esse cargo. Trabalho incansavelmente na organização das empresas do meu pai, no nosso conglomerado de empresas. E, quando surgiu a oportunidade da nossa família adquirir a SAF, eu não tive dúvidas que aqui seria o meu lugar. Para estar aqui com ele, para ser os olhos dele e o braço direito dele aqui no clube. Então, estou desde o início sempre apoiando, sempre a gente trabalhando junto. É um privilégio trabalhar no clube de coração, o clube que eu amo. Para mim, é uma honra estar aqui e uma responsabilidade ainda maior por ser um apaixonado por esse clube. Quero levar o Cruzeiro ao mais alto nível, aonde ele merece estar.

ESPN: Nem sei que loucuras eu faria se fosse dono do meu time de coração... É muito difícil separar a razão da paixão de torcedor na hora de tomar decisões importantes no Cruzeiro?
PJ: É uma relação entre paixão e razão... Elas andam muito juntas aqui. Então, as decisões têm que ser tomadas em um âmbito maior do clube. Não simplesmente por uma paixão ou por uma emoção momentânea de uma derrota ou de uma vitória. A euforia e a tristeza andam muito próximas no futebol. Uma semana você vence, uma semana você perde. A gente tenta levar isso da melhor maneira possível, sempre trabalhando no objetivo, no bem comum, que é o Cruzeiro. E aí a gente deixa a paixão um pouco de lado em algumas decisões e sempre trabalhando com a razão para a gente tomar a decisão correta para o clube.

ESPN: Com o seu pai você tem mais 'bolas divididas' ou possuem um entrosamento perfeito?
PJ: A gente é bem entrosado, sempre foi assim, tanto no supermercado como aqui no clube. A gente faz uma parceria muito boa, ele confia muito no meu trabalho e a liberdade que a gente tem para trabalhar é fantástica. A gente tem bons elementos, opiniões, então a gente discute, pega as informações que cada um acha importante, mas sempre priorizando o bem comum, que é o clube. Mas a nossa relação é fantástica.

ESPN: Por falar em tomar decisões importantes, recentemente o Cruzeiro surpreendeu o Brasil ao renovar o contrato do Artur Jorge depois de só quatro jogos até 2030. Por que essa decisão foi tomada e como foram as negociações com ele?
PJ: A nossa decisão aconteceu porque a gente viu no Artur um grande potencial, por tudo aquilo que a gente espera para o clube: um trabalho a longo prazo, não esses trabalhos a curto prazo, que a gente depois tem muita dificuldade de busca de um novo treinador. Então, a gente viu no Artur esse desejo dele também de ter um projeto seguro, de ter um projeto a longo prazo, e a gente se inspirou nele em toda essa confiança que ele nos propôs nesses dias. A gente propôs para ele um projeto, um projeto a longo prazo, que nos dá segurança para a gente conseguir fazer esse Cruzeiro ainda melhor, um clube sustentável nos próximos anos, e isso passa muito pela definição do seu comandante. O Artur foi a pessoa que nós escolhemos, pelo seu perfil, pela oportunidade da gente ter alguns jovens para lançar e rentabilizar em cima desses jovens, que é o futuro de qualquer clube no futebol brasileiro. A venda de atletas é muito importante, e isso passa muito por um comandante que está muito alinhado com os propósitos da instituição. Fizemos essa avaliação, propusemos esse longo contrato com o Artur até 2030, ele topou de imediato, pois achou o projeto muito interessante. É um projeto que ele já buscava também a longo prazo, para ele conseguir desenvolver um trabalho, para não ter aquela famosa coisa do futebol brasileiro, perde duas, três partidas, já se questiona o treinador, 'tem que trocar o comandante', 'tem que mandar o treinador embora'... Não! Ele quer um projeto sólido e viu no Cruzeiro também essa consolidação de um projeto forte. Foi um casamento perfeito, tanto de ideias do clube, como o planejamento do treinador, algo que ele queria para a carreira. Foi fácil o entendimento, então a prorrogação veio em poucos dias de trabalho, pois a gente entendeu que o Artur era essa pessoa que entendeu o nosso projeto, e ele também se prontificou a nos dar todo o suporte para a gente levar esse Cruzeiro ainda mais longe, e ele ficar aqui até o final de 2030.

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Vice do Cruzeiro fala sobre projeto a longo prazo do Cruzeiro com Artur Jorge: 'Casamento perfeito'

Pedro Junio concedeu entrevista exclusiva à ESPN

ESPN: Está sendo muito diferente trabalhar com o Artur Jorge em relação ao que era com o Tite? O que mais mudou no dia-a-dia?
PJ: São perfis de profissionais diferentes. O Tite teve essa contribuição aqui no clube, foi importante no título do Campeonato Mineiro, mas a troca veio em função dos resultados e alguns desempenhos no Campeonato Brasileiro, então a gente optou pela troca. O Artur tem um perfil um pouco diferente, um perfil mais agitado, um perfil mais com calor humano. É um treinador jovem, destemido, que entende bem a filosofia do clube. O trabalho dele é bem dinâmico, muito audacioso, e isso já nos encantou nos primeiros dias. A gente agradece muito pela comissão técnica que passou aqui, teve essa contribuição, e agora com a nova comissão técnica com o Artur Jorge a gente espera para ter sucessos ainda maiores.

