<
>

Corinthians afasta superintendente financeiro denunciado pelo Ministério Público em caso dos cartões corporativos

play
Ministério Público denuncia Andrés Sanchez, ex-presidente do Corinthians, por lavagem de dinheiro e mais dois possíveis crimes (1:08)

Roberto Gavioli, gerente financeiro e que também exerceu o cargo em gestões anteriores, também teve seu nome incluído na ação (1:08)

O Corinthians se manifestou na tarde desta quarta-feira sobre a denúncia feita pelo Ministério Público de São Paulo sobre os possíveis crimes envolvendo o ex-presidente Andrés Sanchez e Roberto Gavioli, membro do departamento financeiro do clube.

Em comunicado, diretoria anunciou que afastou por tempo indeterminado e sem remuneração o superintendente financeiro “para que o mesmo possa defender-se da denúncia oferecida pelo Ministério Público”.

Andrés Sanchez e Roberto Gavioli foram denunciados pelos crimes de apropriação indébita, lavagem de dinheiro e falsidade de documento tributário no âmbito das investigações sobre cartões de crédito corporativo do clube.

Veja abaixo o comunicado emitido pelo Corinthians

“O Sport Club Corinthians Paulista informa que afastou de suas funções nesta quarta-feira (15) - por tempo indeterminado e sem remuneração - o superintendente financeiro do Clube, Roberto Gavioli, para que o mesmo possa defender-se da denúncia oferecida pelo Ministério Público.

O Corinthians esclarece ainda que acompanha com atenção a denúncia envolvendo o ex-presidente Andrés Navarro Sanchez, colocando-se à disposição para fornecimento de documentos e informações necessárias ao Ministério Público e órgão internos do clube como Conselho Deliberativo, CORI (Conselho de Orientação), Conselho Fiscal e Comissão de Ética.

A Diretoria Executiva do Corinthians reforça seu comprometimento na colaboração com as investigações do Ministério Público e dos órgãos internos do clube”.

O que diz a defesa de Andrés Sanchez

“A defesa de Andrés Navarro Sanchez, representada pelo advogado Fernando José da Costa, informa que foi surpreendida com o oferecimento de uma denúncia distribuída em apartado, sem juntada ao procedimento investigatório ao qual possui acesso. O teor da acusação só se tornou conhecido após coletiva de imprensa convocada pelo promotor responsável, que anunciou a denúncia por supostos delitos de apropriação indébita, crimes tributários e lavagem de capitais. A defesa destaca, desde já, a inépcia da peça acusatória e o evidente excesso na imputação, reiterando que a inocência de Andrés será comprovada ao longo do processo, agora presidido pelo imparcial Poder Judiciário”.

play
2:22
Promotor do MP explica denuncia contra Andrés Sanchez, ex-presidente do Corinthians, por lavagem de dinheiro

Cassio Conserino deu a declaração em entrevista coletiva nesta quarta-feira (15)

Entenda o caso

O PIC (Procedimento Investigatório Criminal) foi instaurado pelo Ministério Público em meados de junho deste ano, pelo promotor Cassio Roberto Conserino. À época, o órgão também agendou oitivas com o atual presidente, Osmar Stabile, o vice Armando Mendonça e o presidente do Conselho Deliberativo, Romeu Tuma Jr., a fim de entender o funcionamento dos cartões corporativos do Corinthians.

Inicialmente, a apuração do MP iria abranger somente o período das gestões de Andrés Sanchez (2018 a 2020) e Duilio Monteiro Alves (2021 a 2023). Porém, após ouvir alguns depoimentos, o órgão decidiu investigar também o mandato de Augusto Melo.

Além de uma suposta apropriação indébita, são apurados também os possíveis crimes de estelionato, furto qualificado, falsidade ideológica e associação criminosa.

O caso veio à tona no início do mês de julho, quando Andrés admitiu ter utilizado o cartão de forma indevida para pagamento de despesas pessoais em Tibau do Sul-RN, no fim de seu último mandato, em 2020.

Dias após a revelação dos gastos, ele ressarciu o Corinthians com juros e correção monetária. O ex-presidente, no entanto, responderá a um processo disciplinar na Comissão de Ética e Disciplina do clube. Os torcedores pedem punições e até a expulsão de Andrés.

Houve, também, uma acusação de supostos gastos pessoais durante a gestão de Duilio Monteiro Alves. As despesas, contudo, não estão necessariamente ligadas ao ex-presidente. Ele não reconhece as faturas e registrou uma notícia-crime na Drade/Dope (Delegacia de Repressão aos Delitos de Intolerância Esportiva), solicitando a inclusão desta no inquérito policial já em andamento, que denuncia a circulação de documentos falsos e manipulados.

No início do mês de setembro, o MP pediu à Justiça que Andrés, Duilio e Augusto Melo sejam temporariamente afastados dos Conselhos Deliberativo e de Orientação do Corinthians durante a investigação. Até o momento, no entanto, não houve uma manifestação do Poder Judiciário.

Além das supostas despesas pessoais, o MP também abriu investigação para apurar uma possível ligação do clube com a facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital), motivada pelo depoimento de Romeu Tuma Jr., presidente do CD do Corinthians, colhido pelo órgão.