O Corinthians superou uma verdadeira crise política para fechar o ano com dois títulos: o Campeonato Paulista e a Copa do Brasil, esta conquistada no último domingo (21), com vitória por 2 a 1 sobre o Vasco. Para André Ramalho, um dos responsáveis por tal sucesso em meio a instabilidade fora das quatro linhas, foi Fabinho Soldado.
Durante participação no Equipe F desta segunda-feira (22), o zagueiro fez questão de pedir pela permanência do executivo de futebol, que tem futuro indefinido no clube.
Apesar de ter contrato até o fim de 2026, Fabinho terá uma reunião com o presidente Osmar Stábile para definir se fica ou não.
''O Fabinho é uma peça-chave nesse processo, que a gente espera e torce muito e o que a gente puder fazer de alguma forma para poder ajudar para que ele fique. Claro que começa por ele, tem os projetos pessoais dele, que aí é com ele. Mas, se depender da nossa força, da nossa voz, tenho certeza que todo time deseja a permanência dele porque ele é peça-chave nesse processo, que a gente torce muito para que fique. E, mais uma vez, para que o clube, de fato, fique pessoas que querem o bem do clube, que sejam verdadeiramente corintianos, que desejem o melhor para o clube. E o melhor para o clube não é só torcer a favor, mas fazerem ações internas que contribuam para o crescimento do clube'', declarou o zagueiro.
André Ramalho relembrou ainda o ano conturbado vivido pelo Corinthians fora dos gramados. De janeiro para cá, o Timão aprovou o impeachment de Augusto Melo, elegeu Osmar Stabile e ainda viu os ex-presidentes Andrés Sanchez e Duilio Monteiro Alves serem denunciados pelo Ministério Público por apropriação indébita, além de outros crimes. Sem contar, é claro, com uma grave crise financeira que assola o clube.
O zagueiro, no entanto, que fez carreira na Europa, sequer tinha visto uma troca de treinadores no meio da temporada - algo que presenciou no Corinthians com a saída de Ramón Díaz para a chegada de Dorival Jr..
''Para vocês terem uma noção, eu nunca tinha presenciado uma troca de treinador no meio de temporada. Todos os clubes que passei, no tempo que passei, se houve troca de treinador foi na virada da temporada. Então, eu nem sabia o que era isso, que é algo totalmente normal no Brasil. Uma coisa que é tão natural no Brasil, eu não tinha vivenciado na carreira'', disse.
''Querendo ou não, isso é um bom sinal, de que as coisas funcionaram minimamente do modo certo. Então começou daí. Obviamente, tem impeachment, que nunca tinha acontecido na história do Corinthians, tem polêmicas, que algumas acabam acontecendo de uma forma natural e outras se criam. A gente sabe que o Corinthians dá muita notícia, então qualquer mínima coisa que acontece ou nem acontece, acaba sendo falado e que obviamente atrapalha'', seguiu.
Por fim, Ramalho fez questão de destacar a potência do Corinthians que, em sua visão, precisa ser mais organizado internamente.
''Assim, do jeito que está, essa situação que todo mundo está vendo, a gente conseguiu já conquistar dois títulos esse ano. Imagine se esse clube, de uma forma geral, se organizar, a potência que pode ser. É isso que a gente comenta o tempo todo. Esse clube é uma potência absurda e, uma vez que esteja tudo alinhado, a tendência é só subir e crescer ainda mais'', declarou.
''Esse clube pode arrecadar muito mais renda do que já arrecada. Porque, obviamente, um clube estruturado e organizado atrai mais patrocínio, atrai mais dinheiro, valoriza a marca Corinthians e, além disso, pode formar grandes elencos, o que, automaticamente, você acaba brigando um pouco mais em todas as competições. Então, uma coisa leva a outra, um ciclo vicioso. É isso que a gente deseja'', concluiu.