ESPN: Por falar em 2030, essa também é a data da renovação de contrato do Kaio Jorge, que hoje é um dos estandartes do time. É um atleta jovem, de muita qualidade, e imagino que seu WhatsApp deve estar cheio de sondagens por ele... Como é lidar com o assédio em cima de um jogador desse porte, e como vocês conseguiram segurar o Kaio com aquela investida forte do Flamengo no começo do ano?
PJ: As sondagens ocorrem para vários atletas... Como a gente tem um elenco muito qualificado, com jovens com grande potencial, então a gente recebe sondagem por vários nomes. A conversa com o Kaio Jorge foi muito tranquila. Ele recebeu, sim, uma proposta do Flamengo, mas mostramos para ele um projeto aqui onde ele poderia ter evolução, onde ele poderia chegar mais próximo da seleção brasileira, onde ele estava feliz, onde ele já estava adaptado. Então, a gente mostrou todo esse projeto, esse carinho que a gente tem com o Kaio desde o primeiro momento que ele chegou aqui, que a gente trouxe ele da Itália. A gente cuidou, a gente tratou, a gente preparou o Kaio Jorge para estar nesse alto nível que ele se encontrou no final do ano e está mantendo neste ano de 2026. Foi tranquilo, a gente sentou, se organizou, fizemos uma proposta de estender o contrato dele, com uma melhoria de salário, e ele aceitou, acreditou no projeto. Ele acredita muito no Cruzeiro e gosta muito de estar aqui, está feliz de estar aqui. Então, para a gente isso facilitou. Como a gente fez com o Kaio, fizemos também com o Matheus Pereira: mostramos um projeto, um projeto a longo prazo, e é essa a filosofia do clube, pegar os seus grandes jogadores e tentar mostrar para eles que aqui é um caminho correto, um caminho ideal a longo prazo para conquistar ativos e virar ídolo da torcida. É isso que a gente quer com esses grandes jogadores.

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Pedro Junio fala sobre proposta de Flamengo a Kaio Jorge e explica a estratégia do Cruzeiro para permanecer com o jogador

Vice-presidente do Cruzeiro concedeu entrevista exclusiva à ESPN

ESPN: Você leu minha mente, pois eu ia perguntar sobre o Matheus Pereira. A renovação dele deu uma "arrastada", mas acabou tendo final feliz. O que causou essa demora nas negociações?
PJ: É uma negociação grande, um atleta de alto nível, o Matheus Pereira. Então, uma renovação, um jogador desse tamanho, ela demanda tempo, ela demanda alguns estudos. Nós fizemos todos os esforços que a gente poderia fazer para manter o Matheus aqui. Ele entendeu, ele compreendeu e ele está muito feliz de estar aqui hoje. Ele é cruzeirense declarado, então tem paixão por esse clube. Foi uma negociação difícil, mas tanto o Matheus quanto o Cruzeiro sempre queriam um bem comum, um bem dos dois. Negociações com jogadores grandes demandam tempo, mas a gente conseguiu essa renovação. Ele está feliz e mais uma vez é o que a gente faz. A gente tem os grandes jogadores, vamos transformá-los em ídolos. Para eles serem ídolos, eles têm que estar aqui há mais tempo e conquistar mais títulos. Por isso, eles [Kaio Jorge e Matheus Pereira] são peças fundamentais que a gente entendeu que, no momento, a renovação tinha que ser prioridade.

ESPN: Com essas renovações, vocês seguem tendo um dos elencos mais fortes do futebol brasileiro. Na sua visão, o plantel do Cruzeiro já está na mesma prateleira de Flamengo e Palmeiras, que são os times que dominaram o cenário nacional nos últimos anos? E, se ainda não está, falta quanto?
PJ: Esses dois clubes hoje têm receitas diferentes da nossa, muito diferentes da realidade do futebol brasileiro. O Flamengo e o Palmeiras hoje vêm de trabalhos a longo prazo, de estruturações diferentes. E o que a gente espera, vamos completar agora dois anos de SAF, é fazer esse trabalho a longo prazo para a gente brigar definitivamente com esses dois clubes. O Palmeiras vem se estruturando ao longo dos anos. O Flamengo fez um trabalho em 2013, 2014 e vem fazendo desde então. E é isso que o Cruzeiro quer fazer: um trabalho longo, um trabalho com credibilidade, com sustentação, para a gente estar em um nível para brigar com o Flamengo e Palmeiras de igual para igual. Hoje, a gente tem um elenco muito qualificado. A gente tem um elenco, vamos dizer assim, dos top 5 do Brasil. É um elenco importante para a América do Sul. Mas nós, como bons mineiros, vamos passo a passo, devagar, conquistando os nossos objetivos. A gente não quer ser maior ou menor do que nenhum outro clube. A gente quer ser o Cruzeiro. Então, a gente quer que o Brasil e a América do Sul reconheçam o Cruzeiro como o que ele realmente é: um grande clube, um clube que vai brigar sempre por títulos, por onde ele participar. É isso que a gente espera mostrar para o Brasil e para a América do Sul.

