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Andrés Sanchez se afasta de funções no Conselho do Corinthians após denúncia do MP sobre gastos em cartões

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Promotor do MP explica denuncia contra Andrés Sanchez, ex-presidente do Corinthians, por lavagem de dinheiro (2:22)

Cassio Conserino deu a declaração em entrevista coletiva nesta quarta-feira (15) (2:22)

Andrés Sanchez está temporariamente afastado das funções como membro vitalício do Conselho Deliberativo e do CORI (Conselho de Orientação). Segundo apuração da ESPN, a decisão partiu do ex-presidente e foi acolhida nesta quarta-feira (15) por Romeu Tuma Júnior, que presidente o órgão interno do clube.

O afastamento acontece pouco depois da denúncia oferecida pelo Ministério Público de São Paulo, que acusa Andrés de apropriação indébita, lavagem de dinheiro e falsidade de documento tributário no âmbito das investigações sobre cartões de crédito corporativo do clube.

Também citado na apuração do MP, Roberto Gavioli, superintendente financeiro do clube, foi afastado por tempo indeterminado e sem remuneração “para que o mesmo possa defender-se da denúncia oferecida pelo Ministério Público”.

“A defesa de Andrés Navarro Sanchez, representada pelo advogado Fernando José da Costa, informa que foi surpreendida com o oferecimento de uma denúncia distribuída em apartado, sem juntada ao procedimento investigatório ao qual possui acesso”, citou a defesa de Andrés em comunicado à imprensa.

“O teor da acusação só se tornou conhecido após coletiva de imprensa convocada pelo promotor responsável, que anunciou a denúncia por supostos delitos de apropriação indébita, crimes tributários e lavagem de capitais. A defesa destaca, desde já, a inépcia da peça acusatória e o evidente excesso na imputação, reiterando que a inocência de Andrés será comprovada ao longo do processo, agora presidido pelo imparcial Poder Judiciário”.

A denúncia foi feita na noite da última terça-feira (14) por Cassio Conserino, promotor do MP-SP.

Segundo cálculos do Ministério Público, os valores totais somam R$ 480 mil, com correções. O órgão solicitou ainda a ambos o pagamento de 75% do valor a título por danos morais ao clube.

“O cartão empresarial, não da pessoa física, de nenhum dirigente, era utilizado como se fosse privado. Houve uma inversão da propriedade e um dos denunciados, o ex-presidente, passou a dispor desse cartão como se proprietário fosse e fez inúmeras compras particulares. Não digo uma, digo inúmeras compras particulares”, disse Cassio Conserino em entrevista nesta quarta-feira (15).

“Não é necessário muito escrutínio para saber que um cartão corporativo não é utilizado numa drogaria, numa clínica laboratorial, no hospital de ponta, em duty free. Esse dinheiro é da entidade esportiva Corinthians e não daquele que momentaneamente ocupa o cargo de presidente, até porque o estatuto previu a não remuneração de qualquer dirigente que ali esteja”.

No caso de Roberto Gavioli, a denúncia feita pelo Ministério Público parte de uma suposta omissão quanto à gestão dos cartões corporativos do Corinthians no departamento financeiro.

“Roberto Gavioli tinha o dever jurídico de impedir. É o garantidor do bem jurídico, era obrigado a conferir nota fiscal, verificar a pertinência do valor do gasto. Ele era obrigado a confeccionar relatório para os órgãos superiores internos. Só que nada disso foi feito. Ele disse que não tinha o dever de fiscalização, só que ele era gerente financeiro. Ele era remunerado para tal. Fazia parte do trabalho dele”.