Rumo à Europa para iniciar com a seleção da Holanda a preparação para mais uma Copa do Mundo, Memphis Depay deu um recado claro durante passagem pela chamada zona mista da Neo Química Arena na noite da última quarta-feira (27): quer ficar no Corinthians.
O camisa 10 alvinegro conversou com jornalistas após a derrota por 2 a 0 para o Plantense, no encerramento da fase de grupos da CONMEBOL Libertadores, e externou o desejo de que tenha seu contrato renovado com o Timão.
Ainda assim, o craque não se esquivou de temas espinhosos.
Após criticar duramente os bastidores políticos do Corinthians em outros momentos, o jogador evitou conflito com membros da política do Parque São Jorge quando questionado sobre vários ataques que recebeu nos últimos meses, principalmente de membros do Conselho do clube.
“Não acho que sou ativo na política. Amo ir para campo, marcar gols, dar assistências e trazer títulos. Foi isso que eu fiz, certo? O que eles [conselheiros] fizeram cabe a eles. Não preciso responder a isso. O mundo todo está vendo, não é só o Brasil. O mundo todo está vendo”, disse o craque. “O Corinthians é grande, é fácil usar o meu nome. Não quero me aprofundar nisso, não ajuda em nada. Tento me manter firme sempre, manter minha cabeça erguida”.
“Posso olhar no espelho e sei quem eu sou. É tudo o que importa no fim do dia. Vim para cá para fazer coisas boas. Independentemente do que quiserem fazer com o meu nome, é algo que eu não posso controlar. Tudo o que eu quero fazer é manter esse clube no meu coração e ganhar títulos, porque os torcedores merecem”.
Falando a jornalistas em meados de abril, horas antes da aprovação das contas de 2025 pelo Conselho Deliberativo, o conselheiro vitalício César Romeu da Silva subiu o tom em relação à contratação do atleta e o impacto nos cofres.
“O que acaba com o clube é o Memphis Depay. Custa R$ 6 milhões por mês, não faz um gol, não dá uma assistência. Faz quatro meses que o cara não joga e nós temos que pagar. E a dívida dele é de R$ 42 milhões ainda”, disparou.
Memphis Depay foi contratado pelo Corinthians em setembro de 2024, com Augusto Melo ainda à frente da presidência e Osmar Stabile como 1º vice. À época, a dívida bruta do clube já alcançava R$ 2,5 bilhões.
Em outro momento da passagem pela área de imprensa, ao ser questionado sobre o impacto da dívida do Corinthians em relação ao atual contrato, o holandês não escondeu o incômodo com os vazamentos de detalhes em relação ao acordo assinado em 2024, assim como a forma como o avanço das conversas por uma eventual renovação têm sido trabalhos.
“Isso é algo que não dizer. Detalhes não devem ser compartilhados. Tudo que quero dizer é que quero ficar. Nunca em minha vida eu tive de responder a perguntas sobre conversar com empresas ou coisas assim. Não quero fazer isso. Não se preocupe. Por que você quer cuidar do meu bolso? É seu dinheiro?”, ironizou o holandês.
“Tem que haver uma boa negociação. E isso será algo privado. Espero que, desta vez, o mundo inteiro não fique de olho no meu contrato, todo dia indo atrás de números. Mas, se gostam de fazer isso, podem fazer. Eu faço muito dinheiro por muitos anos jogando profissionalmente desde 16 anos. Eu fiz meu primeiro milhão quando eu tinha 19. Não é que vim para o Brasil para fazer milhões. Eu já fazia milhões por muitos anos. Tudo que eu quero é devolver. Eu não quero mostrar, mas as pessoas sabem dos números”.
O holandês tem 79 jogos pelo Corinthians, com 20 gols e 15 assistências. Em campo, o atacante soma 40 vitórias, 18 empates e 21 derrotas.