ESPN: Junto com as renovações, vocês fizeram investimentos importantes em reforços, com destaque para o Gerson. Conte um pouco dos bastidores de como vocês decidiram ir atrás dele e os detalhes da negociação, já que é sempre bem difícil conversar com o Zenit...
PJ: A gente chegou no nome do Gerson... O nome dele é fácil de chegar em qualquer clube do futebol brasileiro (risos). Dispensa comentários. Mas a gente espelhou no Gerson e focou nele pelo que ele poderia potencializar os nossos jovens. Por isso a gente optou em, ao invés de contratar dois, três jogadores, botar os recursos por um atleta, um atleta de alto nível, de alto rendimento. E o Gerson foi essa escolha. O Zenit foi muito parceiro nas negociações. Foi muito duro, porque são negociações de altos valores e de alta complexidade, mas sempre muito leal, muito cordial. E a gente conseguiu fazer essa negociação junto com o Zenit. A gente já teve alguns contatos com o Zenit no passado, por sondagens de alguns outros atletas, por isso a gente tinha uma proximidade com a diretoria deles. Mas a negociação se arrastou pelo fato da grandeza do atleta, pelo Zenit também não querer ficar sem um atleta de alto nível, e o Cruzeiro querer muito. No fim, a vontade do jogador prevaleceu muito para ele voltar para o Brasil. O Gerson acreditou muito no nosso projeto. A gente falou com ele, falou com o seu estafe. Ele de prontidão quis voltar para o Brasil, falou que o Cruzeiro era o lugar ideal para ele voltar. E assim foi feito. E a gente costurou as negociações e saímos com um final feliz.

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Pedro Junio explica força-tarefa para contratação de Gerson no Cruzeiro e diz: 'Vontade do jogador prevaleceu'

Vice-presidente do Cruzeiro concedeu entrevista exclusiva à ESPN

ESPN: Mas elenco bom sempre dá para melhorar, não é? Por terem perdido o Cássio com uma lesão grave, vocês devem procurar um novo goleiro agora no meio do ano, e a nossa apuração é que o John, do Nottingham Forest, é um nome na pauta. Confirma?
PJ: No mercado, a gente está sempre atento às oportunidades e às posições que a comissão técnica define, mas a gente tem um departamento bem qualificado, que já está fazendo as suas sondagens, já está fazendo as suas apurações, para a gente ser bem assertivo na janela, ver o que realmente a comissão técnica necessita, o que ela vê de oportunidade. A gente tem ainda um tempo até a janela abrir, mas já temos alguns nomes sendo ventilados. O Cruzeiro hoje não trabalha com nomes e nem posições. Até por uma filosofia do clube, não damos muitos detalhes de nomes e posições, mas o Cruzeiro é sempre muito atento ao mercado, é o que a comissão técnica vê de necessidade e a gente vai tentar atender da maior maneira possível. Frisando aqui novamente que o nosso departamento de futebol está trabalhando incansávelmente para atender todas as demandas da comissão técnica.

ESPN: Além de cuidar do mercado e de tantas outras responsabilidades no Cruzeiro, você também tem que lidar com algumas situações mais espinhosas, como o caso do Walace. Qual será o destino dele após o afastamento em razão do episódio de indisciplina envolvendo o Matheus Cunha?
PJ: O destino do Walace... A gente ainda está trabalhando isso internamente, junto com o atleta, junto com seus representantes, para ter uma solução tanto boa para o atleta quanto para o Cruzeiro. O Wallace sempre foi um atleta que teve muito respeito com sua instituição, então a gente trata o Walace com todo o respeito, com toda a autoridade que esse assunto merece, mas a gente trabalha de uma forma interna para a gente ter a melhor solução para o atleta.

ESPN: E com o Matheus, como foi para contornar a situação? Porque ele acabou sendo também atingido no episódio... Como você atuou para remediar as coisas ali entre todo mundo?
PJ: Não, com o Matheus foi muito tranquilo. A gente conversou, a gente chegou no entendimento. Com o Matheus não tivemos nenhum problema após o episódio. Esse episódio já foi superado, esse assunto já não é mais falado aqui na Toca da Raposa. E a gente segue com o nosso próximo objetivo, que é o jogo na Libertadores e depois o Campeonato Brasileiro.

ESPN: Nesta semana a SAF publicou o balanço, que mostrou a duplicação das receitas, mas também um aumento de mais de 70% nos custos do departamento de futebol. Qual sua análise das contas do clube? Está tudo dentro do previsto? O que precisa melhorar?
PJ: Os números são públicos, a gente já divulgou esse balanço. O que é importante é que os nossos aportes que foram programados para serem feitos e o investimento no futebol estão todos mantendo o nosso cronograma, o nosso planejamento para o clube. O que vale destacar foi o aumento das receitas de novos patrocinadores. O que a gente conseguiu de receita para o clube nos deu uma tranquilidade para investir mais no futebol. A gente sabia que no momento que a gente adquiriu a SAF, a gente teria que ter feito alguns aportes, como foram feitos e ainda vão ser feitos, para a gente ter um elenco mais qualificado. Hoje, a gente tem um elenco muito qualificado, mas tudo dentro de um cronograma, tudo dentro de um planejamento que a gente já vem feito nesses últimos dois anos, e que a tendência é esses aportes irem diminuindo durante os anos com venda de atletas, com aumento de receita de estádio, aumento de receita de patrocinadores... A gente só vai conseguir fazer isso com o Cruzeiro tendo visibilidade, que é estar sempre na Libertadores, no G-4 do futebol brasileiro, chegar nas fases mais longas da Copa do Brasil. Então, é ano a ano, a gente vai subindo cada degrau, já subindo muito bem do um ano para o outro e a tendência é subir mais para o ano que vem.

ESPN: Você falou em diminuir os aportes pouco a pouco. É claro que a gente nunca sabe o que vai acontecer no dia de amanhã, então é impossível fazer uma previsão certeira, mas em quanto tempo você imagina que o Cruzeiro caminhará mais com as próprias pernas e menos com os aportes?
PJ: Quando a gente comprou a SAF, dois anos atrás, a gente tinha um planejamento de seis, sete, oito anos para o Cruzeiro ser autosustentável, dele caminhar com as próprias pernas. Então, a gente acredita que, nos próximos quatro, cinco anos, o Cruzeiro já vai estar caminhando sozinho. Os aportes vêm diminuindo ano após ano, e a tendência é ir diminuindo cada vez mais para, dentro de quatro, cinco anos, não ter a necessidade mais de aportes. É uma previsão, mas como você disse, a gente pode estar tendo alguma oportunidade que precisa fazer algum aporte. Então, já está tudo previsionado e a gente trabalha no longo prazo com o grupo.

ESPN: Como você citou, chamou a atenção o fato dos patrocínios terem aumentado de R$ 50 milhões para R$ 280 milhões de um ano para o outro no balanço. O que explica essa guinada?
PJ: Foram vários patrocinadores. A gente renovou as nossas parcerias. Isso aconteceu pelo fato de a gente voltar para a Libertadores, pelo fato da gente chegar na semifinal da Copa do Brasil. Então, os patrocinadores das empresas privadas também acreditaram no Cruzeiro, acreditaram no nosso projeto. Isso viabilizou esse aumento de receita para a gente conseguir, com vários parceiros que a gente tem em várias áreas, para a gente conseguir esse aumento de patrocínio que a gente espera para o ano que vem.

ESPN: Sei que a resposta óbvia seria "ganhar todos os títulos", mas isso é muito complicado. Então, para o Pedro Junio, o que te faria chegar no fim de 2026 e pensar que o Cruzeiro teve um ano satisfatório?
PJ: Para 2026 ser um bom ano, a gente tem que conseguir a nossa vaga novamente para a Libertadores de 2027, e também chegar nas fases mais alongadas nos mata-matas, tanto na Libertadores quanto na Copa do Brasil. Se vier um título entre os três, contando também o Brasileirão, perfeito, maravilhoso... Mas o nosso objetivo se mantém em ter a vaga direta para a Libertadores. Toda competição que o Cruzeiro entra é para disputar títulos, é para brigar até o final. A gente sabe que ganhar tudo é muito difícil, ainda mais nas competições tão difíceis, mas a gente espera sempre conquistar títulos, sempre estar brigando na frente e é isso que o Cruzeiro sempre tem que se acostumar a estar lá na frente, no topo, sempre brigando por algo maior cada ano, conquistando algo melhor. Em 2024 a gente chegou na final da Copa Sul-Americana, esse ano estamos na Libertadores, já chegamos na semifinal da Copa do Brasil... Então, é pouco a pouco, passo a passo, com humildade, pé no chão, a gente consolidando o trabalho, automaticamente os títulos vão vir.

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